ARBIOS e ALLCOM - ESCOLHA, CLIQUE E ACESSE

Planeta Guarani, 13 de julho de 2008.

Levanta Tobogã!

E que bonito que foi a coisa em Itu! Tirando meia dúzia de pateta que adoram estragar festa com briga de moleque, o resto foi coisa pra aplaudir de pé. A bugrinada compareceu em peso e tomou conta da casa do povo do maiúsculo, que de grande mesmo só viu o orelhão da praça e o futebol do único campeão de Campinas. Buzinaço e canto, o alviverde entrou em gramado sob a força dessa nação que sofre, sofre mas não esmorece. E começou com tudo, partindo pra cima, diferente daquele time sem ânimo da estréia contra a cariocada. Thierry Henryque teve grande oportunidade de cabeça, e menina passou raspando o poste. Glauber e Rincón no meio mordendo lindo, pegando na raça e na vontade, compensando às vezes a falta de traquejo com o fogo no zóio.

Aí veio aquele tropecinho, o gol de falta dos home, que botaram na anguleta do Márcio. Tá, a turma ficou meio ressabiada, teve corneteiro começando a xingar e tals, mas o Zé aqui já sabia de tudo e um pouco mais. É que a vó Margá resolveu pintar num sonho na noite anterior, e avisou que a coisa começada descaminhada, mas se ajeitava antes da curva. Eu, que num sô bobo nem nada, logo saquei a dica: o Bugre empatava ainda nos quarenta e cinco. Pois a bola foi girando, girando e girando pelo tapete verde, caiu no pé do Juari e sabugo! Lá nos noventa também. Pagamos na mesma moeda, golaço de gente grande, de gente de Itu.

E tava igual a peleja. Virou lá e cá, lá e cá, mais lá do que cá pra falar a verdade. O Bugre atacava no gol oposto da torcida, e quase nem sabia o que era o adversário atormentando. O Juari perdeu um daqueles que até Deus duvida, mas ninguém se lembrou depois que o Maranhão perdeu coisa ainda pior. Ô, meu filho, o Zé aqui pronto pra berrar “é o Messias!” e tu me apronta uma daquelas? Saiu na face do quadrado, o goleiro veio por baixo, era só meter de leve por cima. Isolou, lembrou mais do Maranhão do que do Messias, e mandou pro céu feito pipa. Meu coração e de metade da fanática quase que sai pela boca.

Aí foi uns quinze minutinhos de pressão controlada, aquela que dá pra segurar bem e que não mata ninguém de enfarto. E quando a igualdade já parecia inevitável, pois não é que o Roque me resolve experimentar? A bola desvia no Marcinho, iluminado, e cai em quem? Nele, Juari, mais iluminado ainda, feito poste de praça de cidade do interior, e foi balançar o barbante, tremeluzir a noite fria e a alma da gente sofrida que saiu de Campinas pra venerar a maior paixão. Bugre, Bugre na rede, Bugre pra dar aquela alegria que a nós achamos que não vinha mais, Bugre pra alegrar a quinta feira.

Eu tava pra esperar o fim do jogo de amanhã e escrever depois. Aí já contava a missa de uma vez, nem perdia tempo. Só que o Vô Taba me resolveu pintar no quintal em ectoplasma e espírito, e depois de tomar um copo de coca cola (de garrafa de vidro, na de plástico ele não bebe), já foi mandando a mensagem do além: Fiote, é dois a zero amanhã. Chega cedo porque vai ser feio pra parar o carro, e não come pastel no intervalo que eu fiz uma promessa pra Santo Onofre, mas pode levar o tape do hino que é dói na fuçuleta do time da granja. E vai ser dia de Marcinho, o criticado Marcinho com quem a galera perdeu a paciência. É, ele mesmo, vai desequilibrar. Se quiser, carca o dez na Timemania também – e o setenta e oito, claro.

Bom, o vô não tem a mesma moral da Vó Margá lá no além, mas eu to botando fé na previsão. É Bugre, Santo Onofre, Marcinho e o escambau pra cima do Linense, hoje e quarta feira. Semana que vem, no domingão, quero comemorar bonito a classificação do mais amado em casa, mais uma vez contra o timeco do bitelo, e terminar o dia tomando Boazinha no bar do Seu Martins, pronto pra segunda fase.

Bora pro brincão!

Em tempo, um: Nota zero pro pessoal das Organizadas, que com aquela cena envergonhou a maior torcida do interior. Se não é pra dar uma força, fica em casa, é um favor que vocês nos fazem. E deixem que as famílias e crianças possam empurrar o Bugre de volta ao lugar de onde nunca deveria ter saído.

Em tempo, dois: Boto muita fé no Juari. Às vezes prende demais a bola, é preciosista, perde lances bobos, mas tem velocidade, habilidade e parte pra cima. Gostoso ver um jogador assim, que não se impressiona com o adversário e vai sem medo na direção do gol. O Juari vai ser peça chave no acesso, escreve aí.

Em tempo, três: A defesa é outro destaque. Jogou muito bem nas duas partidas, e a saída do Danilo acabou não prejudicando o rendimento. O gol sofrido, de bola parada, não tira o mérito da dupla Valter e Xandão, dois gigantes do tamanho de Itu na zaga bugrina quarta à noite. E Xandão tem futuro promissor. Garoto, fica sussa que a sua hora chega. Não cometa o erro do Éderes e Talles da vida.

Em tempo, que saudade: EEEEEEEEEEEEEEEE, VAMOS SUBIR BUGREEEEEEEEEEE, VAMOS SUBIR BUGREEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE, VAMOS SUBIR BUGREEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Zé da Taba é colunista do Planeta Guarani
envie suma mensagem para: ze_da_taba@planetaguarani.com.br

Leia mais colunas de Zé da Taba