Veículo informativo independente sobre o Guarani Futebol Clube
Sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Levanta, Tobogã!
Nos anos oitenta tinha um pirulito que a gente comprava na feira e molhava num pozinho azedo, o push pop. Tinha o chiclete pingue pongue que vinha com figurinha da copa do mundo, usada nas rodas de bafo da molecada. Quem era nascido em berço de ouro, podia pedir por pai comprar um maximus, um pegasus ou um colossus, os carrinhos de controle remoto do sonho da molecada. Quem não era tão afortunado, jogava bolinha de gude, rodava pião, ou brincava de comandos em ação ganhado no dia das crianças. A gente colecionava gibi, ioiô da coca cola, marca de cigarro e carrinho de ferro. E ia jogar fliperama no shopping iguatemi, o único da cidade durante muito tempo.
Nos anos oitenta não tinha violência, ou pelo menos não a violência que a gente tem hoje, de ficar com medo de andar na rua ou de largar o carro fora de estacionamento. Circulavam pelas ruas monzas, chevetes, corcéis, escortes, fuscas em profusão, o bom e velho gol quadrado, e quem tinha importado era chamado de rico. Na televisão, a cada pouco o presidente aparecia falando de um plano econômico novo para combater a inflação, e o pessoal que hoje comanda os esquemas na época era quem subia em palanque pra pedir diretas já. Os inimigos de hoje viviam de mãos dadas. E comer lanche no Mc Donalds era novidade, aquele tipo de coisa que a criançada ainda achava ocasião especial, que só tinha em aniversário ou data importante.
Eu tenho saudade de brincar de rebatida com a molecada do condomínio, daqueles campeonatos imensos de futebol de botão que espalhavam pela garagem do prédio quinze estrelões lustrados e prontos para a batalha. Que torneio de videogame o que! O lance era ser o bom no botão, meter o disquinho no ângulo do goleiro de caixinha de fósforo do adversário. Meu goleiro era o mais bonito da turma, decorado com escudo da Placar, todo mundo queria um igual. Ler Placar, a velha Placar, não essa que só fala de time que paga, aquela que falava de todos os times, até dos menorzinhos, e cuja preocupação era levar ao leitor a novidade do mundo do futebol. Grande Placar do seu Juca Kfouri, que Deus a tenha.
Quantas lembranças das tardes na casa da Vó Margá assistindo Spectroman no programa da Mara Maravilha, ou o Malandrovisky na Oradukapeta, comendo bolacha croc croc – a bolacha do monstrinho - e tomando Tubaína ou Groselha Vanucci. Quem se recorda da propaganda da Vanucci ali no Viaduto Cury, no terminal central? Hoje, só resta o velho luminoso do Itaú, visível desde aqui da minha casa, pra cá da Anhanguera, onde naquela época existiam apenas uns poucos prédios recém construídos. Já se vão quase três décadas, a cidade cresceu, estendeu seus tentáculos para muito além. Nem todo mundo mais pode ver a placa do Itaú iluminando a noite. Pena.
Mas de tudo isso, a saudade maior é a de um clube que encantava. De um clube que, quando jogava em casa, fosse contra quem fosse, já botava dois (é, naquele tempo eram dois) pontos na tabela antes mesmo de o juiz apitar. Um clube temido, que das arquibancadas do velho Brinco de Ouro eu assistia brilhar, revelar um craque atrás do outro, afrontar os times das grandes torcidas do país, passar por cima, atropelar e fazer um narrador da estirpe de Osmar Santos se emocionar com a sua força. Nas arquibancadas do velho Brinco de Ouro eu sorri e chorei, mas chorei só de alegria, porque o meu Bugre, o grande amor da minha vida, só sabia me dar alegria. O meu Bugre, na vitória ou na derrota, era o gigante Guarani, índio guerreiro sempre entre os maiores, habituado à sina de vencer e convencer.
Volta, meu Bugre. Que saudades de ti.
Bora pro Brincão!
Em tempo, um: O Bugre vai se classificar. Segundo previsões da Vó Margá, a que nunca erra, a vitória contra o Noroeste será difícil, por apenas um gol de diferença, e com a participação ativa de um atleta do meio campo.
Em tempo, dois: Ainda de acordo com a Vó, o Bugre vence com mais tranqüilidade a freguesia Ituana, por um placar mais elástico, e garante antes da última rodada a sua classificação. Depois, é só esperar a pataquada da CBF e se preparar bonito para a hora do vamos ver.
Em tempo, três: Quero dar os meus sinceros parabéns à equipe do Planeta Guarani, que vem dando show de bola no acompanhamento do Bugre há muito tempo. É pelas mãos de Marcos Ortiz e Kleber Casablanca que o torcedor do mais amado segue ao lado do Bugre neste tortuoso caminho de volta.
Em tempo, pra arrematar: Vamos Bugrão, vamos ganhar, eu sou do time que vai ser o Campeão, vim pra torcer, vim pra vibrar, e por você a vida inteira eu vou cantar!
Zé da Taba é colunista do Planeta Guarani
envie suma mensagem para: ze_da_taba@planetaguarani.com.br
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