Ufa, quanto sufoco na coluna passada, não é mesmo? Pela primeira vez nos encontramos com um rebaixamento e, dois anos depois, conseguimos um acesso! Rápido em um texto, mas longo para quem viveu e torceu, pareciam dias intermináveis sem o Bugre na Série A do Brasileiro.

Mas agora vamos reviver bons momentos do Bugre dentro de campo, e claro, continuar visitando aquela época para tentarmos encontrar nosso rumo de novo.

O ano era 1992, o Guarani estava de volta a Série A do Brasileiro e precisava mostrar a que vinha, ou melhor, a que voltava, mas realmente as coisas haviam mudado até aquele momento. A receita definitivamente era outra, senão vejamos a equipe que estreou no Brasileirão, lembrando que a temporada era aberta pelo nacional e encerrada pelo Paulistão: Marcos Garça, Valmir, Missinho, Pereira e Elias; Valdeir, Aílton e Wanderley; Anderson, Vonei e Edson Pezinho (Cacaio). Técnico: Fito Neves.

Equipe Bugrina no início de 1992. De volta a Série A do Brasileiro!
Equipe Bugrina no início de 1992. De volta a Série A do Brasileiro!

Pratas da casa? Apenas Marcos Graça (mas por pouco tempo), a aposta era a mesma: Contratar jogadores e foi assim que vieram desta formação o zagueiro Missinho, o lateral Elias, o volante Valdeir, o meia Wanderley e os atacantes Anderson (Sony Anderson, depois se transferiria e destacaria no futebol alemão), Edson Pezinho vindo do Corinthians e Cacaio, o mesmo que se destacou pelo Paysandu na campanha da Série B de 1991.

A equipe ainda teria Zé Teodoro (ele mesmo, o treinador), lateral-direito contratado junto ao São Paulo, e no gol o único prata da casa titular perderia posição, saia Marcos Garça e entrava Narciso, goleiro que se destacou jogando pela Ferroviária de Araraquara (um grande goleiro!).

Uma raridade para a época, o técnico era Fito Neves, que foi mantido durante praticamente toda a campanha, mas no Brasileirão uma campanha modesta marcava a volta do Bugre que não conseguiria avançar à segunda fase onde os oito primeiros colocados decidiriam quem disputaria o título.

Edu Lima era um dos destaques do Bugre em 1992 - Foto: Gazeta Press.
Edu Lima era um dos destaques do Bugre em 1992 – Foto: Gazeta Press.

A pressão da Torcida já começava a aumentar e a necessidade de fazer uma grande campanha batia às portas do Bugre quando chegou o Paulistão. Precisando montar uma boa equipe, juntaram-se à base remanescente do Brasileirão dois jogadores, um já com carreira sólida, o ponta-esquerda Edu Lima, vindo do Atlético-MG e com passagens, entre outros, por Cruzeiro, Inter-RS e Bahia, o outro atacante era um desconhecido, seu nome? Edilson, atleta que havia disputado divisões inferiores do Paulistão pelo Tanabi.

Edilson e Edu Lima imediatamente se tornaram titulares do time de Fito Neves e caíram nas graças da Torcida. Bem entrosados, ainda restava a Edilson os traços dos jogadores habilidosos que marcaram época no futebol brasileiro com um futebol alegre e ofensivo. Já Edu Lima com sua perna esquerda tinha um chute como poucas vezes se tinha visto no Brinco de Ouro da Princesa, um verdadeiro canhão.

A equipe que estreou no Paulistão teve Narciso, Gustavo, Missinho, Fernando e Souza; Valdeir, Aílton e Edílson (Taíka); Anderson, Wanderley e Edu Lima (André Beraldo). Técnico: Fito Neves. Prata da casa? Só Gustavo, o lateral-direito.

No banco de reservas acabava a estabilidade. Fito Neves que assumiu a equipe no início do ano deixava o comando para a chegada de Nelsinho Batista, que ficaria por pouco tempo comandando o Bugre até que Flamarion, então técnico da equipe de juniores assumisse e terminasse a competição.

Um capítulo a parte nesta temporada, um jogo inesquecível para a Torcida Bugrina aconteceu em 18 de novembro de 1992 quando o Bugre, já pela segunda fase do Paulistão recebeu o poderosíssimo Palmeiras-Parmalat no Brinco e não tomou conhecimento do adversário, aplicando uma goleada de 5×2 de virada, que poderia ser ainda maior, afinal Edu Lima cobrou um pênalti na trave logo no início da partida.

Depois disso o Bugre veria Evair (ele mesmo) abrir o placar para o Palmeiras, mas logo depois reagiria e com gols de Gustavo e Edilson encerraria a primeira etapa já em vantagem no placar. No segundo tempo um verdadeiro passeio com Edilson e Edu Lima ampliando o marcador, até que Toninho diminuísse, mas novamente Edu Lima, aos 47 minutos, desse números finais ao jogo, e que jogo! CLIQUE AQUI E VEJA O VÍDEO DA PARTIDA.

O Bugre que atropelou o Palmeiras-Parmalat teve: Marcos Garça, Gustavo, Missinho (André Beraldo), Fernando e Souza; Valmir, Aílton e Edílson; Tiba, Raudinei (Da Silva) e Edu Lima. Técnico: Flamarion.

O atacante Tiba havia vindo do Bragantino, o goleiro prata da casa Marcos Garça, reserva de Narciso aparecia entre os titulares e outros dois pratas a casa entrariam no decorrer da partida, o zagueiro André Beraldo e o volante Da Silva.

Se precisava de uma boa campanha para acalmar a torcida, o Bugre conseguiria, pois disputaria com o Palmeiras a vaga na final do Paulistão até a última rodada do returno, quando derrotado por 1×0 para o Mogi Mirim, viu o clube paulistano classificar-se para a decisão que aconteceria contra o São Paulo.

Mas a polêmica voltaria a tomar conta do Brinco. Destaque da equipe, valorizado e ainda tendo muito a render, na véspera da estreia do Bugre no Paulistão de 1993 (o calendário novamente foi invertido e o Paulista abria a temporada), nada mais, nada menos do que um derby que aconteceria fora de casa, o presidente Beto Zini mandou buscar o atacante Edilson na concentração da equipe, pois acabava de negocia-lo com o Palmeiras. Desnecessário dizer do descontentamento e dos protestos vindos das arquibancadas.

Luizão, o terror do Chiqueirão. Jovem atacante estreia com gol da vitória em derby.
Luizão, o terror do Chiqueirão. Jovem atacante estreia com gol da vitória em derby.

Porem a saída de Edilson abriu espaço para um prata da casa no ataque Bugrino, em seu lugar a opção foi escalar o jovem atacante Luizão, um dos destaques do time de juniores que praticamente estreava na equipe com um grande desafio pela frente.

A estreia foi inesquecível, o Bugre emplacou uma sonora goleada de 4×1 sobre o rival na preliminar com seu time de aspirantes e o time profissional venceria a partida por 2×1, com o gol da vitória marcado por Luizão (surgia ai o chavão “Luizão, Luizão, o terror do Chiqueirão!).

A equipe que estreou vencendo o derby no Paulistão tinha Marcos Garça, Gustavo, Nildo, Missinho e Rocha; Valmir, Carlos Alberto Pael e Robert (Gilmar); Tiba, Luizão (Ricardo Eugênio) e Alex e era comandada por Flamarion. Já era possível ver novamente alguns pratas da casa em campo, contando com Marcos Garça, Gustavo, Luizão e Alex (já falecido).

A campanha foi novamente boa, com o Bugre chegando à segunda fase, o então tradicional quadrangular que dava ao seu primeiro colocado a vaga na final do estadual, e naquela época o Bugre seguia firme, esbarrando sempre no mais que favorito Palmeiras-Parmalat, uma verdadeira pedra no sapato Bugrino nas fases decisivas das competições do início dos anos 90.

Outros pratas da casa despontariam nesta temporada, a equipe ia aos poucos ganhando nomes como André Ceará, lateral-direito, Jura, também lateral-direito, Mauricinho, atacante e a equipe ainda tinha o talentoso e clássico meia Robert.

Chegava a hora de iniciar o Campeonato Brasileiro e o Bugre foi buscar no Flamengo o então campeão carioca Djalminha, um jogador de qualidade incontestável, que havia se desentendido em campo com o atacante Renato Gaúcho e com isso havia sido colocado à disposição no elenco. Nossa, era um craque de bola, como jogava o tal Djalminha!

Por outro lado o atacante Luizão acabaria perdendo espaço na equipe titular que, já bastante mudada em relação à que terminou o Paulistão, teria na sua estreia o comando do carioca Carlinhos, treinador que teria algumas passagens pelo comando Bugrino na década de 1990 e a seguinte escalação: Narciso, Gustavo, Adílson, Fernando e Robinson; Valmir, Valdeir, Ivair (Rodrigo) e Djalminha; Robert (Mauricinho) e Cacaio.

Cacaio que iniciaria a competição como titular perderia a posição pra Clovis. Naquela temporada o Bugre conseguiria sua classificação para o quadrangular decisivo do Brasileirão, mas com uma fraca campanha na reta final, terminaria eliminado com cinco derrotas e apenas uma vitória, alias, esta vitória seria uma sonora goleada sobre o Remo-PA por 8×2 com três gols de Tiba e três gols de Clovis, Henrique e Edson Pezinho completaram o placar que poderia ter sido maior, pois Clovis perderia uma penalidade no final do segundo tempo quando o placar já apontava 8×2 para o Guarani.

A BASE, SEMPRE A BASE!

Equipe campeã da Copa São Paulo de 1994.
Equipe campeã da Copa São Paulo de 1994.

Se a temporada 1993 terminou melancólica, o ano de 1994 não poderia começar melhor! O Bugre que já colecionava títulos de Campeão Paulista de Aspirantes, Juniores, Juvenis e outros vice-campeonatos na própria competição, iniciaria 1994 conquistando a Copa São Paulo de Futebol Junior com uma grande geração de novos jogadores.

Antonio Maria Pupo Gimenes, o "Seo Pupo" era o garimpeiro das pratas da casa Bugrinas.
Antonio Maria Pupo Gimenes, o “Seo Pupo” era o garimpeiro das pratas da casa Bugrinas.

Na final, contra o São Paulo que era apontado como favorito, depois de empatar por 1×1 no tempo normal, o gol são-paulino surgiu de uma falta fora da área que o árbitro marcou pênalti e foi somente aos 40 minutos num belo gol de falta que Rubens empatou para o Bugre, veio um novo empate por 0x0 na prorrogação, em um jogo heroico com André Ceará terminando a partida com um corte na cabeça depois de uma disputa de bola com a zaga do São Paulo e Luizão praticamente andando em campo, com uma lesão, o Bugre ainda teria Carlinhos (hoje treinador do Sub-20) contundido na prorrogação e de volta ao campo, pois não haviam mais substituições. O heroico Guarani venceria na cobrança de penalidades por 3×0, com o goleiro Pitarelli defendendo três penalidades e levantaria a taça. O time Bugrino Campeão da Taça São Paulo tinha Pitarelli; Alberto, Carlinhos, Hélton (Rubens) e Marquinhos; Da Silva, André Ceará, André Goiano (Júlio César) e Andreir; Mauricinho e Luizão (Luís Carlos). CLIQUE AQUI E VEJA O VÍDEO DA DECISÃO.

O técnico era o grande Pupo Gimenez, responsável pela revelação de inúmeros craques na base do Bugre, um gênio do banco de reservas.

Infelizmente a conquista da Copinha não inspirou a diretoria Bugrina na época. No Paulistão de 1994 os campeões apareceriam apenas em partidas esporádicas, quase sempre como substituições no decorrer dos jogos, e a receita distorcida de contratar jogadores e trocar várias vezes de treinador seguia imperando no Bugre. Naquele Paulistão a equipe iniciou sendo comandada por Oscar Bernardi e depois de oito rodadas Candinho assumiria o comando por mais 10 jogos e seria substituído por Levir Culpi.

guarani-1994Mais uma vez sob forte pressão e muitas cobranças da Torcida, chegou a vez do Brasileiro de 1994, e a cereja do bolo já estava pronta. Emprestado ao futebol japonês, um certo Amoroso, destaque da base Bugrina nos anos de 1992 e 1993 voltava ao Guarani, não em tempo de atuar com a equipe Sub-20, mas pronto para assumir seu papel de ídolo dentro de campo, depois de comandar o time de aspirantes naquele Paulistão, formando o grande time de 1994.

carlosalbertosilvaNo banco de reservas estava o único treinador que poderia realizar tal proeza, era Carlos Alberto Silva quem voltava ao Guarani para comandar a garotada no Brasileirão de 1994 e a equipe que iniciou a competição teria Narciso, Marcinho (Valmir), Reginaldo, Cláudio e Guilherme; Fernando, Fábio Augusto, Edu Lima e Júlio César (Fabinho); Djalminha e Amoroso.

Depois da estreia Luizão assumiria a camisa 9, mas o trio de ferro formado por Amoroso, Djalminha e Luizão atuaria junto apenas em parte de uma partida, foi no jogo Vasco 3×1 Guarani, na segunda rodada que Luizão entrou no lugar de Júlio Cesar durante a partida, atuando ao lado de Djalminha e Amoroso que permaneceram em campo. Logo após a quarta rodada do Brasileiro o presidente Beto Zini negociou Djalminha com o futebol japonês, sim, ele voltaria no ano seguinte, mas quanta falta fez o grande Djalma naquela equipe de 1994 que por pouco não conquistou novamente o Brasil!

Da esquerda para a direita: Edu Lima, Luizão e Amoroso. Foto: Gazeta Press.
Da esquerda para a direita: Edu Lima, Luizão e Amoroso. Foto: Gazeta Press.

Amoroso e Luizão, ao lado de jogadores importantes como o zagueiro Jorge Luiz, os volantes Fernando e Fábio Augusto e o já experiente atacante Edu Lima fizeram bonito no Bugre que foi avançando sobre seus adversários, goleando em casa o Santos por 4×0 com direito a 2 gols de Luizão e dois gols de Amoroso (um deles um dos mais lindos gols da competição) e assim a equipe chegaria à disputa das quartas de final da competição contra o São Paulo, mas a fatalidade, mesmo com um placar favorável inesquecível, tiraria do Bugre a chance de chegar a mais uma final de Brasileirão. CLIQUE E ASSISTA OS GOLS DA PARTIDA GUARANI 4×0 SANTOS.

 

O Bugre perdeu a primeira partida para o São Paulo no Morumbi por 1×0 e naquele dia Amoroso sentiu uma lesão no joelho e deixou o campo para a entrada de Julio Cesar. Amoroso começou imediatamente tratamento e na partida de volta que aconteceu no final de semana, no Brinco, lá estava ele de volta vestindo a camisa 10 Bugrina e enchendo a Torcida de esperança.

guarani-1994-amorosoPorem, logo nos minutos iniciais da partida, Amoroso voltou a sentir a lesão no joelho esquerdo e para preocupação de todos, deixou o campo, novamente para a entrada de Julio Cesar. Nada de sofrimento, mesmo sem Amoroso em campo o Bugre atropelou o São Paulo, venceu o adversário por 4×2 com Luizão exercendo seu papel de matador e marcando um dos gols. Julio Cesar, Sandoval e Valdeir também marcaram para o Bugre. A última escalação de 1994 do Bugre com Amoroso em campo teve Narciso, Marcinho, Cláudio, Jorge Luiz e Guilherme; Fernando (Valdeir), Fábio Augusto, Sandoval e Edu Lima; Amoroso (Júlio César) e Luizão. CLIQUE AQUI PARA VER OS GOLS DA PARTIDA.

Zinho do Palmeiras disputa bola com Marcinho e Fábio Augusto na semifinal de 94. Foto: UOL Esportes.
Zinho do Palmeiras disputa bola com Marcinho e Fábio Augusto na semifinal de 94. Foto: UOL Esportes.

Classificado para as semifinais, o Bugre havia acabado de perder seu grande craque e teria o desafio de encarar novamente o Palmeiras-Parmalat, agora sem seu principal jogador. Não deu! O Bugre perdeu por 3×1 no Pacaembu e precisando de uma vitória por dois gols de diferença, perdeu novamente no Brinco em um domingo de muita chuva, e viu o Palmeiras avançar para a decisão e conquistar o título.

Apenas para que os mais jovens tenham conhecimento, vamos dar uma conferida nas escalações das duas equipes na derrota por 2×1 no Brinco de Ouro:

Amoroso e Tulio dividem a artilharia do Brasileiro de 1994.
Amoroso e Tulio dividem a artilharia do Brasileiro de 1994.

GUARANI – Narciso, Marcinho, Cláudio, Jorge Luiz e Guilherme; Valdeir, Fábio Augusto, Sandoval e Júlio César; Edu Lima (Leonardo) e Luizão (Tarcísio). Técnico: Carlos Alberto Silva.
PALMEIRAS – Velloso, Cláudio, Antônio Carlos, Tonhão (Wagner) e Roberto Carlos; César Sampaio, Flávio Conceição, Amaral e Zinho (Maurílio); Rivaldo e Evair. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Dois timaços, um Bugre inesquecível, não por coincidência comandando novamente pelo eterno ídolo Carlos Alberto Silva! Amoroso do Bugre e Túlio do Botafogo-RJ dividiram a artilharia da competição, pela segunda vez na sua história o Guarani fazia um artilheiro de Campeonato Brasileiro. Amoroso também levaria, alem da Bola de Ouro pela artilharia, o premio de Maior Revelação do Campeonato, e a Torcida Bugrina ouviria o então técnico da Seleção Brasileira Zagalo afirmar com todas as letras: “Meu time é Amoroso e mais 10!”

Abaixo uma galeria com fotos do álbum de figurinhas de 1994 com o elenco Bugrino, CLIQUE PARA AMPLIAR.

Curta Conclusão

O Bugre nos anos de 1992 a 1994 seguia a receita de contratar jogadores disputados no mercado com grandes clubes, e mesmo tendo conquistado com seu time de juniores a cobiçada Copa São Paulo, pouco espaço deu a atletas campeões como por exemplo o lateral-direito André Ceará e o grande zagueiro Carlinhos que jogaria pela Seleção Brasileira. Ainda assim, desta equipe Luizão se destacou durante a campanha.

Se na década de 1970 e 1980 a receita era buscar jogadores talentosos e promissores ainda em início de carreira ou precisando de espaço para retomarem seu bom futebol e só depois de três ou quatro temporadas, valorizados, negociar estes atletas, a negociação de Edilson mostra exatamente o contrário. Apenas seis meses de futebol do Capetinha no Brinco e pronto, lá se foi a grande promessa para o Palmeiras, situação muito parecida com a de Djalminha, que menos de um ano depois de chegar ao Bugre era negociado com o futebol japonês mesmo com a equipe dando mostras do grande potencial que teria na disputa do Brasileiro de 1994. Uma coisa é inegável: Este foi O TIME da gestão Beto Zini, marcado pelos meus dois únicos ídolos do futebol: O Mestre Carlos Alberto Silva e o eterno Bugrino Marcio Amoroso dos Santos.

Jogadores das categorias de base também, raramente se firmavam no time, e quando se firmavam, não esperavam o tempo certo de maturação, pouco, ou quase nada se valorizavam, e em seguida vinham negociações. Alias, o Guarani negociou uma quantidade incrível de jogadores na década de 1990, atletas que deveriam ter dado uma estabilidade financeira muito grande ao clube, mas isso misteriosamente não aconteceu.

Assim o Guarani seguiu na primeira metade dos anos 1990, Gigante sim, mas competindo contra outros gigantes, e não nos esqueçamos do principal vilão desta história, o tal Clube dos 13, que seguia com seus poucos e privilegiados integrantes ganhando muito dinheiro vindo das transmissões dos jogos, enquanto o Bugre, um dos grandes destaques destes jogos, nada ganhava.

Dava para equilibrar?

Até a próxima coluna, onde vamos seguir com o Bugre entre os anos de 1995 e 2004, duas épocas, duas eras, o final da gestão Beto Zini e a gestão José Luis Lourencetti. São dois momentos conturbados por si só, mas que terão também a companhia de outro fator novo: A LEI PELÉ.

Nos encontramos na próxima semana. Quantos momentos não é mesmo? Continue fazendo esta série de colunas, nos seus comentários não há limite de texto, deixe registrado o seu momento e as suas memorias do Bugre entre os anos de 1992 e 1994, estamos escrevendo isso juntos, mas nossa meta é ao encerrar esta série, conseguir mapear o que trouxe o Guarani ao momento que hoje vive. Quem sabe depois disso poderemos recomeçar.

Marcos Ortiz
Planeta Guarani