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Marcos Ortiz

OPINIÃO: Faltam pernas, fôlego, mas principalmente cabeça

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Em São Bernardo do Campo o Bugre nitidamente jogou por uma bola, mas isso não seria suficiente. Em igualdade no placar era clara a pretensão da equipe de tocar a bola, tentar se defender, e atacar quando desse, se desse.

E foi assim durante todo o primeiro tempo quando coube a Bruno Brígido evitar o placar negativo com duas participações. Ofensivamente nada produzimos.

Na segunda etapa não deu pra segurar, o jogo mal havia recomeçado e o São Bernardo abriu o placar. Sim, o Guarani falhou, individualmente, mas a falha envolve todo o time, então o Bugre falhou, e depois da falha se lançou para tentar empatar o jogo, ainda que sem qualidade nenhuma, e conseguiu finalmente atacar o adversário.

Teve chances? Claro que teve, mas num exercício de futurologia, um fato que jamais acontecerá pois perdemos o jogo, o que teria acontecido com o Guarani se aquela bola do Erik que parou na trave esquerda, entrasse? Seguiria no seu ritmo ofensivo, ou voltaria a jogar como no primeiro tempo todo quando o resultado era o empate?

Pouco depois veio o segundo gol. Havia tempo, mas não parecia haver bola, e de fato não havia. Não faltaram oportunidades, o Guarani teve bola na trave, bola parada raspando o travessão, finalização de volante que parou numa grande defesa do goleiro, bola cruzada na área sem ninguém posicionado pra empurrar e só no finalzinho conseguiu marcar com um dos seus volantes. O gol foi bonito? Sim, foi, mas pouca gente no estádio comemorou porque ai, o que sobrava no começo do jogo não existia mais, não havia mais tempo.

Se jogou por uma bola, o Guarani conseguiu o que pretendia… fez um gol. Mas jogar por uma bola é pouco, é preciso jogar bola, e o tempo todo. Se uma partida tem 90 minutos é preciso manter o mesmo padrão de jogo durante todo o tempo de jogo, não apenas quando estamos com o placar adverso, correr quando está perdendo é mais difícil do que quando está empatando, é jogar com pressão e isso traz desespero, erro, falha de posicionamento, inversão de papeis dentro de campo.

Qual é o objetivo? Se é o acesso é preciso jogar pelo acesso.

Esta crítica é prematura, dirão alguns, pois foram apenas três jogos, sendo dois fora de casa.

Esta crítica é cabida, dirão outros, pois já se foram 20% do campeonato que é de tiro muito curto.

Alias, digo eu, isso nem é crítica, é constatação, observação, análise, posicionamento.

De tudo o que vi nessas três partidas que assisti pessoalmente das arquibancadas, as principais constatações que posso fazer são simples: Função de lateral é primeiro marcar, pra depois apoiar, função de volante é marcar e, se possível, sair pro jogo, encostar no meia, se oferecer como elemento surpresa, e função de atacante até é dar o primeiro combate, mas principalmente é  atacar, se posicionar, estar onde a bola passará, ou encontrar espaços pra receber a bola. Falta o que?

Falta meia armador pra bola chegar ao ataque, falta meia armador pro volante poder encostar e aparecer como elemento surpresa, falta meia armador pra bola chegar pros laterais com qualidade, falta meia armador pra atacante receber a bola posicionado. Se ainda falta um pouco de perna e pulmão pra esse time pelo início de temporada, falta mais ainda um armador que poderia fazer o time correr menos, correr certo, se posicionar bem, ditar o ritmo, prender a bola quando necessário e municiar o ataque pra atacante fazer aquilo que deve fazer.

Se zagueiro tentar sair jogando, erra num momento temeroso, pois a bola estará no campo defensivo e o time estará se preparando pra sair pro ataque, se lateral tentar sair jogando e errar, acontecerá o que aconteceu em São Bernardo, se volante tentar armar o jogo teremos jogadores que se prepararam pra jogar prioritariamente no desarme das jogadas exercendo a função errada e, mais do que a falta de qualidade, o adversário que estiver com a bola passará obrigatoriamente pelo local onde ele deveria estar pronto pra desarmar, e se atacante vier buscar a bola pra fazer a armação da jogada vai lançar a bola pro local onde ele deveria estar pra receber, ou então demonstrará que não tem intimidade suficiente pra isso.

Falta uma cabeça ao time e, nesse momento, por mais tentador que seja pedir um matador, um jogador que tenha intimidade com as redes, eu prefiro pedir uma cabeça, um jogador capaz de criar matadores encontrando sempre a melhor opção de passe entre todos os outros que estiverem bem posicionados em campo. Claro, os dois juntos (matador e armador) podem ser o ideal, mas o matador sem o armador dificilmente trará o resultado necessário, já o armador, ainda que sem o matador, pode sempre encontrar o melhor jogador pra cada finalização de jogada.

A gente não pode se acostumar com “Inos”, “enses”, “ardos” e outros tantos vencendo o Guarani com tanta naturalidade. Agora é hora de fazer lição de casa, serão dois jogos seguidos no Brinco, primeiro o Água Santa já na sexta feira, depois o Bugre terá uma semana inteira pra se preparar pra segunda decisão como mandante, o Batatais.

Vamos ser objetivos? É simples, pra esse jogo de sexta não dá tempo, então vamos pensar em ganhar como der, já pro segundo dá tempo de preparar algo diferente, mas temos que reconhecer, se o Bugre não vencer as duas partidas terá finalizado o primeiro terço do campeonato com menos de 50% dos pontos disputados, e ai terá apenas 10 jogos pra tirar esse atraso, pouco demais.

Vencer em casa é obrigação, vencer fora de casa faz a obrigação ficar mais fácil.

A gente vai se falando, um grande abraço.

 

Marcos Ortiz

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