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Quarta-feira, 02 de outubro de 2008

Levanta Tobogã!

Entrada imprudente do Cris. O Juiz se aproxima rápido, já com a mão no bolso, e tasca-lhe o vermelho. Da arquibancada da Rua Javari ou do sofá de casa, o Bugrino, até aquele mais otimista, botou a mão na cabeça. O jogo tava um a zero pros homens, na casa deles, e nós com um a menos. E o que significava perder ali? Significava voltar pra segunda do Paulista, não disputar a série C nesse ano, e nem a D do ano que vem... olha, a gente ia precisar subir pra primeira do Estado de novo, em 2009, e só em 2010 disputar a vaga na quarta do Brasileiro. Na melhor das hipóteses, e se tudo desse muito certo, passaríamos o centenário na deprimente terceirona, em meio a Brasil, ASA, Marcílio Dias e Noroeste. Jesus, era o fim.

Mas aí o Henrique, aquele Henrique do Paulistão, resolveu botar o pé (e a cabeça) pra funcionar, e virou o jogo no coração. Como tudo com o Guarani é mais difícil, deu tempo de tomar o empate no finalzinho, só pra ter mais uma rodada de sofrimento – rodada que, no fim, se transformou na grande festa contra o Rio Preto em casa, a festa da sobrevivência. Comemoração merecida, aliás, porque a torcida do maior do interior tem um certo trauma de jogo decisivo no Brinco. Quem não se lembra dos fatídicos zero a zero com Santista e Mogi Mirim? Quando o Robinho fez o segundo no já rebaixado esquadrão riopretano, o Zé aqui respirou aliviado. Não seria dessa vez, não ainda, não sem luta.

Aí, eu aperto a tecla FFW da vida e instantaneamente aparece o Fernando Gaúcho batendo pênalti contra o Youtubetaba. Gol, o gol do octogonal final, o gol da ressurreição de um Clube que beirou perigosamente o abismo dos que não voltam. E vejo nos orkuts da vida o povo das outras torcidas respeitando o Bugre, temendo o Campeão Brasileiro, dando por certa a sua ascensão. O semblante daquele povo fiel que não deixa de comparecer ao templo sagrado do Brincão tá bem mais leve, cheio de esperança, uma esperança que nunca morreu, mas que ficou um tempo apagada nos olhos de todo mundo. E a bugrinidade, essa doença intratável e altamente contagiosa que afeta o peito, a mente e a alma de todo mundo aqui, voltou a ser motivo de orgulho e alegria, alegria que se revela nos amigos que desfilam pelas ruas da cidade com a camisa do verde mais verde.

Como já chegou o fim de setembro e o ano entrou na UTI, pronto pra bater com as dez, comecei a fazer a lista dos presentes de natal. Pensei em pedir pro bom velhinho – que na minha casa nunca entra de roupa vermelha – o acesso pra série B. Em segundo, terceiro, quarto lugar que fosse, eu pediria ao barba branca a escada pro andar de cima. Um a zero na turma paraense no último jogo, e subindo na bacia das almas, no saldo de gols, ou nos gols pró, dane-se, eu queria mesmo era escalar a montanha. Mas aí...

Aí eu me lembrei de que fui um sujeito bom esse ano. Pô, dei carona pra um senhor depois do jogo contra o Ituano, ajudei um torcedor família a achar o lugar no campo, colaborei com uma madame que subia os pesados degraus do tobogã, orei pelos bugrinos acidentados, paguei o sócio torcedor e o clube em dia, comprei muita coisa na lojinha, fui a jogos fora de casa... e se eu xinguei a Xitinha, fato que poderia ir contra a minha avaliação de bondade, alego em defesa que foram só umas duas ou três vezes. Tá, quatro. Cinco e não se fala mais nisso. Seis é minha oferta final. Pô, e desde quando xingar a coitadinha é pecado?

Portanto, seu Noel, avisa o todo poderoso aí que eu não aceito nada menos do que o caneco. Eu quero de presente a terceira estrela, aquela que me falta pra ser o único campeão brasileiro das três divisões. Eu quero invadir o gramado do Brinco no último jogo, subir na trave, atravessar de joelhos, correr com a bandeira de um lado para o outro gritando “é campeão”. Quero passar a noite de camisa verde e branca na canjibrina, andar até a praça Carlos Gomes e de lá pro Largo do Rosário, mostrar pra Campinas que eu sou o maior daqui, tocar o hino alto e soltar rojão.

E, mais que tudo, eu quero um outro outdoor...

Bora pro Brincão!

Em tempo, um: bugrino, faça um esforcinho e se torne sócio torcedor. Você não tem noção do tamanho de sua ajuda ao amado Guarani com isso. Seus trinta reais por mês são a diferença entre o buraco em que estamos e a glória à qual voltaremos.

Em tempo, dois: Acredito muito no Marcinho nesse octogonal. Acho que ele será a diferença positiva do Bugrão, e que fará partidas memoráveis, a primeira contra o Águia no Mangueirão. Messias também será destaque, podem escrever.

Em tempo, três: Vó Marga, direto da Rádio Além FM, ondas curtas, sol no céu e caipirinha na mão, informou em primeira mão que o Bugre fará um jogo difícil na primeira rodada, mas trará os três pontos a Campinas pela diferença mínima e com gol de Fernando “El guapo”Gaúcho. E ela ainda não errou neste campeonato.

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Zé da Taba é colunista do Planeta Guarani
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