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Marcos Ortiz

Carta aberta à comissão técnica e jogadores do Guarani Futebol Clube: ACREDITEM!

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Hei, psiu!!! É você mesmo, olha pra cá!

Eu sei que a coisa não é fácil, acredite, sei bem como é tentar trabalhar no Guarani diante de suas tantas e tantas alas, cada uma pregando o seu Guarani, diferente do do outro.

Sei como é ser chamado diariamente de burro, de incompetente, de despreparado, também sei como é ter que tomar decisões contando apenas com aquilo que tem nas mãos, mesmo sabendo que não vai resolver, não vai ser suficiente.

Sim, eu sei… mas também sei como é andar de cabeça erguida olhando pra frente sem ter que baixar os olhos. Acredite, já andei por essas “ruas” do Brinco olhando pro muro, pra parede esperando alguma voz me dizer o que fazer, como fazer, pra que lado andar, que rumo tomar.

Acredite, eu sei…

Quem disse que seria fácil? Lembra? Tanta gente passou, tanta gente tentou, alguns fizeram ficar mais outros menos difícil, mas poucos tiveram coragem de enfrentar o problema de frente estando no centro dele. Não, esse povo não é ingrato, esse povo só é sofrido, foram anos e anos (mais de 15) acreditando que tudo melhoraria, que amanhã seria melhor que hoje e desacreditando que estavam vivendo um hoje pior que ontem.

Não foi fácil, a gente vinha de longos 13 anos onde só sabia o que era primeira divisão, alguns anos entre os melhores, outros brigando pra se manter firme lá, entre os grandes, mas assim foram os anos entre 1992 e 2004. Antes já tinha sido bom também, pensa comigo, começou em 1973 antes dessa palhaçada de transformar competições anteriores em campeonato brasileiro, porque o Brasileiro foi disputado pela primeira vez em 1971, antes disso existiam copas e torneios, importantes, claro, mas nenhum deles chamado de Campeonato Brasileiro, e quem foi o primeiro do interior a estar lá? Claro, o Guarani.

Nossa, pouco tempo depois a gente já estava lá no topo, passaram-se 1973, 74, 75, 76 e 77 e pronto, o Brasil conheceu o interior do país vestido de verde e branco. É, isso aumentou muito a responsabilidade e o peso, não é mesmo? Teria aumentado muito mais se não fosse um tal juizinho safado em fevereiro de 1987 nos tomar o segundo, e o futebol era tão diferente que em 1987 decidíamos o campeonato de 1986, mas esse juizinho não conseguiu diminuir o Guarani que um ano depois estava lá de novo decidindo outro título Brasileiro.

Claro, a grande imprensa vai dizer sempre que o campeão de 1987 foi o Flamengo e o vice foi o Inter, e sabe por que morrerão dizendo isso? Simples, porque nenhum deles conseguirá te explicar como conseguiram rebaixar o vice campeão brasileiro do ano anterior pra aquilo que eles chamaram de segunda divisão… é, era uma tal Copa União (mais uma vez uma competição que não se chamava Campeonato Brasileiro) que de união mesmo só tinha um movimento, o tal de Clube dos 13, que tinha 20, criado pra tentar impor uma ditadura esportiva onde quem não estivesse nesse pacote não mereceria ser notado. De certa forma conseguiram, a partir dali o futebol brasileiro se transformou naquilo que a TV transmitia e instaurou no Brasil essa “ditadura” que transformou Corinthians e Flamengo nos “times do povo”.

Sim, já foi diferente, já houve uma época em que as TVs e Rádios de todo o Brasil vinham ao Brinco transmitir jogos do Guarani, não jogos da equipe tal contra o Guarani.

Esses tempos voltarão? Eu acho muito difícil que voltem, essa cultura já cooptou nossos filhos, nossos sobrinhos, nossas crianças e num primeiro momento os fez torcedores dos “times grandes” que eles viam na TV. Assim vimos todos os outros times adquirirem grandes números de torcedores declarados em todas as grandes cidades do interior e hoje eles também estão conseguindo converter nossas crianças em torcedores de times europeus. Acredite, eles estão conseguindo.

E quem somos nós no meio disso tudo? Nós somos exatamente os que resistiram, os que não se permitiram, os que aceitaram a missão de, mesmo nas horas mais difíceis, torcer pelo Guarani. Nós somos os que não se renderam, nós somos os orgulhosos que nunca se esquecerão do que já fomos e que sempre acreditarão que voltaremos a ser, nós somos aqueles que aceitaram o desafio de lutar contra tudo e todos pelo que amamos e acreditamos, sabe quem somos nós?

Nós somos os Bugrinos! Nós somos os sobreviventes! Nós somos aqueles por quem vocês lutam dentro de campo, pra nós uma vitória tem um sabor inexplicável depois de tantas e tantas derrotas e é pra devolver esse gosto da vitória pra gente que vocês entram em campo a cada nova jornada.

Sim, eu sei, alguns de nós xingam mais do que aplaudem… perdoem, eles, no fundo, talvez só estejam extrapolando ali seus próprios problemas, ou mais ainda, alguns estarão se lembrando do quanto foi bom e esta talvez seja a sua forma de agir diante da própria fragilidade em conseguir ver o Bugre de novo entre os grandes.

Releve e jogue por aqueles que cantam, vibram, acreditam, incentivam, mas jogue por eles também, porque eles são parte de nós. Um dia conseguiremos de novo cantar tão alto que vocês quase não ouvirão mais, mas acreditem, eles também são Bugrinos.

Claro, muitas vezes eu e alguns não resistimos e nos rendemos à “cornetada” também, acredite, não é fácil.

Umberto, esse texto é pra você, pra toda sua comissão técnica e pra todo o elenco que você comanda. Acreditem em vocês e acreditem em nós, juntos a gente consegue, juntos a gente pode, juntos a gente conquista.

Todo jogo é difícil, todo adversário é complicado, mas acreditem, se pra nós é difícil, pros adversários também é, porque quando eles olham pra vocês eles enxergam toda a grandeza deste distintivo, desta camisa e seu significado pra história do futebol brasileiro. É esse o preço que todos nós vamos pagar eternamente, mas é essa a grandeza das conquistas que vocês poderão trazer.

Acreditem, alguns de vocês já subiram de divisão em outros clubes pelo Brasil, mas em nenhum outro a repercussão de um acesso será tão grande quanto aqui. Levar o Guarani de volta significará algo marcante para as suas carreiras, suas histórias e suas vidas . Pras nossas então, vocês não imaginam o quanto pesará.

Não, esse texto não serve apenas pra essa partida contra o Vila Nova, vale pra todas as outras, porque independente do resultado deste jogo, nada estará resolvido. Se vencermos, não subimos, se não vencermos, não deixamos de subir. Este é importante demais, mas todos os outros serão também.

ACREDITEM! Acreditem em vocês e acreditem em nós, porque uma Torcida que já viveu e passou por tanta coisa nessa história de 107 anos só pode estar viva até hoje porque acreditou em vocês e em todos os que passaram por aqui.

Alguns conseguiram, outros não, alguns nos orgulharam, outros nos decepcionaram, mas nós nunca deixamos de acreditar.

Obrigado e continuem acreditando, VAI VALER A PENA!

 

Marcos Ortiz

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