Neste oitavo e último capítulo da nossa série vamos analisar os piores períodos da história do Guarani. Vamos iniciar a Série com o Bugre jogando a Série A do Campeonato Brasileiro e Série A2 do Paulista, passar por dois vice campeonatos Paulistas (A1 e A2) e terminar com o Bugre jogando a Série C nacional e novamente a Série A2, ufa, vamos a eles, e já aviso, esta será a mais longa de todas as partes, até por isso mudei um pouco a apresentação e algumas partes importantes viraram conteúdos à parte, com links de acesso, porque vou encerrar o retrospecto de qualquer maneira, e por ter certeza que ficará muito grande, não teremos nesta parte a colocação de fotos ou imagens, pois tornaria este conteúdo em um infindável livro de quase 100 páginas (não que tenha ficado muito menor que isso)…

Portanto, se você procura uma leitura rápida, não conseguirá. Por favor, acesse este conteúdo apenas com muito tempo de sobra para poder conferir todos os detalhes deste capítulo final.

Na parte anterior deixamos o Bugre num momento único, cheio de esperanças e prestes a conseguir um objetivo buscado há anos, jogar as duas primeiras divisões, tanto no Paulista quanto no Brasileiro, mas esta esperança não se concretizaria e muita coisa aconteceria nos fatos a seguir.

O Bugre tinha dois objetivos em 2010, no primeiro semestre subir na Série A2, uma tarefa tida como simples, se considerarmos que o time vice campeão da Série B estava quase mantido, e se manter entre os 16 melhores do Brasileirão no segundo semestre. Pequenos, mas importantíssimos. Era a hora de carimbar o passaporte de volta! Confira no link como foi a campanha na Série A2 de 2010.

Vadão foi mantido, o time teve algumas alterações e a Torcida, imprensa, enfim, todo mundo tinha certeza que este seria o último degrau do Guarani para voltar ao seu devido lugar. Faltava só mais um acesso para esta imensa e sofrida Torcida comemorar as primeiras divisões no estadual e no nacional novamente, mas dentro de campo o favoritismo não se confirmou, pior ainda, até as últimas rodadas a equipe lutou contra um impensável rebaixamento para a Série A3 que foi afastado quando ao final a acanhada e distante 14ª colocação, garantiu a permanência na A2, uma vergonha a menos.

Na Copa do Brasil o adversário era um desconhecido Araguaína-TO, e sem facilidades, mas com duas vitórias (1×0 fora e 2×1 em casa), avançamos para o confronto contra o Fortaleza pela segunda fase. e chegou a hora de pegar o Fortaleza pela Copa do Brasil.

No jogo de ida uma derrota por 2×0 parecia sacramentar a eliminação do Bugre, mas duas semanas depois o Bugre, em uma partida emocionante, conseguiria sua classificação para a terceira fase vencendo o jogo no Brinco por 2×0 e vencendo nas penalidades por 4×3. Alegria, que mais adiante se transformaria em uma grande vergonha, afinal o adversário da terceira fase era o Santos.

Não havia mais clima, e mesmo depois de vencer o Fortaleza (a partida aconteceu três dias depois do final da Série A2), Oswaldo Alvarez encerrava mais uma passagem pelo Brinco, mas o Guarani ainda tinha um jogo importante pela frente antes de iniciar o Campeonato Brasileiro da Série A. Restava ao Bugre jogar contra o Santos na Vila Belmiro e assim foi, já comandado interinamente por Waguinho Dias que outra grande vergonha aconteceu.

Jogando com Juliano; Cássio, Dão e Valdir; Alex Cruz (Léo Mineiro), Cléber Goiano, Maycon, Walter Minhoca (Moreno), Fabinho e Fabinho Almeida; Anderson Costa (Da Silva), o Guarani sofreu uma goleada vexatória por 8×1 e a Torcida teve certeza, teria sido muito melhor ser eliminado pelo Fortaleza e evitar mais esta vergonha. Duas semanas depois o Bugre apenas cumpria tabela enfrentando um time reserva do Santos, venceria a partida por 3×2 com dois gols de Richard Falcão nos minutos finais da partida, mas não havia o que comemorar, era hora de pensar na Série A do Brasileiro que já batia às portas.

Sem conseguir o acesso, a empolgação da Torcida após a excelente campanha do final de 2009 havia sido trocada pela intolerância, ninguém mais aguentava tanta instabilidade no futebol, que só não complicava ainda mais as coisas porque o Bugre ainda tinha direito a uma boa “mesada” vinda do Clube dos 13. Ainda assim a Torcida Bugrina esperava ansiosamente por dias melhores, pois depois de cinco temporadas (2005, 2005, 2007, 2008 e 2009) o Guarani encerrava seu período de maior ausência até então longe da elite nacional. Antes disso apenas em 1992 o Clube havia passado as temporadas de 1990 e 1991 jogando a Série B, mas sem jamais pensar em Série C e tantos outros sofrimentos.

Um pouco antes da decisão da Série A2, no dia 12 de abril um fato marcaria os bastidores e o futuro do futebol brasileiro. O Clube dos 13 passaria por um processo eleitoral e a briga ia muito além do nome do novo presidente, de um lado estava Fabio Koof, do outro estava Kleber Leite, ex-presidente do Flamengo, que vinha apoiado pela CBF e pela Rede Globo, a mãe do Clube dos 13, e a eleição teve de tudo nos bastidores, até data antecipada de novembro para abril, mas o que o Guarani tem a ver com isso? Simples, depois desta eleição, aliado à Rede Globo e à CBF, o ex-presidente do Corinthians, Andres Sanches comandou o movimento que explodiu e acabou com o Clube dos 13, passando aos clubes a negociação direta com a emissora sobre seus valores de direitos de transmissões.

Mas, mais do que isso, o grupo de oposição lamentou muito, pois contava com três votos, o do Guarani, através de Leonel, da Portuguesa e do Flamengo, ex-clube de Kleber Leite, comandado por Patricia Amorin. A eleição terminou 12 x 8 para Fábio Koof, com estes três votos ela seria outra, mas o presidente Bugrino (e estas informações são de bastidores da época, não são nem nunca serão confirmadas por ninguém), teria se comprometido com o outro grupo e decidiu voltar atrás, votando a favor da reeleição de Koof. Nem precisa dizer que a briga entre Guarani e Rede Globo aumentou ainda mais a partir deste momento.

Série A de 2010 – Sonho que virou pesadelo para o Bugre

Para a Série A do Brasileiro a decisão da diretoria foi trazer Vagner Mancini para comandar a equipe, e o Bugre apostou em um elenco com vários jogadores experientes, com destaque para o atacante Roger, que mesmo tendo um passado negro em sua carreira, tornaria-se o principal destaque da equipe no início do Brasileiro, outro destaque nestes jogos iniciais (a competição seria interrompida para a disputa da Copa do Mundo) era Mazola, jovem revelado pelo São Paulo, mesmo clube de Roger (confira como foi a participação Bugrina na Série A de 2010 no link ao lado).

Dentro de campo veio mais um rebaixamento, depois de passar 13 jogos sem vencer nas últimas 13 rodadas da competição, o Bugre ,que chegou a brigar por uma vaga na Libertadores da América no início da Série A, depois da paralisação para a Copa do Mundo desabou e foi rebaixado com três rodadas de antecedência.

O Clube que estava a um passo de voltar ao seu devido lugar, em uma única temporada havia dado dois passos para trás. Permaneceria mais um ano na Série A2 e passaria o ano do seu centenário jogando também a Série B do Brasileiro. Mas a diretoria ainda se viu no direito de organizar um jantar para comemorar o encerramento do ano. Sim, iríamos comemorar a permanência na Série A2 e o rebaixamento na Série A do Brasileiro, e alguns comemoraram… Por criticar esta decisão, recebi várias ameaças. No Guarani a promessa era de me processarem por formação de quadrilha caso eu realizasse o protesto isolado que divulguei de comparecer à frente do Brinco uniformizado e comer uma marmitex em homenagem aos que entrassem para o jantar de encerramento. Não pude ir, fui surpreendido à noite com uma viatura da Polícia Militar na porta da minha casa, sem nenhum motivo, e só consegui sair bem mais tarde. Passei por lá, encontrei três amigos, conversamos no antigo Ka Dog que existia em frente ao portão principal e fui me embora, porque a dor ainda era grande.

O Centenário e o fim de uma era

Chegou 2011, o ano do Centenário do Guarani Futebol Clube, mas antes disso duas coisas aconteceriam. Primeiro o Guarani voltava à disputa da Série A2 buscando seu acesso no Paulista, depois, no meio disso tudo, no dia 01 de março, o Clube passaria por um processo eleitoral mais uma vez. Ano de expectativas, e mesmo vivendo tudo o que vivemos nos anos recentes, era preciso abrir mão da dor para homenagear e celebrar os cem anos da nossa paixão e agradecer àqueles que em 1911 criaram o Guarani Futebol Clube de tantas glórias e histórias (convido vocês a lerem o conteúdo referente à Festa Popular do Centenário no link ao lado).

Dentro de campo o Bugre apostou em Argel Fucks, ex-zagueiro que estava começando sua carreira como treinador há poucos anos e teria a missão de levar o Bugre ao seu acesso. Um início de competição muito bom, uma vitória em casa sobre o São Bento por 3×0. O time bastante diferente, afinal as “estrelas” trazidas para a Série A jamais permaneceriam para disputarem uma Série A2 e o Bugre foi a campo com a seguinte escalação: Emerson; Chiquinho (Rodrigo Heffner), Aislan, Aílson e Brida; Carlos, Dadá, Rodrigo César (Leânderson) e Márcio Guerreiro (Fabinho); Marcos Dener e Bruno Rangel.

E foi um início de Série A2 muito bom, o time seguiu invicto por sete rodadas, colecionando cinco vitórias (São Bento 3×0, Atlético Sorocaba 2×1, PAEC 1×0, Rio Branco 1×0 e RedBull 2×1) e dois empates (Palmeiras B 0x0 e XV de Piracicaba 1×1). Pronto, o Bugre de Argel era líder do Grupo 2 da Série A2 ao final da sétima rodada e parecia caminhar tranquilo rumo ao acesso.

A primeira derrota veio na rodada seguinte quando o Bugre perderia por 3×1 para o São José, fora de casa, mas logo na rodada seguinte o time reagiu e venceu em casa o União Barbarense por 2×0. Hora de parar para disputar a Copa do Brasil.

O adversário seria o União Rondonópolis-MT, e a expectativa era que o Bugre conseguisse eliminar o jogo de volta para poder se concentrar na Série A2. Começou o jogo e parecia que tudo aconteceria como o script. Com gols de Ronaldo, Marcos Dener e Dadá, aos 14 minutos de jogo o Bugre já vencia o adversário por 3×0, e precisava apenas de dois gols de diferença para conseguir a vaga. Ainda no primeiro tempo o Rondonópolis diminuiu o placar aos 27 minutos, mas o Bugre estava avassalador e aos 37 minutos Flávio marcava o quarto gol. Bugre 4×1, era só segurar ou até mesmo ampliar o placar e voltar para casa classificado porque no fim de semana tinha Série A2. Quem disse? Tinha ainda o segundo tempo…

O Bugre sofreu uma pane em campo, aos 09 minutos o União marcou o segundo gol e um minuto depois marcou o terceiro. Que coisa, mas ainda dava para tentar marcar mais um golzinho e assegurar a vaga. Que nada, completamente apático em campo, o Guarani viu Maricá cobrar uma falta aos 22 minutos e empatar a partida por 4×4, e restou ao Bugre segurar o jogo e por pouco não sofrer o quinto gol. Mesmo com este resultado ruim, a folga era grande, o Guarani só não poderia perder em casa, qualquer empate até o limite de três gols daria a vaga, e no jogo de volta na semana seguinte um horroroso empate por 0x0 no Brinco de Ouro cravou o Guarani na segunda fase da Copa do Brasil.

No Paulista a campanha já não seria mais a mesma, a equipe que iniciara a competição atropelando, passou a alternar derrotas (2) e empates (2), mas era preciso mais um capítulo negativo para que a “era Argel” se encerrasse.

Nos bastidores, com a promessa de uma “cobrança de penalidade” (o que depois saberia-se ter se tratado de um tremendo blefe, pois a negociação envolvendo o patrimônio do clube em troca de R$ 230 milhões, mais um estádio, clube e CT novos…), Leonel Martins de Oliveira, com cerca de 80% dos votos, venceria a eleição disputada com Horley Senna e ganhava um mandato de mais três anos que jamais seria completado por ele e seus pares. O grande trunfo usado durante a campanha foi finalmente a conclusão de negociações que já duravam mais de três anos. Segundo Leonel, mas das quais pouco sabia-se publicamente, pois tudo era tratado a portas fechadas, com a participação de poucos interessados e três pessoas, Leonel e seus vices Zezo dos Santos e Jurandir.

A diretoria do Guarani comandada por Leonel era formada pelo seu primeiro vice, Zezo; o vice financeiro, Jurandir Assis; o vice administrativo, Oduvaldo Luiz de Camargo; o vice comercial, Walter Caetano, o vice patrimonial, Luiz Ferrari, e o vice social Diamantino Mendes.

Voltando ao campo, com as eleições realizadas em uma terça-feira de muita chuva, na mesma noite o time entrou em campo e venceu o Palmeiras B por 2×0 no Brinco, chegando ao 2º lugar do Grupo. Esta partida havia sido adiada, e valia pela segunda rodada do segundo turno.

Foi em São Paulo, no campo do Nacional, que o vexame aconteceu. Na rodada seguinte o Bugre foi enfrentar o PAEC, adversário que já havia vencido no primeiro turno e sofreu um verdadeiro banho. Final de jogo, PAEC 5×0 Guarani e a última escalação de Argel Fuks comandando o Guarani teve Emerson; Thiago Maciel, Neto, Guilherme Mattis e Brida; Carlos, Ronaldo, Rodrigo Paulista (Luís Gustavo) e Márcio Guerreiro (Carlinhos); Marcos Dener e Flávio (Dairo). Após a partida, quando todos esperavam a entrevista coletiva de Argel, quem apareceu foi o presidente Leonel Martins de Oliveira, que além do péssimo jogo, da humilhante goleada sofrida e dos resultados que já não eram tão bons, justificou a saída do treinador que gostava de conversar com samambaias por outro motivo: “Ele vem comandar o Guarani vestindo camisa preta?”.

Após perder para o PAEC o Bugre cairia para a quarta colocação no seu grupo, ocupando exatamente a última vaga entre as equipes que se classificariam para disputar o acesso, e o escolhido para comandar a equipe na sequência foi outro ex-jogador. Quem chegava era Vilson Tadei, meia que até havia jogado pelo Bugre na década de 1980, já classificado e fazendo sua estreia na segunda fase da Série A2 (a classificação veio com a quarta colocação conquistada após o empate por 1×1 com o Barbarense, fora de casa, no dia 27 de março, um domingo pela manhã).

Antes, porém, mais uma decepção dentro de campo, pela Copa do Brasil. Depois do sufoco de ter cedido o empate por 4×4 e conquistado a vaga na segunda fase com um sofrível empate por 0x0 no Brinco, o Bugre enfrentaria o Horizonte-CE em duas partidas, tentando chegar à terceira fase, mas dentro de campo o favoritismo nunca se confirmou. Fora de casa um resultado que, pelo regulamento, poderia ser considerado bom, afinal o Bugre empatou por 1×1 e poderia até empatar por 0x0 no Brinco para avançar, desastrosamente empatou em casa por 2×2 e acabou eliminado por uma equipe completamente desconhecida no cenário futebolístico.

Ao menos o foco estaria voltado apenas à Série A2, pensava-se, e o Bugre estava no grupo ao lado de São José, Rio Preto e Comercial, e com quatro vitórias (São José 2×0 e 3×2 e Rio Preto 3×1 e 4×2, e dois empates, (Comercial 1×1 e 3×3) chegava à final da Série A 2 contra o XV, em Piracicaba. A festa do acesso já estava garantida, era uma partida de festa mas por quê não tentar comemorar um título?

Na final, um espetáculo nas arquibancadas, uma arbitragem desastrosa, um time jogando com um homem a menos, corajoso, guerreiro e que sofreu o segundo empate na partida apenas aos 31 minutos do segundo tempo, para a prorrogação e depois às penalidades. O marco ficou para todo o tempo de duração da prorrogação, quando de pé, todos os mais de 2 mil Bugrinos presentes ao Barão de Serra Negra cantaram sem parar, dando o fôlego e o empurrão que o time dentro de campo, por ter um homem a menos, não tinha mais. EMOCIONANTE e INESQUECÍVEL, porém o título não veio. O time que empatou por 2×2 no tempo normal, 0x0 na prorrogação e perdeu para o XV nas penalidades por 4×2 teve: Emerson; Neto, Aílson e Aislan; Chiquinho (Thiago Maciel), Carlos (Bruno Rangel), Dadá, Rodrigo Paulista e Carlinhos; Fabinho e Marcos Dener (Luís Gustavo). Técnico: Vilson Tadei.

Pronto, a Série A1 já era realidade. Agora era brigar pelo acesso na Série B do Brasileiro e voltar à elite, o lugar do Bugre no cenário do futebol brasileiro. Problema: entrevistado logo após o acesso, ainda em Piracicaba, as declarações de Leonel Martins de Oliveira acabaram com o resto de tolerância que ainda havia entre a Torcida e a diretoria. Em meio à festa do acesso, vendo a grande presença de público em Piracicaba e a força que todos criaram naquele momento, ele falou: “Agora nossa preocupação é não sermos rebaixados novamente no ano que vem, o Guarani já começa o Paulista como candidato ao rebaixamento”. Pronto, acabou!

E para piorar, a sina de uma boa campanha, seguida de outra ruim, voltaria a se fazer presente, e eu quero falar não de bola rolando, mas de toda a irresponsabilidade administrativa cometida durante todo o segundo semestre e 2011, quando o Bugre, comandado por Giba (falecido há pouco tempo), que depois de algumas rodadas ruins veio substituir Vilson Tadei, tendo no elenco HOMENS de verdade, e contando com tantos outros homens honrados como meu amigo Walter Grassmann, teve que superar um dos maiores calotes da história do futebol.

O Brasileiro da Série B começou em 21 de maio de 2011 e acabou em 26 de novembro do mesmo ano, portanto foram pouco mais de seis meses de competição, e pouco menos de sete meses incluindo os 15 dias entre a Série A2 e o início da Série B. Alguns jogadores foram mantidos do elenco anterior, outros foram recontratados, mas fora de campo o que se viu foi um verdadeiro absurdo, a Diretoria Executiva comandada por Leonel Martins de Oliveira deixou de pagar os salários de todos, atletas, comissão técnica, funcionários e prestadores de serviços do clube por sete meses seguidos, foram os meses de maio, junho, julho, agosto, setembro e outubro de 2011.

Resultado: funcionários desesperados, atletas desesperados, comissões técnicas desesperadas e o Bugre exposto na mídia com toda esta situação em todo o país. Atletas não tinham dinheiro para abastecerem seus carros, outros sofriam com apreensões de veículos e teve até casamento desfeito, isso falando do time profissional, porque a situação dos funcionários do clube era desesperadora, mas mesmo com todo este processo absurdo, muitos permaneceram, e permanecem até hoje, bravamente desempenhando suas funções;

Vez ou outra “pingava um vale”.

Jogadores ameaçavam greve, e o time via um rebaixamento bater à sua porta, mas alguém tinha que comandar este verdadeiro avião sem piloto chamado Guarani. Ao menos nos vestiários, o Clube teve piloto e co-piloto: Giba e Grassmann, que contaram com a ajuda de outros pilares do elenco, mas é preciso ressaltar o maior deles, o atacante Denilson, jogador que havia feito praticamente toda sua carreira no futebol do exterior e com isso vivia uma situação privilegiada em relação aos demais no aspecto financeiro.

Foi Denilson quem partiu em auxílio a alguns companheiros mais necessitados ajudando-os financeiramente a cumprirem pequenos compromissos diários, e dentro de campo o time conseguiria superar este momento, mas fora dele alguém teria que pagar, e ao menos no campo político, pagou, Leonel Martins de Oliveira tornou-se o primeiro e único presidente destituído da história agora centenária do Guarani Futebol Clube (Confira no link ao lado um pouco dos bastidores que antecederam e que marcaram a Assembleia Geral que votou pelo impeachment).

A Assembleia Geral de Sócios que destituiu Leonel Martins de Oliveira começou às 20:00 de segunda-feira 21 de novembro e só acabou por volta das 02:30 da madrugada de terça-feira 22 de novembro de 2011 e quem assumiria o Clube até a definição de uma nova Diretoria Executiva, que segundo o estatuto social seria eleita pelo Conselho Deliberativo era o empresário Antonio Sagula, presidente do Conselho.

Com o resultado da Assembleia Geral, Leonel que havia prometido aos atletas pagar algo em torno de R$600 mil como parte dos salários atrasados, ao deixar o Clube, deixou também um ambiente de incertezas, inseguranças e desespero para todos. Naquela semana o medo da Torcida era que o time não entrasse em campo na última partida da Série B, que aconteceria no dia 26 (domingo). Os R$ 600 mil nunca apareceram, acreditava-se que estivessem nas receitas do Clube, mas jamais foi localizado este valor. Até mesmo a quota da Federação Paulista de Futebol pela disputa da Série A1 já estava praticamente toda antecipada, e não havia como solicitar nenhuma nova antecipação de valores. O Clube dos 13, a grande muleta do Guarani nos últimos 12 anos, implodira, com a decisão de outros clubes em negociarem diretamente junto à Rede Globo suas quotas pelas transmissões dos jogos do Campeonato Brasileiro.

Durante a semana os jogadores convocaram uma entrevista coletiva e ali, todos juntos, ao lado da comissão técnica, anunciaram que decidiriam isso até o final da semana, mas que naquele dia não treinariam.

Uma campanha de arrecadação de recursos até foi iniciada, sócios foram convidados a pagarem as antecipações de suas anuidades sociais, sócios torcedores a anteciparem suas mensalidades, assim como proprietários de cadeiras vitalícias e camarotes. Um dos opositores a Leonel, Horley Senna, seguiu com outras campanhas de arrecadação, e a promessa era que todos os valores ali arrecadados seriam destinados ao pagamento de parte dos salários atrasados, entregue aos atletas e comissão técnica. Pouco se arrecadou, mas a mobilização serviu ao menos para resgatar parte da confiança do time, que finalmente tinha alguma satisfação sendo prestada e decidiu entrar em campo para enfrentar o Goiás.

O Bugre venceu a partida com gols do meia Felipe e do atacante Marcelo Macedo, e outro momento inesquecível foi a comemoração de todos, jogadores e torcedores, à beira do tobogã, após o apito final. Devemos e deveremos muito sempre a esses atletas, também devemos ao saudoso Giba e ao inesquecível Walter Grassmann que hoje trabalha no futebol do oriente. Este tipo de dívida não se paga com dinheiro, só com reconhecimento. O time que venceu o Goiás: Emerson; Bruno Peres, Gabriel, Lucas Fonseca e João Paulo; Dadá (Rodrigo Paulista), Lusmar, Leandro Carvalho e Felipe (Marcelo Macedo); Fabinho (Jefferson Luís) e Denílson. Muito obrigado a eles e aos demais atletas, são campeões sem troféu, e o Bugre terminou a Série B na 12ª colocação.

Indicado e apoiado por Leonel, Marcelo Mingone assume o Guarani

A reunião extraordinária do Conselho Deliberativo foi convocada por Antonio Sagula para o dia 29 de novembro, exatamente uma semana depois da confirmação da destituição de Leonel Martins de Oliveira. Nela, em uma articulação, Leonel, que esteve presente ao ato, indicou o nome de Marcelo Mingone, até então diretor de futebol amador do Guarani para sua sucessão, e conseguiu. O Conselho, todo ele montado a partir da Chapa inscrita por Leonel, aceitou em deliberação. O Guarani que tinha um novo presidente com mandato até abril de 2014, esperava também uma vida nova.

Ao lado de Mingone foram eleitos os demais integrantes da nova Diretoria Executiva: José Pedro Silva Neto, primeiro vice-presidente; Nelson Sampaio, vice financeiro; José Ricardo Lucarelli, vice administrativo; Francisco Cirillo, vice social; Marcelo Santos, vice patrimonial, e Aparecido Donizete, vice comercial.

O Paulistão de 2012, e que Paulistão!

O Guarani não tinha tempo para muita coisa, era preciso montar um novo time para disputar a Série A1 do Paulistão, afinal o acesso conquistado agora seria enfim disputado.

Uma catástrofe prevista… mas não foi nada disso! Depois de assumir o Clube prometendo dar andamento e acelerar a negociação comandada por Leonel e seus pares, Mingone mudou o discurso e abandonou qualquer mesa de negócio, ao menos nas entrevistas. O novo presidente anunciou que o Clube seria administrado com os recursos arrecadados em parcerias e patrocínios de camisa, e teria um grande aliado a seu favor, os elencos Sub-17 e Sub-20 inteiros para serem negociados.

Para a competição, a decisão foi a mais acertada possível, e o Bugre anunciou a volta da dupla Vadão e Gersinho. Além desta notícia quem estava de volta à Diretoria de Futebol era o empresário Claudio Fernandes (Corrente), que na sua última passagem comandou o futebol Bugrino no vice campeonato Paulista de 1988, e assim, no mês de dezembro de 2011 o Bugre começa a se preparar para a disputa do Paulistão, e que Paulistão!

Com uma campanha irretocável, o Bugre conseguiu terminar a primeira fase do Paulistão na quarta colocação, venceu o Palmeiras nas quartas de final e viveu um momento inesquecível ao vencer a semifinal da competição que foi marcada por um dérbi no Brinco de Ouro da Princesa. De virada, o placar final marcou 3×1 para o Bugre, no dia em que Medina escreveu seu nome na história do Clube e do clássico.

Na hora de fazer a festa, veio a tempestade. Por decisão em reunião na Federação, Marco Polo Del Nero, o presidente do Santos e Marcelo Mingone anunciaram que por acordo entre as partes, as duas partidas seriam disputadas no estádio do Morumbi. Uma vergonha!

Mas nem mesmo essa vergonha foi capaz de diminuir o orgulho dos mais de 20 mil Bugrinos que estiveram no estádio assistindo a primeira partida dessa final. Dentro de campo, nos dois jogos, o Bugre não conseguiu o título, perdeu a primeira partida por 3×0 e a segunda por 4×2, mas festejou muito a campanha e voltou para casa com mais um troféu, o de vice-campeão Paulista de 2012. As coisas estavam voltando ao seu devido lugar. Era só subir na Série B e pronto, estaríamos no nosso lugar de direito em 2013. Era só questão de tempo!

Vocês repararam que mesmo com todos os nossos problemas e dificuldades, muitas foram as vezes que estivemos perto disso entre 2009 e 2012? O Guarani, mesmo derrapando, com dificuldades de arrecadação, com todos os problemas trabalhistas, fiscais, tributários, cíveis, judiciais e políticos, viveu a expectativa de voltar à elite, tanto no Brasileiro quanto no Paulista, mas na hora de cravar o mastro, vinha mais um passo para trás.

Não foi diferente em 2012, quando depois de conquistar o vice campeonato Paulista o Bugre não poderia deixar de ter a atribuição novamente de favorito ao acesso na Série B. O próprio Guarani acreditou tanto nesse favoritismo que acabou se esquecendo de olhar para o retrovisor e não viu que estava sendo ultrapassado durante a competição por outros adversários, mas insistia em olhar para a frente. O raciocínio até estava correto, mas a prudência pedia cuidados.

Treinador mantido, time refeito, algumas saídas, outras chegadas, mas a base da equipe vice campeã estava mantida ao início da competição. O time da estreia na Série B de 2012 menos de uma semana depois da final do Paulistão, jogando e empatando por 1×1 com o Paraná fora de casa tinha: Juliano; Bruno Peres, Rodrigo Arroz, André Leone e Bruno Recife; Wilian Favoni (Rafael Araújo), Fábio Bahia, Danilo Sacramento e Medina (Clebinho); Fabinho e Ronaldo (Emílio). Técnico: Oswaldo Alvarez.

Ao contrário das campanhas milagrosas anteriores, as primeiras rodadas não foram amigas do Guarani, apenas na quarta rodada o time conseguiu sua primeira vitória. Nos três jogos anteriores foram dois empates (Paraná 1×1 e Boa-MG 0x0) e uma derrota (Joinvile 2×0), e assim, já pressionado, o time entrou em campo para enfrentar o Ceará no Brinco de Ouro ocupando a 16ª colocação, muito cedo, mas o Bugre já estava no limite da zona do rebaixamento.

Com problemas de saúde que culminariam em uma cirurgia cardíaca (além de um desentendimento camuflado com Mingone), Claudio Fernandes se desligava da Diretoria de Futebol e Roberto Constantino que era diretor adjunto assumia o cargo.

Enfim veio a vitória por 4×1 e como a competição ainda apenas começava, os três pontos trouxeram um salto de posições e o Bugre terminou a quarta rodada na nona colocação. Era hora de buscar regularidade para se fixar no pelotão de frente, missão que Vadão conhecia bem, mas a regularidade novamente não veio. Ao contrário, veio mais uma série de jogos sem vitória, quatro ao todo, com dois empates (Barueri 2×2 e ABC 1×1) e duas derrotas (Vitória 1×0 e América-RN 1×0), pronto, na metade do primeiro turno o Guarani estava na zona do rebaixamento, ocupando a 17ª colocação.

A Torcida não entendia porque o atacante Bruno Mendes, destaque do Paulista e principal revelação das categorias de base do Bugre na época, não jogava. O jogador era constantemente convocado para a Seleção Brasileira Sub-20, e entrava em campo, mas ao voltar para o Bugre nada de jogos. Simples, ele já estava negociado, mas precisava de um arranjo jurídico para poder ser transferido. Outra perda, o Guarani negociou o atacante Fabinho, ídolo da Torcida, com o Cruzeiro-MG.

Aliás esta negociação de Fabinho não envolvia dinheiro, ao menos foi o noticiado à época, mas o Bugre teria o direito de escolher atletas do elenco cruzeirense que não estivessem nos planos da equipe para reforçar seu grupo, e ai surgiu mais uma daquelas coisas inexplicáveis. Auxiliar Técnico de Vadão, Gersinho foi para Belo Horizonte garimpar estes atletas e voltou a Campinas exatamente na semana da partida contra o América-RN, viajando para Natal com a delegação, mas não trouxe consigo nenhum jogador.

Antes do início dessa partida a imprensa divulgou e a delegação confirmou, que Gersinho teria passado mal ainda no hotel, não seguiu para o estádio com a delegação e iniciaria tratamento assim que retornasse a Campinas. Esta foi a última partida da dupla Vadão/Gersinho. Estava desfeita uma parceria de trabalho que durava mais de duas décadas. Oficialmente Gersinho teria tido um ataque de síndrome do pânico, mas nos bastidores falava-se em esquema na negociação e contratação de jogadores. Melhor encerrar o assunto por aqui, até em respeito a toda sua história anterior dentro do clube do ex-jogador revelado nas categorias de base, integrante do elenco Campeão Brasileiro em 1978, e lembrando que esta série tem o único objetivo de encontrar nossos erros para tentar corrigi-los e retomar o caminho.

Aquele definitivamente não era o campeonato do Guarani. Muito instável, a equipe vencia uma partida e passava uma sequência de jogos sem voltar a vencer. Hora de olhar no espelho, programar as próximas rodadas e evitar o risco que ninguém queria correr, afinal, era melhor adiar o sonho de voltar à Série A por mais um ano do que ter que recomeçar tudo de novo jogando a Série C. Fora de campo, o ambiente no Bugre realmente era outro, parecia que as coisas, ao menos nos bastidores, haviam voltado aos bons tempos e não se ouvia mais falar em atraso de salários, pelo contrário, eles eram pagos antes dos vencimentos, no dia 1º de todo mês.

A que preço… claro, amparado por um bom trabalho de marketing e comercial na negociação de patrocinadores para a camisa e demais setores do Clube, mas amparado também na negociação precoce de todas as promessas das categorias de base do Guarani. O Clube já havia perdido o meia Leo Citadini, Bruno Mendes estava negociado, o atacante Douglas Tanque havia tido seu contrato rescindido e se transferido para o Corinthians, o meia Rafael Gava inexplicavelmente apareceu no Inter-RS, e para fechar, os poucos restantes como o volante Eduardo, o atacante Adelino e a maior promessa de todos eles, o meia Boschilia haviam sido negociados com o São Paulo. O presidente Marcelo Mingone tentou negar quando eu trouxe a informação, me chamou de mentiroso, entre outras coisas, aos microfones das emissoras de rádio locais, mas quem compra quer receber, e uma hora, mais cedo do que eu esperava, o São Paulo veio buscar seus jogadores. Eduardo foi por empréstimo com opção de compra fixada em R$ 1.2 milhão, os demais foram vendidos por aproximadamente R$ 600 mil (cada um? Não, os dois).

O Bugre ainda tinha mais um bom talento, era o lateral-esquerdo Murilo que estava envolvido nesta mesma negociação, mas este atleta não seguiu para o Morumbi. Permaneceu no Brinco, mas infelizmente conseguiria no ano seguinte romper seu contrato pelo atraso nos salários e encargos sociais. Uma pena, tinha futebol e futuro.

Voltando ao futebol, o Guarani se aproximava da reta final do Campeonato Brasileiro da Série B, a campanha era a mesma, uma vitória aqui, uma derrota e um empate acolá, mas o discurso da comissão técnica e diretoria não mudava, o Guarani lutava pelo acesso, mesmo com chances remotas. Ninguém admitia pensar em se manter na Série B, só em subir para a Série A.

Depois de duas goleadas seguidas na 30ª e 31ª rodada, Vadão não resistiu. O Bugre perdeu no Serra Dourada por 5×0 para o Goiás e em casa para o América-MG por 3×0, e já não dava mais para falar em acesso como 14º colocado. Agora era administrar o restante dos jogos e subir ficava para o ano seguinte.

Vilson Tadei foi escolhido para substituir Vadão, e assumiu a equipe na 32ª rodada, faltando apenas sete jogos para o fim da Série B e com uma pequena gordura em relação ao 17º, primeiro time na zona do rebaixamento. Assumiu a equipe na semana da partida contra o Atlético-PR fora de casa e voltou de lá com um empate por 1×1 (o gol Bugrino foi marcado pelo goleiro Emerson, cobrando falta). Restava ao Bugre nos seis jogos finais conquistar duas vitórias e pronto, matematicamente não caia mais.

Duas derrotas seguidas, uma para o Criciúma no Brinco por 2×1, outra fora de casa para o Guaratinguetá pelo mesmo placar, e a conta estava ficando apertada. Agora faltavam quatro jogos, e era preciso vencer dois. Na rodada seguinte todo mundo respirou aliviado, o Bugre venceu o ASA-AL no Brinco de Ouro por 2×1 (coincidentemente as duas equipes eram patrocinadas pela mesma empresa, a ASA Alumínio), abriu sete pontos de vantagem para o 17º colocado e parecia ter alcançado o objetivo de estar assegurado na próxima Série B, tanto que nessa semana o presidente negociou um dos seus principais jogadores, o zagueiro Neto. Titular absoluto, foi informado logo em seguida que teria que viajar para Santos, foi levado para a Vila Belmiro, passou por exames, e no dia seguinte teve o anúncio de sua contratação oficialmente feito. O presidente achava tão impossível perder uma vantagem de sete em nove pontos possíveis, que abriu mão do jogador? E Neto ficaria sem jogar no Santos até o início da Série A1 do Campeonato Paulista.

Acabou? Ainda não, essa mesma semana seria marcada por duas coisas, dentro de campo o Bugre perdeu na sexta-feira (09/11) para o Avaí fora de casa, mas o problema maior viria no dia seguinte:

No sábado (10/11), pela manhã, todos ficaram surpresos. Meu telefone tocou ás 06h da manhã com uma informação que eu me recusei a acreditar. Preferi esperar a confirmação oficial, e ela veio, Marcelo Mingone acabava de renunciar à presidência do Guarani. Argumentos de Mingone para a renúncia: Forte pressão política de oposição e a crença de que um grupo maior e com mais poder financeiro assumiria o Clube dali em diante.

Fato: Não havia mais jogador para negociar, a base não tinha mais promessas. Neto foi o último recurso e os cerca de R$ 600 mil recebidos pela sua venda seriam usados para pagar os salários que há poucos dias haviam vencido.

Com a saída de Marcelo Mingone quem assumiu o Clube interinamente foi o advogado Rodrigo Ferreira, então presidente do Conselho Deliberativo. Dinheiro em caixa? Não havia… Surpreendentemente, ao contrário do que se imaginava, havia sim salários não pagos, despesas não cobertas e o pior, o Guarani tinha dois jogos e precisava vencer um. A boa notícia, o último jogo contra o São Caetano seria no Brinco; a má, o São Caetano brigava pelo acesso.

Na rodada seguinte, em meio a todo este ambiente conturbado, com os jogadores querendo saber como e quando receberiam seus salários, com os funcionários do Clube desesperados, já imaginando que aquilo que acontecerá até 2011 voltaria a ser prática comum, O Bugre foi a Maceió enfrentar o CRB-AL e poderia ter escapado do rebaixamento naquela partida, a penúltima da competição. Medina abriu o placar para o Bugre em um jogo cheio de pressão de bastidores, pois as duas equipes corriam risco de queda. Era ali, estava acabando o calvário da Série B de 2012, mas o destino e o futebol guardam coisas que nenhum outro lugar do mundo vai trazer. Vocês se lembram de Denilson, o jogador que partiu em auxílio aos seus companheiros na campanha da Série B de 2011? Pois bem, Denilson estava no CRB, e o Bugre, que vencia a partida até os 39 minutos do segundo tempo, viu o mesmo Denilson empatar a partida.
O empate não servia, o Guarani não havia entrado na zona do rebaixamento, estava na 16ª posição, mas precisaria vencer a última partida em casa para não ter que depender de nenhum outro resultado, mas a situação piorou quando aos 46 minutos o CRB virou o placar com gol de Paulo Victor. Placar final, CRB 2×1 Guarani.

Assim o Bugre partiu para a última semana da Série B tendo o São Caetano e um único objetivo: Vencer, vencer ou vencer.

Os 9.608 pagantes assistiram atônitos ao gol marcado por Danielzinho aos 21 minutos abrindo o placar para o São Caetano e vibraram como nunca aos 28, quando Danilo Sacramento empatou o jogo. Mais um gol e o Bugre escapava. O São Caetano já sabia, pelo sistema de som do estádio, que não subiria mais, pelos critérios de desempate não chegaria à quarta colocação, mas aos 30 minutos do segundo tempo o mesmo Danielzinho marcou o segundo gol e o sistema de som então aliado, virou carrasco. Sem conseguir reagir, o Bugre perdeu, e a combinação de resultados agora o colocava na 18ª colocação. O Vice-Campeão Paulista estava de volta à Série C por volta das 18:00 do dia 24 de novembro de 2012. Era algo inacreditável e impensável, mas era real.

Não se esqueçam, o Bugre ainda estava sem presidente. Restava uma última saída: DESPOLITIZAR!

Nos bastidores, defendido por mim à época, surgiu um movimento de coalizão, uma frente contendo todas as correntes políticas existentes no Clube que assumiria sua gestão até o encerramento do mandato que ainda era o último de eleição de Leonel Martins de Oliveira iniciado em 2011. Várias reuniões aconteceram, participei de uma delas e lembro-me bem quando Rodrigo Ferreira, então presidente em exercido disse que o Clube precisava de R$ 7 milhões apenas para fechar o ano sem dever nada. Por mais que negue, foi eu mesmo quem fez a pergunta à pessoa que se tornaria o novo presidente: Álvaro, você tem bala na agulha para isso?

Recebi como resposta um aceno positivo com a cabeça, os demais presentes também ouviram (ou viram) a resposta.

E o processo de “coalizão” teve de tudo, menos despolitização. Um dos grupos, a ONG Garra Guarani, anunciou nos últimos dias que não participaria da articulação que traria a nova gestão. Restaram os outros três, o grupo ligado ao empresário Álvaro Negrão; o grupo chamado Mude Já, ligado aos advogados Horley Senna e Palmeron Mendes, e o grupo chamado Renova Guarani, que deixou claro prestar apoio aos novos gestores, mas não aceitar nenhum cargo na gestão.

Para que a aclamação da “coalizão” acontecesse era preciso ainda mais um detalhe, a prerrogativa de eleger a nova diretoria era do Conselho Deliberativo, ele somente poderia sair entre os integrantes do Órgão, como os integrantes da chapa ligados ao Grupo Mude Já não eram Conselheiros, era preciso que todo o Conselho renunciasse, para ai sim, um novo Conselho ser eleito e uma nova diretoria nascer a partir dele, e foi assim que aconteceu.

Assembleia Geral marcada para o dia 29 de novembro, expectativa para a confirmação dos nomes e principalmente dos cargos. Mais briga, mais discussão, Claudio Corrente e Amoroso que haviam se comprometido a assumirem respectivamente o futebol profissional e amador, anunciaram que se retiravam da composição. Com a imprensa toda aguardando, chegou uma informação desencontrada: não haverá acordo, não há nome de consenso entre todos os grupos para assumir a presidência.

Pouco depois, já passado o horário de abertura da Assembleia, todos saíram do Queijo, e estava decidido, Alvaro Negrão seria o presidente, Horley Senna o primeiro vice, e os demais cargos estavam divididos entre os dois grupos: Vice Financeiro, Gustavo Tavares; Vice Administrativo, Haroldo Elias Sobrinho; Vice Comercial, Éric Keller; Vice Patrimonial, Daniel Moraes, e Vice Social, Palmeron Mendes Filho. Detalhe, de toda a nova Diretoria Executiva, apenas o presidente não era advogado.

Terminou a Assembleia, os sócios aceitaram e empossaram ali a “Chapa de Coalizão”. Veio a eleição, então, entre os novos Conselheiros, para a presidência do Conselho Deliberativo, e se candidataram ao cargo os advogados Rodrigo Ferreira, presidente do Conselho que acabara de renunciar, e Paulo Souza, à época ligado à ONG Garra Guarani. Rodrigo Ferreira foi eleito, e o natural era que Paulo Souza fosse eleito como vice presidente, mas não houve interesse dele. Surgiu um único candidato para o cargo, Rogério Giardini, que foi eleito pelos Conselheiros recém-empossados. Quem sabe agora a coisa vai…

Não foi.

Eu não ouvi, eu vivi muito do que vem a seguir

Esta é a última parte desta série, a mais difícil de ser escrita e contada, e ela será contada muitas vezes em primeira pessoa. Não escrevi essa parte para agradar ou desagradar ninguém, a intenção é apenas relatar o que vi, vivi, senti e constatei, é uma visão pessoal onde não há a intenção de nomear culpados, há o compromisso de transparecer tudo o que aconteceu num passado tão, mas tão recente ainda, que muita gente tem muito a escrever, opinar ou contrariar o que aqui constará, mas isso foi o que eu vivi.

Infelizmente não havia dinheiro suficiente, a eleição trouxe uma realidade que quem vivia os bastidores Bugrinos já conhecia, mas o Torcedor comum, aquele que vive a paixão por seu time de futebol da forma mais ampla e inocente possível, indo aos jogos, comemorando as vitórias, chorando as derrotas e voltando para casa, jamais vai aceitá-la, porque ela é dolorida.

Eu ainda mantinha o Planeta Guarani nos primeiros meses da gestão. Claro, tinha muita proximidade e fácil acesso ao Brinco e ao Queijo. Conhecia os problemas no dia a dia e, claro, me surpreendia, pois eles eram muito maiores do que os que sabia existirem.

No meu entendimento três erros marcaram este período. Três erros e um problema grave que hoje sei que jamais será resolvido e extirpado do seio do Guarani. Os erros? Fácil apontar:

1) Faltou alguém que conhecesse futebol (a saída de Claudio Corrente e Amoroso enfraqueceu o grupo neste sentido).

2) Faltou trabalho na área comercial e no marketing. Não havia planejamento financeiro para pagamentos e captação de recursos através de investimentos. Parte dos R$ 7 milhões prometidos até viriam ser aportados no Guarani, mas viriam diluídos em forma de empréstimos. Isso, aliado à pequena arrecadação com as mensalidades sociais, eram as únicas fontes de receita, mas empréstimo não é receita, é dívida.

3) Faltou comunicação. E você pode me perguntar como é possível, diante de tantos problemas e erros cometidos durante este período, atribuir à falta de comunicação uma importância desta natureza, mas sim, ela teria essa importância no processo. Era preciso manter todos, sociedade, Torcida, empresariado, enfim, todos, a par do real momento e estágio vivido pelo Guarani, e isto não foi feito.

Pela falta de alguém que entendesse de futebol, eu me permito dizer que o Guarani passou duas temporadas (2013 e 2014) sem fazer futebol. Só andou para trás, nunca para a frente. Pela falta de atuação na área comercial (e este problema não é responsabilidade de nenhuma pessoa que tenha trabalhado no departamento), o Clube não conseguiu captar qualquer tipo de recurso substancial para a manutenção de suas despesas mínimas, recorrendo aos empréstimos.
Pela falta de comunicação, o Clube não transmitiu essa informação como ela deveria ter sido transmitida, virou refém daquilo que ora um dizia, ora outro dizia, sempre publicamente. Jamais houve qualquer tipo de linha de comunicação desenvolvida, e isto também não é algo relacionado a nenhum dos grandes profissionais que trabalharam neste departamento durante o período.

Esses foram os erros, qual foi o problema? Acho que você já sabe a resposta, mas lá vai: A POLÍTICA.

O Guarani começou a gestão de coalizão disputando a Série A1 do Paulistão, mas sem os recursos da quota de transmissão pagos pela Federação Paulista. A opção era tentar uma antecipação da quota de 2014, o que foi negado com o seguinte argumento: assim que o Clube não sofrer mais nenhum risco de rebaixamento, a antecipação da quota pode ser solicitada e será feita. Pronto, a Federação também já havia deixado seu recado.

No campo administrativo era impossível tocar aquilo da forma como estava. A folha salarial, entre futebol e todos os outros departamentos do Clube, ultrapassava R$ 1.5 milhão por mês, como fazer isso sem absolutamente nenhuma receita? A solução foi óbvia, mas necessária, mesmo sem pagar indenizações rescisórias, toda a Diretoria Executiva aceitou a necessidade de dispensar elenco e grande parte dos funcionários.

Houve erros, cortaram valores, não cortaram pessoas, alguns que queriam continuar foram dispensados, outros que talvez não quisessem mais prosseguir, e tinham toda a razão, pois vinham ainda acumulando meses de salários vencidos ainda da gestão Leonel Martins de Oliveira, continuaram. Entre atletas e funcionários, a partir desta decisão, o Guarani ficou com uma despesa mensal de aproximadamente R$ 650 mil. Ainda era muito, mas já era muito menos.

Sem dinheiro e recorrendo a empresários, não só para montar o time, mas para pagar taxas de inscrição e até despesas de hospedagem, além de viagens para jogos fora de casa, o que se viu no Guarani naquele Campeonato Paulista foi uma sucessão de erros. Um time remendado, um treinador que durou apenas três jogos e não resistiu a uma derrota num dérbi em casa, pedindo demissão. Mas, mesmo apresentando outros motivos, ficou claro que a saída era motivada por questões internas. Zé Teodoro e Isaías Tinoco não conseguiam falar a mesma língua.

Aquilo não era o Guarani, o que os torcedores viam em campo não era nada parecido com a história mais que centenária do Clube. A decisão de trazer o técnico Branco, visto à época também como uma jogada de marketing, foi mais um tiro no pé, e sepultou as chances de escapar do rebaixamento logo na quarta rodada.
Branco era um grande ex-jogador, mas não era, e nunca será, um treinador. Com ele o time colecionou 7 derrotas, 2 vitórias e 4 empates, Faltando três rodadas, com o time já virtualmente rebaixado, ele convocou a imprensa para uma coletiva e anunciou sua saída. Segundo Branco, saia para que o time pudesse reagir nas mãos de outra pessoa e não cair, mas era impossível. O rebaixamento estava consolidado e o foi na rodada seguinte com mais uma derrota. A última cena desta campanha foi o Brinco de Ouro interditado pelo Corpo de Bombeiros e tendo apenas uma área de arquibancada liberada para fechar a cortina no jogo contra o Barbarense na última rodada.

A liberação só foi possível graças ao trabalho voluntário de vários Torcedores que numeraram às pressas a área embaixo do tobogã. E isso, junto à instalação de corrimões nas escadas e troca de placas de sinalização, permitiu ao clube mandar um jogo em casa para uma capacidade total de cerca de 1.500 pessoas. Mas antes, pela Copa do Brasil, o Bugre acabara eliminado jogando em Limeira, ao vencer o Confiança-SE por 1×0, mas perdendo nas penalidades por 4×2.

Foi desse jeito que começou a gestão, com uma campanha vergonhosa, sem pagar salários a jogadores e funcionários por meses e pior, com o risco de não ter o estádio Brinco de Ouro para a campanha do Brasileiro da Série C que começaria pouco tempo depois.

Quando a Torcida entra em campo é assim…

Eu ainda não fazia parte da diretoria, colaborava sim, mas sem cargo e era preciso continuar com o trabalho de numeração das arquibancadas. Não havia outro caminho, era preciso contar com a ajuda de Torcedores para terminar o que começamos.

E assim foi, durante mais de um mês, graças a um grupo de pessoas às quais jamais vou conseguir agradecer e a quem o Guarani deve muito por isso, que concluímos a numeração de 24.995 lugares, as duas cabeceiras e o tobogã. Também conseguimos como alguns outros Torcedores a doação, em troca de publicidade no site oficial do Clube, para que o material usado na confecção de todos os demais corrimões necessários fosse possível, e assim, com o Departamento de Manutenção e o grupo de Torcedores trabalhando juntos, o Brinco foi liberado para a Série C e o Bugre pôde jogar em casa diante de sua Torcida.

Eu realmente jamais conseguirei agradecer a todos eles. O Clube nem tentou…

No olho do furacão

Neste momento talvez eu tenha cometido o maior erro da minha vida ligada ao Guarani, mas era preciso. Recebi o convite para assumir a Diretoria Geral. Ninguém nunca me perguntou por quê, mas eu respondo: De todas as gestões recentes do Guarani, aquela era, sem dúvida, a mais frágil de todas, e eu, justamente eu, que tanto havia defendido uma gestão de coalizão, não poderia me recusar a participar dela.

Sim, eu estava errado. Nunca houve coalizão, de um lado Álvaro tomava suas decisões, de outro Horley tentava rebatê-las sem sucesso. No meio disso tudo? Estava só o Guarani, nada mais.

E o Guarani começou a se ver envolvido por uma enorme briga de egos, algo digno dos tempos de Leonel e Beto Zini, mas sem os principais atributos dos dois. Trocas de e-mail se tornavam públicas, problemas eram “vazados” para a imprensa, decisões eram informadas sem nenhum planejamento, e o pior, não havia plano de arrecadação de recursos e receitas. Até conseguimos criar alguma receita vendendo os poucos camarotes que estavam disponíveis e algumas cadeiras vitalícias, mas era pouco, cerca de R$ 125 mil.

Pouco sim, mas suficiente para pequenas despesas como inscrições de jogadores para a Série C, algumas despesas mensais vencidas e alguns adiantamentos salariais. Voltamos à época do “de vez em quando pingava um vale”.

Mas e o futebol, Ortiz? Bom, com tanta coisa extra campo para relatar, o futebol está disponível no link à esquerda, basta clicar e relembrar como foi o Bugre na Série C de 2013, a “Era Pugliese”.

Dinheiro só com empréstimos; receita, só mesmo a arrecadação das mensalidades sociais e um ou outro acordo publicitário que, pela situação jurídica do Clube, era sempre de valor reduzido, mas fundamental para pagar salários. Geralmente a divisão era assim: O dinheiro obtido nos empréstimos ia para pagar os atletas, o das mensalidades sociais, sócios torcedores e acordos de patrocínio ou publicidade ia para o pagamento dos salários. Começamos a conseguir cumprir alguma coisa, finalmente, mas empréstimo não é receita, lembram-se? É endividamento.

Durou pouco tempo a minha “primeira passagem”. No dia da entrega do meu relatório mensal da Diretoria Geral, uma discussão com o vice presidente financeiro e pronto, eu pedia meu desligamento. Voltei pouco depois, com a promessa de apenas colaborar durante um período de ausência por viagem do presidente Álvaro Negrão, e ai veio mais problema. Depois de ter o estádio interditado e só liberado com a atuação do mutirão entre os Torcedores e o Clube, mais uma bomba cairia sobre o Brinco:

Fomos comunicados que a Vigilância Sanitária acabara de interditar o refeitório e a cozinha do Clube. O que fazer? Havia cerca de 450 refeições diárias que tinham que ser servidas a funcionários, colaboradores e atletas profissionais e amadores. A interdição foi justa, aquilo estava uma vergonha, eram mais de 18 meses desde a última limpeza, a estocagem de alimentos estava irregular, os equipamentos de refrigeração também. Enfim, não havia o que contestar, era trabalhar, arrumar, limpar e esperar pela liberação.

Enquanto o Departamento de Manutenção trabalhava arrumando o refeitório é importante dizer que absolutamente nenhuma das refeições necessárias deixou de ser servida, e depois de quase sessenta dias, entre muitas vistorias que sempre encontravam um motivo ou outro, e depois de conseguirmos doações de equipamentos como freezers, comprarmos mesas, trocarmos forrações de azulejos por placas de aço, enfim, depois de uma nova mobilização, o refeitório finalmente foi reaberto. Que alívio.

Eu fui ficando… passou o primeiro, o segundo, o terceiro mês e eu estava lá, à frente da gestão. As atribuições estatutárias do cargo de Diretor Geral faziam do cargo uma espécie de “auxiliar do vice social”, função esta que, depois da renuncia do vice administrativo Alberto Elias Sobrinho e a nomeação do então vice social Palmeron Mendes Filho na vaga, passou a ser exercida pelo Rubão, o Rubens Vicente Junior, que sempre esteve presente exercendo suas funções, mas a presença dos demais vices era pequena e foi preciso atuar em outras áreas como a administrativa, a financeira e a de patrimônio, por exemplo.
Não era uma missão fácil, afinal eu tinha a atribuição, mas não a autonomia necessária para tomar as decisões também necessárias. É como um médico ter o diagnóstico, receitar o tratamento, mas ter que esperar pela reunião de uma junta, ou de um clínico superior, para saber se o doente poderá ou não receber o remédio… e muitas vezes a resposta era não.

Enquanto dentro de campo o time que começou a Série C atropelando todo mundo, passou 11 rodadas sem perder, 10 delas sem sequer sofrer nenhum gol, e parecia caminhar tranquilamente para um acesso, começou a derrapar, fora de campo era aquilo, os salários dos atletas até vinham sendo pagos relativamente em dia, já os funcionários… alguns acumulavam cinco meses sem receber.

Parte destes problemas acabou sendo contornado com a negociação feita em juízo pelo jogador Eduardo, que se recusou a continuar seu vínculo com o Guarani a mando de seu empresário (adivinhem quem era), mas foi, por decisão judicial, impossibilitado de treinar ou jogar por qualquer outro clube de futebol durante 30 meses. Em acordo, o Banco BMG comprou a parte pertencente ao Guarani por R$ 400 mil, e Eduardo se transferiu para o Atlético Mineiro.

Mais um desentendimento e mais uma saída. Ao final do mês de setembro estava eu fora da diretoria novamente. Duraria pouco, eu voltaria cerca de duas semanas depois, já em meio a uma crise interna pois agora, além dos atrasos nos salários dos funcionários, também os jogadores estavam sem receber.

Sim, eu já havia sido comunicado a essa altura que em alguns meses haveria dinheiro para regularizar os salários. O Guarani havia tido parte do seu terreno às margens da Rodovia dos Bandeirantes desapropriada, mas era preciso manter sigilo. A concessionaria havia consignado o valor (pouco mais de R$ 2 milhões) e se não houvesse a solicitação de penhora, ele seria liberado. Você confere os detalhes desta polêmica situação no link ao lado.

A essa altura, a convivência entre Álvaro e Horley já não existia, estava chegando o momento do processo eleitoral que aconteceria em maço de 2014 e cada um deles seguia sua “campanha eleitoral”. Os vices haviam se afastado todos. Poucas vezes, apenas para assinar cheques e curtas passagens, aparecia alguém. A gestão infelizmente estava nas mãos de duas pessoas, o presidente e eu, mas só um evidentemente tinha poder de decisão, o presidente. No futebol duas pessoas atuavam, o presidente e o Diretor de Futebol Rogério Giardini, ninguém mais da diretoria opinava.

Outra bomba? Por decisão do Corpo de Bombeiros a Federação Paulista acabara de interditar o Brinco de Ouro e as exigências agora eram monstruosas, muito mais do que era possível fazer. A interdição aconteceu no dia 10 de dezembro, entre outras coisas, por falta de saídas de emergência, exigência de barreiras anti-esmagamento em todo o tobogã, uma espécie de parapeitos de fora a fora em toda a largura do espaço, instalação de portões com travas anti-pânico, e até sistema de dutos de água para evitar incêndio, era (e ainda é) tanta exigência, que ficava difícil até pensar em por onde começar.

2014, O Brinco de Ouro não foi a nossa casa

O Guarani iniciou uma interminável negociação com o Corpo de Bombeiros. Resultado: depois de passar um jogo em 2013 com estádio interditado pela Copa do Brasil e ter seu refeitório interditado no mesmo ano, agora era o estádio todo que não poderia ser aberto para o público. Ainda no final de 2013 veio a informação, o Brinco havia sido escolhido pela Seleção da Nigéria para treinamentos durante a Copa do Mundo de 2014 e passaria por grandes reformas no seu gramado, salas do departamento de futebol profissional e vestiários. Graças a uma ideia do amigo Fernando Pereira, conseguimos incluir também o salão social nesta reforma atribuindo ao local a função de sala de imprensa.

Onde jogar? A opção única na região era Paulínia, estádio com aparente boa estrutura. O de Jaguariúna não poderia ser utilizado, pois também passaria por obras no mesmo período, e todos os demais estádios exigiam pagamentos de locação (Limeirão, Décio Vitta, Mogi Mirim, entre outros). Mas havia um problema, o estádio de Paulínia precisava de obras, nada substanciais, mas obras básicas para poder receber uma liberação do Corpo de Bombeiro que já não acontecia fazia dois anos.

Vamos reformar… tintas cedidas pelo amigo Renato Pires foram utilizadas, nosso departamento de manutenção teve que ser todo deslocado para Paulínia, e assim foi por quase um mês. Pronto, estava chegando a hora de estrear em casa na Série A2, o estádio era acanhado, a capacidade pequena, cerca de cinco mil pessoas apenas, mas era o que tínhamos. Só que, faltando pouco mais de uma semana, uma tempestade devastou o local e boa parte da cidade de Paulínia. O estádio, que estava todo reformado, teve vestiários, muros de proteção e alambrados destruídos pelas águas. Por sorte surgiu Bragança Paulista. O presidente do Bragantino, ao saber pela imprensa do problema, ofereceu o Nabi Abi Chedid para o Bugre mandar seus jogos até que a situação de Paulínia fosse resolvida, mas ao contrário de Paulínia, Bragança era relativamente longe.

Com Márcio Fernandes comandando a equipe, o Bugre estreou fora de casa, a Lupo havia encerrado seu contrato de fornecimento de material esportivo e o Clube estrearia as camisas da Kappa em Rio claro, contra o velo Clube. Detalhe, camisas confeccionadas em prazo recorde de 20 dias.

Diante de uma grande presença de Bugrinos, dentro de campo veio o primeiro sinal de que as coisas não seriam fáceis. O Bugre perdeu para o Velo Clube por 3×1. Pronto, sem casa para jogar, sem dinheiro, e com um time que mostrava limitações logo no início. O time entrou em campo nesta partida com Douglas; Medina, Gustavo Bastos, Everton Luiz e Jefferson (Roninho); Ricardo Oliveira (Andrezinho), Eduardo Eré (Everton), Diego Souza e Fumagalli; Fabinho e Giba. Técnico: Márcio Fernandes.

Em Bragança o gramado era excelente, um verdadeiro tapete, a estrutura de vestiários ótima e o time se sentia confortável, mas isso não foi suficiente para vencer. Na primeira partida disputada como mandante o time não saiu de um empate por 0x0 com o Grêmio Osasco. A primeira vitória viria na rodada seguinte, fora de casa o Guarani venceu o São José por 2×1 e confirmou a reação ao vencer em Bragança Paulista o São Caetano por 2×0. Problema: Público dos dois jogos em Bragança: 528 e 737 (sendo 167 sócios torcedores não pagantes).

Neste momento chegava ao fim o trabalho da Comissão de Estudos para a Reforma do Estatuto Social do Guarani e era hora de apresentar à Assembleia Geral de Sócios o resultado da redação daquele que seria o novo Estatuto, que previa um Conselho proporcional entre as chapas inscritas. Resultado: mais uma briga política, de um lado um grupo defendendo a mudança imediata, de outro lado um grupo defendendo que o novo Estatuto Social, ou pelo menos sua vigência, fosse deixado para depois das próximas eleições. Isso transformou novamente o ambiente do Clube num verdadeiro inferno. Na véspera da data em que havia sido marcada a Assembleia Geral, uma liminar foi concedida a um associado e ela teve que ser cancelada, apesar dos esforços para tentar cassar a liminar logo nas primeiras horas da manhã daquele sábado, que não deram resultado.

A Assembleia Geral foi remarcada para o dia 21 de fevereiro e ai sim, com a aprovação da maioria dos sócios presentes, o Guarani passou a ter um novo Estatuto Social, com vigência imediata.

Na rodada seguinte, o Guarani faria outro jogo como mandante, mas sem a opção de Bragança Paulista pois o estádio receberia uma partida do Bragantino. A única opção foi mandar este jogo para Indaiatuba, cidade bem mais próxima a Campinas. O prejuízo nesta partida foi muito menor, o público foi maior que o dos anteriores, 1.411 pagantes estiveram no estádio, mas a estrutura do local não comportava um jogo do Guarani. O gramado era ruim, as arquibancadas e vestiários, piores ainda. O resultado conseguiu ser pior que tudo isso: Guarani 0x1 Marília.

Esta derrota para o Marília acabou trazendo uma grande pressão com protestos (justos) da Torcida na saída do estádio, mas trouxe uma reação da equipe que voltaria à briga por uma das vagas. Afinal, os quatro primeiros colocados subiriam direto, sem jogos extra, era turno único e pontos corridos. Foram seis jogos invictos, infelizmente com mais empates do que vitórias. Foram 04 empates (Monte Azul 0x0, Mirassol 1×1 e Itapirense 1×1)e 03 vitórias (Baruerí 2×0, Ferroviária 2×1 e Barbarense 2×0) até que finalmente aquilo que parecia ser uma boa notícia acontecesse: finalmente as novas reformas do estádio de Paulínia haviam acabado.

Mas mesmo quando as notícias eram boas, algo acontecia e a partida contra o RedBull seria marcada por uma quase tragédia vivida nas arquibancadas do estádio Luís Perissinotto. Algo que independeu das forças de quaisquer dos envolvidos na organização da partida, a Prefeitura de Paulínia, que através do Secretário Municipal de Esportes Marcos Bortolloti não mediu esforços para ter o Bugre em sua cidade, ou o Guarani Futebol Clube. No link você confere os detalhes daquele sábado fatídico.

Em campo, o Bugre abriu 2×0 no placar, um gol no primeiro tempo e um gol no início do segundo e, mesmo em meio a uma tremenda confusão causada pela superlotação do estádio, parecia que os três pontos viriam para recolocar a equipe no G4. Só parecia, na segunda etapa a equipe sofreu dois gols e cedeu o empate, ficando muito mais afastada da zona de classificação, mas ainda tendo seis jogos para disputar.

Infelizmente, para todos nós, o time depois daquela partida não seria mais o mesmo. A partir daí, os salários deixaram de ser pagos, e sem receber não era possível esperar que os jogadores conseguissem reagir nas rodadas que ainda restavam. Vieram os quatro jogos seguintes, onde o Guarani conheceu quatro derrotas consecutivas (Guaratinguetá 3×2 e Catanduvense 3×2, ambas “fora de casa”.

Paralelo a isso era preciso ainda fazer um trabalho muito árduo, difícil mesmo, para que o processo de auditoria independente obrigatório fosse conduzido da melhor maneira possível, afinal, se este trabalho resultasse em mais uma reprovação de contas (o Clube vinha de dois anos seguidos com suas contas reprovadas) do exercício de 2013, todos os pretensos candidatos à presidência do Conselho de Administração estariam automaticamente inelegíveis pela Lei Pelé.
Este trabalho foi comandado por Rogério Giardini, profissional da área. O Guarani deve a ele a correção dos rumos financeiros do Clube, a aprovação das contas, mesmo que com ressalvas, mas infelizmente para que isso fosse possível foi preciso consolidar absolutamente tudo, e após a reapresentação dos balanços de exercício de 2011 e 2012 que haviam sido reprovados e a apresentação do balanço de exercício de 2013, com parecer favorável, porem com ressalvas, o total da dívida do Clube estava ali, eram assustadores R$ 225 milhões.

Chegamos ao dia 25 de março, data escolhida para as eleições do Clube, primeiras sob o regime do novo Estatuto Social aprovado em 21 de fevereiro e que definiriam os novos integrantes do Conselho de Administração, Conselho Fiscal e Conselho Deliberativo. Depois de muita discussão nos bastidores, duas chapas concorriam ao Conselho de Administração, a chapa “Avante Guarani”, comandada por Álvaro Negrão, e a chapa “Mude Já”, comandada por Horley Senna, mas o resultado de aparente vitória acabou sendo configurado como de fato uma derrota. Uma terceira chapa foi inscrita para concorrer apenas ao Conselho Deliberativo e Conselho Fiscal.

Ao final da apuração de votos muito equilibrada, a chapa “Avante Guarani” conquistou o Conselho de Administração, mas viu a chapa concorrente, a “Mude Já”, fazer o maior número de Conselheiros Deliberativos e eleger a totalidade do Conselho Fiscal, ou seja, a Administração do Clube estava estabelecida, mas teria não só uma forte oposição, como também muita dificuldade para conseguir governabilidade, pois o novo Estatuto Social reforçara em muito os poderes dos dois outros Órgãos.

Foram eleitos para o Conselho de Administração Álvaro Negrão, Felipe Roselli, Gustavo Moura Tavares, Maria Cristina Orlando Siqueira, Adriano Hintze, Luiz Antonio Carreira Torres e Eric Keller Tavares de Camargo, mas poucos dias após a posse Eric Keller comunicaria sua renúncia ao Conselho de Administração. No Conselho Fiscal, o advogado Palmeron Mendes Filho foi eleito Presidente e no Conselho Deliberativo o também advogado Vicente de Paulo Bonaldi Souza foi eleito Presidente.

No dia seguinte à eleição, o Guarani voltou a campo e perdeu novamente, agora para o Santo André por 2×0 em Paulínia. A pressão sobre a nova gestão se tornava insuportável, mas ainda pioraria muito. Quatro dias depois voltou a campo em Paulínia para enfrentar o Capivariano e conheceu outra derrota, desta vez por 2×1.

Pela Copa do Brasil, mais melancolia. O adversário era o desconhecido Santa Rita-AL. O primeiro jogo seria fora e o segundo “em casa”. Na primeira partida, um empate por 0x0 que não era de todo ruim, pois trazia a decisão para Paulínia bastando uma vitória simples para a vaga na fase seguinte estar assegurada. Antes do jogo de volta restava ainda ao time entrar em campo pelo Paulista da Série A2, agora não mais pensando em subir, mas impensavelmente tendo que conseguir um resultado na penúltima rodada para escapar matematicamente de qualquer risco de rebaixamento.

Aqui, no dia 03 de abril eu deixo a Diretoria Geral do Guarani Futebol Clube. O novo Estatuto Social havia sido extinto, e no lugar foi criada a Superintendência Executiva, um cargo remunerado que o Conselho de Administração definiria de acordo com sua análise. Ainda volto, mas para uma curta passagem, no mês seguinte.

O Guarani foi a Batatais e saiu de campo com um placar de 0x0 sob muitos protestos por parte da torcida local que insinuava um “acordo” de bastidores. Mas polêmicas à parte, com este ponto o rebaixamento estava eliminado. Hora de vencer o Santa Rita e voltar o foco para a sequência da Copa do Brasil, não sem pensar também na formação do elenco que disputaria a Série C, ai sim, podendo brigar por um acesso.

Mas o que se viu na despedida de Márcio Fernandes do comando da equipe não foi nada disso. Dentro de campo o Bugre foi atropelado pelo time alagoano nos minutos iniciais e com dois gols, um aos 02 minutos, outro aos 07, mal viu o jogo começar e já estava perdendo por 2×0. Para seguir era preciso virar o placar, e os 457 pagantes nas arquibancadas de Paulínia viram Medina marcar, diminuindo o placar, mas apenas aos 36 minutos do segundo tempo. Final de jogo, derrota para o Santa Rita e eliminação na Copa do Brasil com a seguinte escalação: Juliano; Medina, Anderson, Wellyson e Jefferson (Tiago Cavalcanti); Eduardo Eré, Wellington Simião (Giba), Everton e Fumagalli; Fabinho e Fernando (Igor Eloy). O futebol realmente não andava, restava se despedir da Série A2 e tentar aprender com os erros cometidos até ali para poder finalmente na Série C fazer a lição de casa e buscar o acesso.

Na despedida, um time quase todo formado por jogadores das categorias de base e comandado interinamente por Carlinhos. O Guarani que perdeu para o Rio Branco em Paulínia teve Diego; Afonso (Marcinho), Anderson, Jorge Luiz e Léo Rigo; Wellyson, João Víttor, Lorran e Everton; Neto (Víctor Bandeira) e Giba (Víctor Romanini). De todos os que iniciaram a partida ou entraram no decorrer do jogo, apenas o zagueiro Jorge Luiz e o atacante Giba não eram pratas da casa. Deles, apenas Jorge Luiz terminou a partida em campo, e aquele time, mesmo perdendo o jogo, mostrou que ainda existia algum futuro, pois o Departamento Amador conseguia colocar quase um time inteiro em campo e enfrentar um jogo de igual para igual, perdendo por 3×2, mas mostrando bom futebol.

Aprendemos? Não, pelo contrário, cometemos os mesmos erros.

A primeira decisão foi anunciar a saída do diretor de futebol Rogério Giardini, sem trazer ninguém para o seu lugar. Se nos campeonatos anteriores havíamos errado ao trazer, primeiro, um time de jogadores de empresários para ser rebaixado na Série A1; recorremos à base do time da Caldense-MG para não conseguir o acesso na Série C, e novamente a empresários para montar o time que disputou a Série A2, o Guarani cometeu o mesmo erro: trouxe a base do Capivariano que havia acabado de ser campeão da Série A2 para disputar a Série C.

O técnico era o Bugrino e ex-jogador das categorias de base, Evaristo Piza. Seu pai, Julio de Toledo Piza, havia escrito uma linda história treinando equipes de base do Bugre por quase duas décadas, e Evaristo não merecia passar pelo que passaria. Do time praticamente inteiro formado na base e usado na despedida da Série A2, ninguém seria mantido, alguns treinariam com o elenco principal, mas nenhum deles seria opção para o time titular, poucas vezes ficariam entre as opções do banco e menos vezes ainda jogariam.

Com vários jogadores vindos do Capivariano e repetindo uma mescla das receitas usadas em todas as competições anteriores, o Bugre entrou em campo na sua estreia pela Série C contra o São Caetano no dia 27 de abril de 2014 e perdeu por 1×0 jogando com: Wânderson; Oliveira (Thiago Carpini), Jorge Luiz, Petterson e Pedro Henrique; Hélio, Wellington Simião (Joãozinho) e Samuel; Leleco (Ramos), Silas e Fabinho.

Na segunda rodada, o fantasma de não poder jogar no Brinco de Ouro permanecia e o Bugre agora havia firmado um acordo com a prefeitura de Americana, mandando seus jogos no estádio Décio Vitta. Era a única opção, e até mesmo em termos de presença de público, ao contrário de Bragança Paulista, traria um resultado muito melhor. Mas, logo na primeira partida como mandante, o Guarani sofreria um duro golpe e pagaria um preço caro quando após uma briga entre sua própria torcida, teria algumas rodadas depois que cumprir uma punição muito difícil: jogaria duas partidas com os portões fechados, uma delas em Bragança Paulista, outra em Americana.

Em campo nesta partida a equipe apenas empataria com o Madureira-RJ por 1×1. Saiu na frente logo aos 02 minutos com o gol marcado por Silas e sofreu o empate pouco depois, aos 18 minutos. Ao final da segunda rodada, outro fantasma já assombrava o Guarani: o Clube era o nono colocado num grupo de 10 clubes, ou seja, já convivia com o risco de rebaixamento.

No dia 06 de maio, três dias depois desta partida, voltei ao Guarani. O Clube passava por problemas documentais sérios, não podia movimentar sua conta corrente pois o novo Estatuto Social não havia sido registrado. Havia adequações necessárias para que o Cartório de Registros aceitasse seus termos, e além disso, pelo novo Estatuto Social, era necessária a presença de um Superintendente Executivo que seria também responsável pelos pagamentos e movimentações financeiras. Voltei agora como “funcionário” para viver os últimos dias de participação nesta história.

Finalmente haviam acabado as obras de reforma no gramado e nas acomodações do Brinco de Ouro. A Seleção da Nigéria chegaria para ocupar o local em poucos dias e os últimos preparativos eram necessários. Jogar em casa? Ainda impossível.

Ainda em Americana, finalmente veio a primeira vitória. Pela terceira rodada o Guarani enfrentaria o Macaé e venceria por 1×0, gol marcado pelo atacante Silas. Na rodada seguinte, um empate por 0x0 com o Juventude fora de casa e o Bugre encerrava a quarta rodada na sétima colocação. Pouco, mas suficiente para estar fora da zona do rebaixamento.

Em seguida, mais um daqueles resultados vexatórios, o Bugre entrou em campo em Americana para enfrentar o Guaratinguetá e foi atropelado. Perdeu a partida por 5×1 escalado com Wânderson; Samuel, Jorge Luiz, Tiago Bernardi e Pedro Henrique; Hélio (Renan Mota), Wellington Simião e Fumagalli; Leleco (Cassinho), Silas e Fabinho (Flávio).

Com uma pressão infernal contra a administração que havia recém começado, e principalmente contra os rumos do futebol profissional, assim o Bugre foi para o Rio de Janeiro fazer sua última partida antes da paralisação para a disputa da Copa do Mundo. Enfrentaria o Duque de Caxias, e só restava vencer para poder ter alguma tranquilidade nos 40 dias que a equipe ficaria treinando e esperando a volta dos jogos. Mais um problema, os salários dos jogadores e do departamento de futebol teriam o segundo vencimento nos próximos dias, e era preciso pagá-los, senão o rumo seria o já conhecido em todas as campanhas anteriores.

Mais um empréstimo, e com isso os salários dos atletas e comissão técnica foram depositados na sexta-feira (30/05). O time entrou em campo na segunda-feira (02/06) com os salários em dia, mas ainda assim, pela falta de credibilidade diante de tantos atrasos, teve jogador ameaçando não viajar com o grupo no sábado, pois por conta do prazo de trâmite bancário, o lançamento só seria feito em sua conta corrente na segunda-feira. Viajou e foi titular, os créditos foram todos confirmados na segunda.

Sim, a vitória veio por 2×0 com gols de Fumagalli e Leleco ainda no primeiro tempo. Foi a primeira fora de casa e o Guarani conseguia com este resultado apenas se manter na oitava colocação, a primeira fora da zona de rebaixamento para a Série D. O time teve Wânderson; Samuel, Tiago Bernardi, Jorge Luiz e Pedro Henrique (Bruno); Thiago Carpini, Wellington Simião e Fumagalli; Leleco (Cassinho), Silas e Fabinho (Oliveira).

Fora de campo, no dia seguinte ao jogo, um novo empréstimo, e com isso os salários dos meses de março e abril foram pagos aos funcionários do Clube. Erro: pagamos os funcionários, mas infelizmente não pagamos as comissões técnicas da base nem os poucos e pequenos salários dos jogadores profissionalizados. Isso seria coberto nos dias seguintes com a entrada de recursos de patrocinadores, mas não aconteceu. Restava pagar os salários do mês de maio tanto dos atletas quanto dos funcionários que venceriam na semana seguinte, portanto ainda estavam em dia.

Agora eram 40 dias de preparação para melhorar o time e na volta da Série C voltar à briga pelo acesso, mas as coisas não aconteceriam assim.

No Brinco, a Seleção da Nigéria já fazia seus treinamentos num Brinco de Ouro reformado em parte por torcedores voluntários, que complementaram as obras bancadas pelo Poder Público, deixando o Estádio com uma apresentação digna. No dia 13 de junho haveria um treinamento aberto à torcida, e depois de uma negociação entre Corpo de Bombeiros, Prefeitura e Guarani, conseguimos um AVCB provisório de sessenta dias para 4 mil pessoas e isso permitiria ao Bugre mandar ao menos os dois próximos jogos após a Copa em casa.
Neste dia, comuniquei meu desligamento ao Presidente e ao Conselho de Administração, já não havia mais ambiente para que o trabalho continuasse, mas não por pressões externas e sim por decisões erradas tomadas internamente. Sim, o novo Estatuto havia mudado a formula de gestão, mas a prática não, ainda era o Presidente, agora do Conselho de Administração, quem tomava as decisões, e elas eram, na maioria das vezes, apenas corroboradas pelos demais integrantes do Conselho de Administração.

Aqui cabe um apêndice (mais um). Amoroso havia assumido, ao lado de Roberto Constantino, a diretoria de futebol amador, mas a estrutura inexistia. Houve uma movimentação comandada basicamente por dois Torcedores, o incansável Fernando Pereira e a associada Sueli Santiago, que apresentaram patrocinadores que puderam viabilizar uma reforma nos alojamentos da equipe Sub-20. Este trabalho durou muitos dias, foi concluído no mês de julho, já um mês depois da minha saída do Clube, mas foi concluído graças à atuação destes dois e de outros Torcedores que dedicaram seus dias a ajudar, pintar, limpar, organizar e entregar tudo em condições de uso. Uma pena que no dia da limpeza final que deixaria o espaço pronto para ser utilizado, parte destes Torcedores foi barrada por questões políticas no portão de entrada do Brinco. Sim, eu cheguei pouco depois para ajuda-los naquele sábado de manhã, fui liberado para entrar, não sem antes ter sido barrado também, e mesmo sem querer saber, depois eu soube que a ordem era direta do presidente do Conselho de Administração.

Estas foram as únicas pessoas que, até aquele momento, enxergaram o obvio: Investir na base não é custo, é exatamente isso, investimento, porque só ela, a base, pode encurtar o caminho da recuperação tanto desportiva quanto financeira. Dinheiro para a base? Era lenda… jogos tinham suas despesas cobertas, muitas vezes, com recursos pessoais que seriam reembolsadas depois, as viagens e saídas para treinamentos só eram possíveis, num primeiro momento, graças à intervenção do Torcedor Renato Pires junto à empresa Novo Horizonte que cedia veículos para transporte, não só da base como do profissional e até mesmo para que os funcionários do Clube viajassem para Bragança Paulista e outras cidades onde o Bugre mandava seus jogos no Paulistão, isso durou pouco tempo, depois a base passou a ter que pagar novamente pelos ônibus, resultado: Mais dinheiro do bolso e posterior reembolso.

Na volta do Campeonato o Bugre foi a Mogi Mirim e voltou com um resultado que até pode ser considerado bom, empatou por 0x0 com o Mogi Mirim, líder do grupo, chegando à sétima posição. O time até encaixou uma série de invencibilidade, o problema é que foram três empates consecutivos.

Aqui chegamos, fora de campo, nos bastidores, a um momento decisivo para a sequência daquela gestão. Durante o mês de maio aconteceu uma Assembleia Geral de Associados, entre outros temas, fui notificado a prestar contas das exigências feitas pelo Corpo de Bombeiros para a liberação do estádio, mas o assunto mais relevante desta reunião era a apresentação das propostas ligadas ao projeto imobiliário. Havia chegado a hora de levar aos sócios aquilo que poderia ser a salvação do Clube, ou não, como entendiam alguns…

Nesta reunião me compadeci dos membros da Comissão Imobiliária que apenas puderam ler rapidamente as duas propostas então recebidas, uma do Grupo Sena, outra da Construtora PDG, ambas lidas sem que se desse muita atenção, já pelo desgaste dos debates anteriormente travados. Ali decidiu-se convocar uma série de novas Assembleias e reuniões que culminaram com a última delas acontecendo no início do mês de agosto quando uma Assembleia Geral foi convocada, para ela foram convocadas também a Comissão Imobiliária e a PRICE WatherhouseCoopers, tudo isso para que os sócios conhecessem as em detalhes as propostas oficiais que haviam sido oferecidas e ao final deliberassem sobre qual delas atendia aos interesses do Guarani, ou se nenhuma atendia.

A Assembleia foi tudo, menos tranquila. Discursos de lá, discursos de cá, expectativa, ansiedade, defesas acaloradas pela não aprovação, demonstrativos da necessidade de aprovação e o que aconteceu? Absolutamente nenhuma das três propostas apresentadas aos Sócios do Clube foi considerada boa, e a Assembleia foi encerrada, devolvendo as três propostas para novas negociações em busca de garantias, pois todas previam a demolição do estádio sem a construção de um novo.

Participaram fazendo suas propostas ao final três grupos: O Grupo Sena ofereceu R$ 400 milhões, a Construtora PDG também ofereceu R$ 400 milhões e o Grupo Magnum ofereceu uma proposta nos moldes da que foi aprovada posteriormente, eram 14% de VGV (Valor Geral de Venda) sobre o que fosse construído no espaço que hoje contém o Estádio e a sede social do Guarani Futebol Clube.

Apenas um comentário: Hoje, menos de oito meses depois, grande parte dos Bugrinos comemora uma proposta feita em juízo pelo mesmo Grupo Sena de R$ 220 milhões, ou seja, um valor R$ 180 milhões menor do que o oferecido no ano passado. Pior ainda, a Coletividade Bugrina viu seu patrimônio ser leiloado por pífios R$ 105 milhões.

Voltando a falar da bola, na rodada seguinte, o Guarani voltaria a jogar no Brinco de Ouro, chance rara para aqueles dias. O adversário era o Caxias-RS e com uma vitória o time poderia encostar no G4, mas não, diante de 3403 pagantes, frustrou sua Torcida. Até saiu na frente, mas cedeu o empate pouco depois e deixou o campo com apenas um dos três pontos desejados, perdendo mais uma colocação. O Bugre era apenas o oitavo.

Fora de casa o time encerraria o primeiro turno com mais um empate, agora com o Tupi-MG por 1×1, que seria comemorado se não fosse a situação do Clube que precisava vencer para ainda sonhar com o acesso. Restava jogar em casa contra o São Caetano, ai sim, vencer e mostrar que o segundo turno seria diferente, naquela que seria sua última partida no Brinco de Ouro, pois o AVCB provisório venceria nos próximos dias e sem conseguir fazer as obras necessárias, o Brinco não seria liberado pelo Corpo de Bombeiros, nem mesmo parcialmente.

Nesta rodada, a série de empates foi encerrada, mas não foi com uma vitória. Diante de 3452 pagantes no Brinco de Ouro, o Bugre perdeu para o São Caetano por 1×0. Detalhe, o São Caetano estava na zona de rebaixamento e durante a competição toda conseguiu apenas três vitórias, duas delas sobre o Guarani, ambas por 1×0. Resultado catastrófico que serviu apenas para manter o time na oitava colocação, cada vez mais distante do G4, cada vez mais perto do Z2, onde estariam os rebaixados para a Série D.

Após esta partida a crise estourou. Os salários dos jogadores não eram pagos desde o mês de maio e já estávamos no dia 10 de agosto, ou seja, três meses já haviam vencido e ninguém mais aguentava aquela situação. Pressionado pela Torcida, o técnico Evaristo Piza acabou revelando ainda nos vestiários que o Clube o havia pago com cheques que voltaram, alguns jogadores também haviam recebido com outros cheques devolvidos e pronto, não havia mais ambiente nem dentro, nem fora de campo.

Nas duas rodadas seguintes o Guarani saiu para dois jogos no Rio de Janeiro e voltou com dois resultados ruins, um empate por 0x0 com o Madureira e uma derrota para o Macaé por 1×0. Pronto, o time estava finalmente na zona do rebaixamento ocupando a nona colocação. A Torcida não aguentava mais, o elenco não aguentava mais, os funcionários, na sua maioria, não aguentavam mais, nem o treinador, tampouco o presidente do Conselho de Administração aguentavam mais.

Na semana que antecedeu esta partida Torcedores organizaram um protesto que ganhou as ruas e terminou em frente ao condomínio onde morava o então presidente do Conselho de Administração Álvaro Negrão, o pedido era sua saída. Após estes fatos ele pediu licença e viajou com a família para fora do país, e foi viajando que veio a decisão de demitir Evaristo Piza. Depois de um domingo tenso e de horas de reunião, o presidente em exercício, o empresário Felipe Roselli, anunciou a contratação de Vágner Benazzi, treinador conhecido pelo sucesso em tirar equipes do rebaixamento.

Sem Piza, e sem Benazzi que tinha que cumprir uma punição e estava proibido de comandar equipes em jogos oficiais, seu auxiliar, Darcy Marques, comandou o Guarani em Bragança Paulista. Mas finalmente havia chegado a hora de cumprir a punição de dois jogos com portões fechados e o Bugre voltou a Bragança Paulista para enfrentar o Juventude e finalmente voltar a vencer na Série C. Foi magrinho, o placar final marcou 1×0 com gol marcado por Silas, mas foi suficiente para o time deixar a zona do rebaixamento e voltar à oitava colocação. Esta partida aconteceu no dia 01 de setembro, uma segunda-feira à noite e este seria o último dia de gestão de Álvaro Negrão de Lima, Felipe Ramos Roselli, Maria Cristina Orlando Siqueira e Adriano Hintze, todos Conselheiros de Administração eleitos em março.

No dia seguinte, recebi um telefonema pela manhã, fui ao Brinco, e esta foi a antepenúltima vez que entrei no Queijo. Soube ali que haviam feito uma promessa aos jogadores e que haviam emitido cheques da conta corrente do Clube para quitar os salários atrasados, pois o prazo final para estes pagamentos era o final da tarde daquela terça-feira. Sai do Queijo por volta das 14:00, havia duas promessas de aporte financeiro que acabaram não sendo confirmadas, não eram novos empréstimos, uma delas era a negociação de parte dos direitos do prata da casa João Vitor, a outra era uma troca de cheques pré-datados (que graças a Deus acabou não se concretizando também, pois nenhum deles seria compensado depois).

Jogadores se recusaram a treinar, em vez disso se reuniram nos vestiários aguardando algo que jamais seria cumprido. Esperavam por um pagamento que não seria feito e a confirmação disso veio por telefone. Sim, eu estava na sala quando em um escritório de advocacia, Álvaro Negrão recebeu a última ligação negando o aporte dos recursos necessários.

Imediatamente ele pediu sua renúncia. Estavam na mesma reunião os outros três Conselheiros de Administração já citados e que seguiram a decisão do presidente. Comunicado por telefone, outro Conselheiro, Luiz Antonio Carreira Torres comunicou o grupo que não renunciaria, enquanto que Gustavo Tavares primeiro disse que queria ser incluído entre os renunciantes, o que era impossível pois não estava presente para assinar o documento. A decisão comunicada ali era que no dia seguinte ele compareceria ao Clube e também entregaria sua carta de renúncia, mas isso jamais aconteceu.

Por volta das 17h Álvaro Negrão ligou para Fumagalli, que estava com os cheques pré-datados entregues ao elenco em promessa de pagamento e o comunicou que estava renunciando à presidência do Conselho de Administração. O argumento: apenas com a renúncia seria possível fazer o time voltar a campo e no mínimo manter o Guarani na Série C do Campeonato Brasileiro. Não havia mais a possibilidade de novos empréstimos para garantir o pagamento dos salários e sem o trabalho que deveria ter sido feito para a captação de parceiros e patrocinadores, não haviam outras fontes de receita.

Pouco depois, em novo telefonema, Gustavo Tavares comunicou Álvaro Negrão e os demais que havia conseguido junto ao empresário Roberto Graziano a quantia de R$ 150 mil que serviria como um paliativo ao pagamento dos salários vencidos. Sim, Gustavo disse que não renunciaria, se reuniria naquela noite com ele e outros empresários, e pediu aos demais que não confirmassem a renúncia, mas não havia mais ambiente, nem tampouco tempo. A palavra dada aos atletas não havia sido cumprida, e outra palavra, a de renúncia, já havia sido comunicada, como não seria possível cumprir a primeira promessa, ao menos a segunda seria cumprida.

A carta de renúncia foi entregue ao responsável pela secretaria do Clube por volta das 19h e publicada no site oficial do Clube no mesmo instante, e aqui termina a série “Na Vitória ou na Derrota”. A partir daqui o Guarani conseguiu até brigar pelo acesso nas rodadas finais. Comandado por Benazzi em dois outros jogos empatou fora de casa com o Guaratinguetá por 0x0 e venceu o Duque de Caxias em Americana por 1×0. Após esta vitória ele anunciou que estava deixando o Clube para assumir a Portuguesa, e lá acabaria rebaixado à Série C naquela temporada e Marcelo Veiga assumia o comando da equipe para as três rodadas finais. Na estreia ele empatou por 3×3 com o Mogi Mirim (depois de estar perdendo por 3×0), venceu o Caxias-RS fora de casa por 1×0 e eliminou matematicamente qualquer risco de rebaixamento, ganhando como brinde a quinta colocação e a chance de até mesmo sonhar com a classificação no último jogo contra o Tupi-MG em Americana.

Era preciso vencer a partida e torcer por uma combinação de resultados. Resumindo, precisava vencer o Tupi-MG e que tanto Macaé quanto Madureira não vencessem seus confrontos, o Macaé precisava perder e o Madureira no máximo empatar. Não deu certo, o Bugre apenas empatou com o Tupi-MG por 1×1 em Americana, o Madureira venceu o Duque de Caxias e o Macaé empatou com o Juventude, ambos se classificaram para a segunda fase, e com os demais resultados da última rodada o Bugre caiu para a sétima colocação, mantendo-se na Série C para o ano de 2015.

Seria preciso muito trabalho de quem assumiria o Clube nos meses seguintes para que isto acontecesse, mas isto é uma história que não cabe aqui. Talvez seja contada brilhantemente por alguma outra pessoa no futuro, pois esta gestão e tudo o que nela acontece ainda está em andamento. Não é história, é presente.

Muito sucesso a todos e ao Guarani neste presente que vai marcar o futuro do Clube.

Conclusão?

Não cabe a mim, cabe a cada um de vocês que acompanhou toda esta série de textos. Os erros estão todos ai listados, e foram muitos. O maior deles? Até posso tentar apontar alguns:

O Guarani sentou-se sobre uma quota do Clube dos 13 e achou que isso seria suficiente para garantir seu futuro. Não foi, porque o Clube dos 13 acabou e o Guarani não tinha na sua estrutura a capacidade de encontrar um novo caminho. Pagou e paga por isso até hoje.

O segundo erro: o Guarani passou os últimos oito anos deste relato acreditando que uma negociação de seu patrimônio resolveria todos os seus problemas. Até esteve perto de concretizá-la, não concretizou por decisões políticas que o tempo dirá se foram certas ou erradas, mas por acreditar que isso aconteceria a qualquer momento, esqueceu-se de criar novas receitas, permitiu o aumento da sua dívida e acreditou que a qualquer momento ela seria paga com uma negociação que foi tratada entre 2007 e 2014 sem que ninguém conseguisse concretizá-la.

Sim, muita gente trabalhou seriamente neste projeto nos últimos anos. Muitos ainda seguem trabalhando nele, mas como eu disse antes e repito agora, se e quando isso acontecer deve ser tratado como um bônus, o algo a mais que definitivamente resolverá os problemas graves deste Clube, mas jamais deve ser tratado como o remédio para os problemas do dia a dia do Clube. E acreditem, durante todo o tempo em que estive na diretoria, esta foi a aposta para até mesmo pagar salários de funcionários e atletas.

Jamais se concretizou, resultado: salários não pagos, empréstimos confundidos com receitas, aumento das dívidas trabalhistas, tributárias, fiscais, cíveis e um Clube que já esteve entre os maiores do futebol brasileiro cada dia mais sucateado, desacreditado, mas amparado ainda por uma Torcida que o ama e apoia, ao menos na maior parte do tempo, e só por isso o mantém ativo.

Eu sempre pensei em escrever um livro, posso agora dar isso como feito, afinal, só esta parte deste texto tem 31 páginas, somadas aos apêndices históricos chegamos a 74 páginas, se acrescentadas todas as outras sete partes temos cerca de 210 páginas que tentam resumir os últimos 41 anos de história do nosso Bugre.

Espero que ao lerem isso seja possível encontrar os rumos, mas acima de tudo, que este documento encerre uma coisa responsável por tudo o que acontece e aconteceu ao Guarani: a política, o achismo, o “eu tenho razão”. Ninguém tem, todos juntos podem um dia ter, mas sozinho ninguém tem, nem nunca terá.

Termino deixando aqui um pedido pessoal de desculpas não à Torcida, porque pouco pude fazer naquilo que a interessa, a bola, mas aos funcionários e prestadores de serviços todos do Guarani Futebol Clube. Não consegui melhorar muito aquilo que eles viviam, esta certamente foi minha maior decepção deste pouco mais de um ano que vivi dentro do Bugre.

Marcos Ortiz