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Marcos Ortiz

Opinião: É DERBI, PORRA!

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João acordou cedo, 06:30 da manhã como todo dia e era hora de ir pro trabalho. Dormiu pouco, dormiu mal, na noite anterior assistiu o jogo do Bugrão até as 21:20 e passou por um carrossel  de emoções, viu  time começar muito bem dando sinais que ganharia o jogo em Goiânia, mas de repente , em duas bolas isoladas, viu o Atlético-GO fazer dois gols e praticamente decidir a partida.

Ele gritava com sua TV, não é possível! É, não temos defesa, pensou João e ai começou o segundo tempo e ele pouco se animou, mais um lance isolado, mais uma falha da defesa e pronto, 3×0 pros caras. Não é possível, gritou João, time isso, time aquilo, e ele ainda gritava quando o grito do narrador chamou sua atenção, Gooooooollllllllll, do Guarani!

Provocado pelo seu inconsciente o grito lhe escapou pela garganta, mas logo veio a realidade, tá 3×1 pros caras, mesmo assim vale a pena olhar pra TV com atenção maior. E olhando atentamente pra sua TV, discutindo com as imagens, esperando o replay prometido pela transmissão que dizia que o terceiro gol podia ter sido impedido, João gritou com toda a força que cabia no seu peito, gritou mais alto até que o narrador, Gooooooollllllll C@$@!&*!!!!

E agora, o que pensar?  Porra tá 3×2, vamos que dá! Não, não deu, o jogo acabou, a adrenalina não baixava e João não conseguia dormir. Na cabeça só vinha uma palavra, DERBI, DERBI, DERBI, DERBI, nem a TV ligada atoa num canal qualquer pra puxar o sono resolveu, o sono não vinha e quando cochilava João acordava com aquela palavra na cabeça: DERBI, DERBI, DERBI…

Lá pelas duas da manhã ele resolveu pensar, já que não dormia… o que fazer? João tinha duas opções, ou remoía a história da noite anterior, ou pensava no derbi. Claro, optou pela segunda e ai, Bugrino experiente como é, começou a lembrar de quando foi pela primeira vez a um derbi, foi no Brinco de Ouro, numa outra época, mas lá na “geralzinha” onde hoje fica o Sócio Campeão, abaixo do tobogã que na época nem existia que ele viu o menino Careca com 17 anos marcar dois gols e ali ele começou a aprender o que era derbi e o que era futebol.

Foi puxando pela memória, chegou a 1984 e viu o Neto marcar um gol de falta do meio da rua, tá certo que o goleiro deles ajudou pra caramba, mas ele fechava os olhos e via aquela imagem nitidamente na memória, Neto ainda faria mais um gol naquele jogo e de repente tudo parou. Na cabeça a imagem da torcida visitante invadindo o campo pela cabeceira do placar, briga, polícia e 2×0 pro Bugrão. Menino que era, tinha pouco mais de 10 anos, João, claro, ficou com medo, mas de repente o jogo recomeçou, sentiu um frio na barriga, no finalzinho 2×1, mas pouco tempo depois Chiquinho Carioca matou o jogo pro Bugre, Guarani 3×1 e o menino chorou pela primeira vez num campo de futebol.

As imagens não paravam de surgir na sua cabeça, derbi após derbi ele via Amoroso, Djalminha, Luizão, Rodrigão, gol de bicicleta do Edmilson, gol do Caíque no primeiro minuto de jogo, gol do Bruno Aguiar de cabeça, gol, gol, gol, e chegou aos dois gols do Medina na semifinal. Soltou um palavrão, acordou a mulher que assustada perguntou o que estava acontecendo, e João, com a única palavra que lhe vinha à cabeça respondeu à mulher: É DERBI, PORRA!!!

O sono finalmente chegou, parecia que finalmente ele tinha entendido a razão da sua ansiedade e quando o despertador tocou às 6:30 ele pulou da cama, correu pro banho, vestiu-se e, às sete, quando estava pra sair de casa, ligou pro chefe: “Chefe, vou atrasar um pouquinho”… Seu chefe não entendia, questionou e ele explicou: “É DERBI, chefe! Eu fui ao Brinco no sábado, hoje de manhã é o dia pra eu comprar meu ingresso pro derbi sem fila, abre as 09, lá pelas 09:30 tô chegando já”.

Esperava uma bronca enorme, mas ai ouviu do chefe que também é Bugrino uma historinha que já conhecia: “Rapaz, essa noite eu não dormi direito, acabou o jogo e eu fiquei pensando, pensando, pensando, e só pensava no derbi. Até briguei com a mulher de madrugada, ela não entende o que é um derbi. Me faz um favor, traz um ingresso pra mim também!

E lá se foi João, hoje não ia de ônibus, tirou o carro da garagem, seguiu pro Brinco e às 8:15 já estava lá, e não é que ele se enganou, já tinha fila… conseguiu ser o 15º e foi vendo gente chegar. A secretaria abriu, correu, pegou seu ingresso, pediu pra mocinha mais um e brincou com ela: “Se eu não levar esse eu tô demitido”. Claro que ela vendeu!

E quando ele dirigia pro trabalho só pensava naquilo, caramba, tá chegando o dia. Finalmente chegou, ao entrar na empresa o chefe de longe gritou: “Cadê o meu?” e ele nem respondeu, só tirou o ingresso do bolso e o chefe, rindo feito criança veio a seu encontro com um abraço: “Tamo junto!

O dia seguiu, chegou a hora do almoço e João não conseguia se concentrar em nada. Começou a pensar na defesa do Guarani: “Mas o ataque joga”, brigava ele consigo mesmo. Deu a hora, foi almoçar e o pensamento era esse, O DERBI.

Almoçando João finalmente encontrou uma solução pra sua ansiedade: Desistiu de pensar no jogo de ontem e começou a pensar no derbi. Seu chefe chegou, puxou conversa, estava aflito, preocupado, quando João o tranquilizou com uma frase curta: “Chefe, relaxa, é derbi, porra!

Os dois trocaram um sorriso daqueles carregados de tensão e começaram a conversar, lembrar de jogadas, lances de derbis passados, vitórias embriagantes, empates, uns justos, outros nem tanto e derrotas doloridas. Pronto, problema resolvido, João finalmente conseguiu voltar pro trabalho e o dia começou a fluir.

João é qualquer um de nós, seu chefe também. Agora vai ser assim, a gente vai ficar desse jeito, na cabeça a palavra é uma só: DERBI, DERBI, DERBI. Não adianta, daqui até o final do jogo vai ser assim, e faltam vários e intermináveis dias pro jogo começar. Com certeza quando começar faltarão inacabáveis mais de 90 minutos pra terminar, afinal, É DERBI, PORRA!

Esse jogo é diferente, o emocional fala mais alto, é preciso que cada jogador que entre em campo compreenda esse peso e a importância que ele tem pra cada um de nós. Nas arquibancadas, na TV, no radinho ou na internet cada Bugrino vivo estará atento, torcendo, sofrendo, e pra tudo isso ele precisa confiar naquilo que pode acontecer.

Nenhum de nós, nem o “João”, nem seu “chefe”, absolutamente nenhum de nós pode entrar em campo, dar um carrinho, correr e esticar a perna um centímetro a mais pra poder cortar uma jogada num carrinho, mas ao mesmo tempo nenhum de nós conseguirá marcar um gol no derbi, isso só vocês que estarão em campo poderão fazer, e quando fizerem, explodam!

A gente vai estar lá, todos os “Joãos”, todos os Bugrinos estarão, como já estão, ligados e focados numa coisa só: É DERBI, PORRA!

 

Marcos Ortiz

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