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Marcos Ortiz

8 tópicos desfavoráveis ou que devem ser respondidos antes de concretizar uma “Gestão Compartilhada do Futebol”

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Depois de listar aquilo que considero 8 tópicos importantes favoráveis ao contrato de “Gestão Compartilhada do Futebol” que será analisado pelo Conselho Deliberativo do Guarani na próxima semana, vou tentar trazer aqui oito tópicos, na verdade oito dúvidas ou pontos que considero necessários de avaliação, mas peço licença para, em alguns momentos, individualizar as propostas, ou ao menos o que conhecemos delas e para isso, inevitavelmente este texto ficará um pouco mais longo do que o anterior, pois será necessário explicar alguns pontos para que todos possam compreender com facilidade.

Vamos a eles então?

1 – Utilização correta do Estatuto Social

O Estatuto Social do Guarani FC foi reformado em fevereiro de 2014 trazendo algumas implementações de profissionalismo na gestão, tanto do futebol quanto do clube e alterou algumas atribuições, a maior delas foi o fim da atribuição executiva aos eleitos para o Conselho de Administração já logo no primeiro artigo que o define:

Artigo 80 – O Conselho de Administração é um órgão dirigente de deliberação colegiada, composto por 07 (sete) membros não remunerados eleitos pela Assembleia Geral.

Portanto cabe ao Conselho de Administração a deliberação (decisão) sobre temas importantes ao Clube, não podendo nenhum dos seus membros desempenhar qualquer função executiva, o que acontecia anteriormente quando a diretoria executiva trazia os cargos de vice presidente com funções executivas determinadas pelo próprio nome do cargo.

Para que você possa entender mais facilmente, as duas Superintendências criadas popularmente poderiam ser chamados de “presidentes remunerados ou não”, responsáveis pelo cumprimento do plano de gestão entregue pela chapa eleita ao CA e pela gestão propriamente dita de todas as áreas do clube no seu dia a dia. Cabe ao Conselho de Administração deliberar sobre o bom andamento, nortear o seguimento do trabalho dos Superintendentes e propor medidas para que eles as executem após aprovação da maioria dos integrantes do CA, assim, o Guarani já tem a tão sonhada profissionalização dos departamentos e da gestão prevista no seu Estatuto Social sem a necessidade de atores terceiros, e assim pode contratar ou nomear profissionais de área para todas as funções executivas.

2 – O prazo de duração do contrato

Pelo que temos conhecimento prévio através das propostas encaminhadas em agosto passado, resumidamente, os dois contratos preveem prazos próximos a 20 anos de duração se utilizadas todas as clausulas de renovação. Neste período o Guarani FC estaria limitado a 10 ou 30% das receitas as quais faria jus e com esses recursos teria que administrar todas as suas despesas e setores, bem como tratar, negociar e liquidar todas as suas dívidas, existentes ou futuras e, mesmo que controlado por terceiros, todos os possíveis processos trabalhistas advindos do departamento de futebol recairão sobre a responsabilidade do Guarani FC, pois só vinculados ao clube é que atletas e comissões técnicas podem representá-lo em competições.

Teria o Guarani condições de, com estes recursos, fazer frente aos seus compromissos? Mais ainda, qual a garantia dada pelos proponentes sobre como será tratado o assunto “passivo e ativo” após o final do contrato referido, ainda que daqui 20 anos?

3 – Futebol é uma coisa, imobiliário é outra

Neste caso sou obrigado a tratar especificamente de uma das propostas, a do Grupo Magnum/ ASA, o primeiro envolvido e interessado diretamente no projeto imobiliário definido em acordo com a Justiça do Trabalho que culminou com a compra do patrimônio físico do Guarani que prevê o cumprimento basicamente de três contrapartidas: Construção de Arena, Centro de Treinamentos e Clube Social.

Antes de qualquer possibilidade de concretização é necessário que, especificamente neste caso, haja uma clausula onde a empresa abra mão de propor qualquer possibilidade futura de reversão destas garantias através de aprovação por Assembleia de Sócios, pois os dois processos, a gestão compartilhada do futebol e o cumprimento do acordo efetivado na Justiça do Trabalho não podem estar coligados em momento algum, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Ainda neste campo é necessário estabelecer que a verba acordada na Justiça de R$ 350 mil mensais continue sendo paga diretamente ao Guarani FC, não participando do rateio de 90-10% proposto no contrato, pois trata-se de cumprimento de acordo judicial, não de proveniência de receita por parte do parceiro.

4 – Participação na formação de novos atletas

Apesar de atualmente desvalorizada, a marca Guarani FC é reconhecida nacional e internacionalmente pela formação de grandes atletas de futebol profissional, desnecessário citar aqui qualquer nome, diante de tantos e tantos revelados pelo Bugre

Com a obrigatoriedade de construção de centro de treinamentos e a melhoria na estrutura de alojamento e trabalho dos jovens em formação é nítida a possibilidade de melhoria na qualidade e agregação de bons atletas às categorias de base que estarão vestindo uma das maiores e mais tradicionais camisas de futebol do país e o Guarani não pode aceitar ceder todo este potencial e tradição por meros 10% OU 30% de participação em futuras negociações destes atletas. Aqui o mínimo aceitável é uma proporção de 70 (clube), 30 (parceiro), na pior das hipóteses, 50-50, mas 90-10 ou 30-70, não.

5 – Garantias de qualificação

Até o momento naquilo que conhecemos das propostas, não temos qualquer garantia de formação de elencos e comissões técnicas capazes de elevar o nível atual dos elencos de futebol profissional Bugrino. Claro que por maiores que sejam as garantias e compromissos, toda formação de elenco está condicionada ao sucesso ou não, porem qualquer empresa que se disponha a assumir o controle da atividade fim do Guarani Futebol Clube deve apresentar garantias à sua coletividade de majoração de nível, afinal, estamos exatamente decidindo uma terceirização sob o argumento de não termos condições de melhorar aquilo que hoje temos, assim, manter o que hoje temos não é suficiente, é preciso oferecer ganho de qualidade documentadamente, não apenas de forma verbal.

6 – Clausulas de obrigatoriedade de desempenho

O grupo vencedor assumirá o futebol do Guarani FC disputando a Série A1 do Campeonato Paulista, a Série B do Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, portanto disputando três das quatro maiores competições de futebol do Brasil, a maior de todas seria a Série A do Campeonato Brasileiro que acreditamos deva ser o objetivo de todos os grupos proponentes à gestão compartilhada.

Qual seria a responsabilidade documental e não verbal em caso de insucesso levando o clube à disputa de qualquer divisão inferior às atuais, ou a deixar de participar, por exemplo, da Copa do Brasil? De que forma o parceiro escolhido ressarciria o Guarani FC pela redução de receita imposta por queda de rendimento trazido pela não disputa de qualquer destas competições atualmente no calendário do clube?

7 – Cobertura jurídica ao clube

Como todo contrato, este também estará condicionado às “variações de mercado” e o fiel cumprimento dele certamente dependerá do bom andamento, mas como administrador é necessário analisar todos os pontos, a possibilidade de sucesso e a possibilidade de fracasso da parceria.

Como ficaria o clube coberto diante de uma possível briga judicial por direitos na eventualidade de insucesso do contrato de gestão compartilhada? Explico: Qualquer contrato prevê a diluição de dúvidas em foro específico e é necessário que o Clube tenha a garantia de estabelecimento próprio em caso de insucesso para evitar que, por uma disputa jurídica que pode levar anos, seja contestada a capacidade ou propriedade de gestão do clube sobre o próprio futebol, impedindo-o de disputar qualquer competição futura por razões judiciais pendentes.

Parece absurdo, mas vimos recentemente isso acontecer em um time de futebol, o Guaratinguetá, que teve, por conta de uma parceria no futebol, seu declínio desportivo em poucos anos e isto pode ser conferido na matéria do portal “Plano Tático” CLICANDO AQUI .

8 – Especificação da capacidade de decisão do CA do Guarani

Em todas as declarações o presidente do Conselho de Administração do Guarani FC declara que o clube terá poder de decisão e veto no contrato de gestão compartilhada que for definido.

Diante disso, precisamos saber qual é o poder de veto e gestão pertinente ao clube, por exemplo, para impedir a concretização de qualquer negociação que possa prejudicar o bom andamento tanto desportivo quanto financeiro futuramente.

Ao firmar um contrato de tamanho porte e período de duração, é necessário saber até que ponto as partes terão ingerência sobre as decisões da outra parte, sob pena de não poder o clube interferir em absolutamente nada, ainda que nitidamente seja prejudicial à sua imagem, gestão ou saúde desportiva e financeira presente e futura.

Conclusão

Estes são os principais tópicos que gostaria de ver discutidos pelas partes e esclarecidos ao público em geral. Claro, existem outros tão importantes e pertinentes quanto, mas esclareço:

Ao ceder a parceiro a paixão de todos os Torcedores Bugrinos, o Guarani FC deixará de ser executor da sua atividade fim, o desenvolvimento de futebol e outras atividades esportivas profissionais ou não conforme descrito no seu próprio Estatuto Social e tal decisão só pode ser tomada depois de garantidos todos os direitos do Clube, a fim de preservar os interesses de toda sua coletividade, Sócios Patrimoniais, Sócios Torcedores e Torcedores, e mais ainda, há quem diga em pareceres que a atividade fim não pode ser terceirizada.

Espero que tudo o que trouxe sirva para o bom debate, a boa reflexão e o bom andamento das negociações, tratativas e decisões pessoais que serão tomadas por todos os que participarão deste processo, pois muito mais do que o desempenho de um time de futebol, está em jogo o futuro de uma entidade de 107 anos, entre as maiores do Brasil e que deve ser, antes de tudo, prioridade para todas as partes, o parceiro e os próprios gestores do Guarani Futebol Clube.

 

Marcos Ortiz – Planeta Guarani

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