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Carta ao Jovem Henrique
Sexta-feira, 28 de março de 2008
Henrique,
Pela primeira vez, desde que me tornei colunista deste site, tomo a Liberdade, de escrever para apenas uma pessoa e não para a nossa imensa Nação Bugrina. Esta carta, era pra ser estritamente pessoal, mas, como não possuo pares dentro da administração bugrina (apesar de torcer por ela), torço pra que você veja por si mesmo, ou que alguma outra pessoa, possa mostra-la.
Durante toda minha infância, sonhei vestir a camisa bugrina. Venho de uma família que sempre levou futebol muito a sério, pois meu avô foi zagueiro do XV de Piracicaba, mas, mesmo sendo zagueiro do XV, nunca escondeu de ninguém seu imenso amor pelo Guarani. Foi com ele, e, pelo amor dele, que me tornei Bugrino. Em virtude do seu amor Guarani, tão contagiante, é que nunca me conformei em perder um jogo bugrino no Brinco, e sempre fiz de todo possível para, até mesmo fora, acompanhar meu time de coração.
Eu fui um grande jogador, dos melhores, mas apenas em meus sonhos. Sonhava com detalhes incríveis, sempre sendo o protagonista de grandes vitórias do Guarani em tempos em que nosso Bugre ladeava com Flamengo, São Paulo, Palmeiras, como grande equipe que era.
Me via correndo, beijando o símbolo bugrino em direção ao Tobogã comemorando com na época a Guerreiros da Tribo e a linda Bandeira da Raça Bugrina, diversos e diversos gols com nossa maravilhosa camisa.
Mais ainda, quantas vezes sonhei em fazer gols em derbys. Sonhava, que um dia, o Bugre ganharia da Maldita lá no Chiqueiro com um gol meu nos últimos minutos do jogo e que após a feitura do gol, eu passaria mandando a torcida rival ficar quieta, e em seguida subiria no alambrado pra abraçar meus amigos bugrinos da década de 80, minha geração.
Entretanto, Deus não me concedeu o privilégio de realizar este sonho. Fui dispensado das categorias de base do Guarani por um cara, que nem o jogo olhou, apenas olhou para alguns jogadores maiores. Eu, que até gol havia marcado numa peneira com inúmeros garotos, acabei dispensado.
Mas esta carta, não é pra falar de mim e sim, pra falar de você e de inúmeros bugrinos, que como eu, sonham com nossa permanência na divisão de elite paulista e com a conseqüente classificação para a Série C.
Henrique, assim como eu, você aprendeu muito cedo a amar o Guarani. Ouvi sua entrevista outro dia quando você se referiu ao seu avô e acabei torcendo muito pra que você fosse realmente bem-sucedido no Bugre. Nem tanto só pelo seu futebol, mas sim pela nossa Paixão Comum, o Guarani Futebol Clube. Paixão comum a nós, e aos nossos avôs, e a milhares de outros, que passaram de geração a geração, um amor que NUNCA ACABARÀ, mesmo que a pífia imprensa campineira queria o contrário.
Por isso Henrique, gostaria que, se fosse possível, você falasse aos seus colegas de equipe o que significa de fato ser Bugrino. Que você na hora da corrente pré-jogo pudesse ser nosso representante, pois saiba que assim como eu, outros tantos gostariam de estar em seu lugar para poder comer a grama pelo Guarani, mas, como já disse, não posso, nem meus amigos podem, só você pode.
Esqueça por dois jogos sua carreira de jogador profissional. Seja um torcedor correndo por uma torcida Fanática que apesar de tanto sofrer, só faz mais amar seu clube de coração.
Contagie seus colegas com aquilo que você é, simplesmente um Bugrino, guerreiro como todos nós.
Tenho convicção, que se você conseguir isso alcançaremos nossos objetivos.
Faça isso por você, por seu avô, por seu Pai, por meu avô, por minha mãe e principalmente pelo meu filhinho, que numa época de tanta humilhação, não se cansa de usar o manto sagrado verde e branco levando o seu número nas costas e sonhando em um dia ser como você, um artilheiro de sonhos.
Caríssimo Henrique, apesar de não conhecê-lo pessoalmente torço pra que você se torne ídolo de nossa tão sofrida Nação. Como disse anteriormente, não apenas por seu futebol, mas por seu coração. Um coração alviverde que sempre terá orgulho de dizer "Sou Bugrino".
Um grande abraço,
Nelsinho
Para a torcida mais valente do Brasil.
Ainda temos esperança. Ainda temos com o que sonhar. Precisamos lotar a Javari no sábado. Algo como fizemos em Sorocaba, algo que só nós sabemos fazer.
Se você estiver livre no sábado, seu lugar é na Javari. Vestido a caráter. Vestido de verde, pra dar ao Henrique e seus companheiros o ânimo necessário para a batalha.
E se puder, leve também aqueles remedinhos pra debaixo da língua. Apenas por precaução.
Meu Livro
Neste último ano, escrevi um Livro, sobre a Paixão de nossa torcida pelo Guarani, que ainda sonho em publicar. Por hora, agradeço ao Planeta Guarani pelo espaço tão especial que me concedeu. Para mim é uma Honra escrever para nossa amada Nação. “Avante, avante meu Bugre, que nós vibramos por Ti. Na vitória, ou na Derrota, Hoje e sempre Guarani”.
Saudações Bugrinas
Nelsinho
Nelson Rizzi Junior é colunista do Planeta Guarani
Seu e-mail para contato é nelson@planetaguarani.com.br
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