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Planeta Guarani, 18 de março de 2008

Levanta chiqueirão!

Eu não vi o Danilo Silva virar as costas para o lateral da desgraçada, nem o pingue-pongue na área que resultou na punhalada do zagueiro ruim da coitada. Não vi o glorioso Roger Bernardo desfilar talento em um lance besta de bola curta, perdendo na velocidade pro atacante macaco que concluiu fácil diante do pobre Gisiel. Não vi o escanteio mal cobrado em que ele, de novo, o grande Roger Bernardo permitiu a antecipação do ofensivo símio e o desvio pro fundo da meta bugrina, e muito menos a pataquada da dupla Alessandro/ Danilo Silva que gerou o contra ataque e o golpe de misericórdia. Eu não vi nada disso. Isso não foi o retrato do dérbi, não foi o resumo daquilo que a história vai guardar, nem uma simples gota no oceano de lembranças de mais um duelo entre a Tradição verde e o nada Orangotango.

O que eu vi foi a festa, a festa de uma nação de ignorou o papel de visita. Saiu de casa rufando tambor, colorindo as avenidas da cidade mais linda do mundo, cantando e gritando de amor e de esperança. Eu vi as bexigas, os rojões, as pipas e o papel picado em verde e branco dominando o ar e chamando o povo pra janela, as bandeiras com o distintivo do único campeão tremulando na tarde alegre de domingo. Eu vi a chegada no privadão de Campinas, e a polícia assustada com aquele mundaréu de gente que, apesar de todos os pesares, ainda acredita. Vi o respeito, o respeito silencioso do outro lado da grade, que sentiu que com gigante não se brinca. E a camisa da seleção paraguaia tremulando bonito na cara dos simpatizantes, lembrando que todo mundo já sabe onde esse caminho vai dar.

Eu vi a multidão cantar junto, cantar com a alma, cantar o orgulho de ser desse povo que sofre e que chora, mas que ri quando está diante de gente tão pequena. “Não ganha naaaaaaaada, tem que se fodeeeeeeer, e é por isso que eu canto assim TOMAR NO CU PONTEEEEEE!!!” Arrepia ou não? Você que tava lá, você da família Taba, fecha os olhos! Fecha os olhos e lembra da sensação de ser o dono da casa dos outros, o dono do chiqueiro, o único ali que tinha estrela na camisa. Porque a gente pode estar na maior bosta do mundo, a gente pode acabar na próxima terça feira, ou daqui a quarenta minutos o Portuga pode aparecer e dizer que fechou pra balanço. Mas em Campinas... pára, a gente é único! Eu tenho estrela. Tenho duas! E você? Nada! Você não tem nada, mico!

Eu vi o Cris empurrar pra rede, e vi medo nos olhos dos inferiores. Medo! Eles, os que estão disputando o tal do G4, que dizem ter o melhor time do campeonato, dentro de casa, e com medo! Mas medo de quem? Medo do Fabinho, do Maxsandro, do Andrezinho? Não. Medo daquela camisa verde. Medo daquela turma atrás do gol do fundo, aquela turma que sozinha fazia mais barulho do que o resto do Estádio, aquela turma que consegue levar onze cones pro campo da bosta e equilibrar a partida. E a nojeira ficou quieta, quietinha, e dava pra ouvir a turma batendo dente nas arquibancadas sujas daquele campo sem passado. Só se ouvia o côro lindo “Vamo Bugrão, vamo ganhar, eu sou do time que vai ser o campeão!”. Eu vi o desespero, o desespero gorila de se saber que quem está do outro lado é maior, muito maior do que o King Kong.

Arquibancada, Gigante dez, coitadinha do Proença zero. O João Zoreia, que guarda carro ali por perto, disse que só escutava “Bugreeeeee” dentro daquele Lixo de lugar. Até o Fumaça, que como diz o nome só podia ser xita (quer dizer, como todos, torce pro gambá e curte a menorzinha), veio pagar um pau e reconhecer a sova da geral do amor verde. Só teve uma coisa que eu vi em campo: quando acabou, a macacada ajoelhou no chão, comemorando como se fosse título. Lembrei da Chapecoense, que fez a mesma coisa ao final da partida da Copa do Brasil. Ganhar de Grande, é uma vez na vida. Pra quem ficou vinte e um anos, fala aí...

E outra... cada um comemora o que pode!

Bora pro Brincão!

Em tempo, um: De novo, vai. Canta aí na sua casa. Dane-se se a sua mulher achar que você ficou louco, ou se sua mãe ligar pro sanatório. Todo mundo, junto, de uma vez só: . “Não ganha naaaaaaaada, tem que se fodeeeeeeer, e é por isso que eu canto assim TOMAR NO CU PONTEEEEEE!!!”

Em tempo, dois: Não abandone o Bugre. Jamais. Nós somos a arma. Vá aos jogos finais, e apareça na reunião de segunda feira, dia 24 de março, na qual serão definidos pontos importantes do Conselho de Torcedores. É a sua chance de ajudar de perto o maior amor do mundo.

Em tempo, três: O bafo de cana imperador de porra nenhuma não vem à Taba. Melhor pra nós. To sentindo que tem gente devendo no elenco e vai pagar a dívida com a torcida. Lugar de bambi é na fogueira do Índio. Rogério Ceni nariz de cutucar Lua vai sair do templo chorando as pitangas.

Em tempo, quatro: Quatro jogos. Quatro batalhas. Eu vou continuar contigo, meu Bugrão. Sempre.

 

 

Zé da Taba é colunista do Planeta Guarani
envie suma mensagem para: ze_da_taba@planetaguarani.com.br

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