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Marcos Ortiz

Opinião: Guarani x Penapolense: Quanto vale o Show?

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Foto: Ari Ferreira/ GloboEsporte.com - Arte: Planeta Guarani.

Bom pessoal, primeiro não vou citar aqui nenhum número, vocês é que dirão o que vem pele frente neste domingo de manhã no Brincão de Ouro da Princesa. Desta vez é como um antigo programa de televisão onde o apresentador perguntava: “Quanto vale o show?”

Eu não vou pedir pra você chamar seu irmão, seu pai, seu filho, seu primo ou seu amigo Bugrino não, dessa vez a decisão é deles, porque Bugrino não precisa de chamamento, Bugrino se auto convida , se auto convoca, se auto coloca no jogo.

Mas a pergunta “quanto vale o show?” segue… quanto público vale um jogo do Guarani que pode garantir a vaga com duas rodadas de antecedência para as semifinais do campeonato onde serão definidos os dois times que subirão pra Série A1 de 2019? Quanto de público vale pra ver um time que vem de cinco jogos invictos, que chegou à liderança da competição e que pode até não mostrar um futebol encantador, mas mostra um jogo digno de uma equipe que veste nosso uniforme?

Quanto vale? É você quem vai dizer, mas não é pra mim, é pra você mesmo… vale a pena ou não vale a pena?

Faz tempo que não faço isso, então hoje vou falar um pouco do menino Marcos que nasceu pobre e continua pobre, mas muito menos pobre do que era quando criança e adolescente. Eu nasci no Flamboyant, mais precisamente no “Fura-Zóio”, um cantinho pequeno do bairro onde a gente dividia o pouco que tinha brincando com os amigos, inventando brinquedo e brincadeira, e sempre procurando um jeito de comprar uma bolinha pra jogar… quem tinha um “Kichute” era abastado, eu só consegui o meu quando já tinha uns 10 anos…

Na infância a gente ia pro jogo em família, meu pai trabalhava em uma empresa de construção civil e todo final de semana vinha pra casa com a Kombi da firma, esse era nosso meio de transporte pros jogos do Guarani, e toda semana a gente tava lá, levando os vizinhos, os amigos, os parentes, quem quisesse ir… chegamos a andar em mais de 20 pessoas dentro daquela Kombi que hoje carregaria no máximo 12 sem levar uma multa de trânsito, mas a gente tava lá, e sempre tinha o “Seu Milton”, que a gente conhecia por “Chacrinha”, tinha o André, filho dele, tinha os sacos de papel picado que ele levava pros jogos e essa criança aqui acordava ansioso porque sabia que tinha jogo do Guarani.

Depois veio a separação dos meus pais, minha mãe e eu que já vivíamos com pouco, passamos a viver com menos ainda. Eu já estava um pouco maior, já tinha 11 anos e ai já dava pra ir sozinho pro jogo, mas como? De ônibus? Que nada… busão era coisa difícil pra gente naquela época, o negocio era ir a pé mesmo, e assim, cortando o Flamboyant, chegando ao Jd Paraíso, atravessando a avenida, passando pela Igreja Santa Rita de Cassia, vendo um monte de carrão e um monte de Bugrino indo a pé pro jogo, eu chegava ate a Moraes Salles. Ufa, tava ofegante, mas não era de cansaço, era de vontade de chegar logo, e lá ia eu rumo ao tobogã que era novinho, novinho.

Dinheiro pro ingresso? Haha, não tinha não. Tinha o “Tio Paulo” que trabalhava na minha escola como inspetor e fazia bico nas catracas nos jogos do Guarani. Que vergonha que nada, era procurar o Tio Paulo e ele já entendia, fingia que não via e eu passava ali, por baixo da catraca com o coração explodindo de alegria porque o tobogã tava logo ali, era só subir os degraus.

É, de vez em quando o Tio Paulo não tava lá… não dava pra passar por baixo. Não faz mal, sempre tinha um que levava um radinho e a gente ficava lá fora, só tinha que descer pro portão da cabeceira pra ouvir o jogo e esperar… esperar o que? Fácil, tinha a “Chepa”… quando o jogo chegava aos 15 minutos do segundo tempo os portões eram abertos e quem tava lá fora podia entrar e assistir a última meia hora. Nossa, quantas vezes passei correndo pelo portão e subi voando a escada da cabeceira, caramba, ainda tinha meia hora de jogo e assim eu vi muitos grandes jogos do Bugre e muitos grandes jogadores vestindo a nossa camisa.

Tenho que fazer justiça, quando minha mãe tinha dinheiro ela me levava pro jogo e dava até pra comer uma pipoca, e foi assim até os 13 anos quando eu arrumei meu primeiro trabalho, empurrar carrinho e compra no antigo Supermercado Eldorado. Não tinha salário, a gente tinha que chegar lá às 5 da manhã pra conseguir um carrinho e passava lá o dia inteiro nos caixas empacotando compras, colocando no carrinho e empurrando o carrinho até onde a pessoa quisesse. A maioria dava uma gorjetinha, alguns não davam não, mas com isso eu já tinha dinheiro pro busão, pros ingressos e até pra comprar uma camisa de varal na porta do Brinco de vez em quando.

Hoje graças a Deus tenho o prazer e o privilégio de poder assistir todos os jogos no Brinco e confesso uma coisa, o coração ainda bate do mesmo jeito quando falta só subir as escadas e sair ali, na arquibancada, vendo o gramado, os jogadores aquecendo, a criançada parada na boca do túnel esperando pra entrar de mãos dadas… putz, quantas vezes aquela criança queria poder fazer isso, mas isso não era minha realidade, nunca pude, nunca consegui.

Chega né? Já fui longe demais com coisas velhas de tempos antigos. Vamos falar de domingo?

Ah, domingo eu vou estar lá mais uma vez, e mais uma vez vão me ver filmando, fotografando, alguns me cumprimentarão felizes e me darão abraços, outros (poucos, graças a Deus) falarão mal de mim, mas acreditem, o coração vai estar do mesmo jeito, batendo forte, fechando os olhos eu sempre me lembro disso tudo que tô aqui contando pra vocês e quando o juiz apita é sempre a mesma coisa.

Hoje, como tô sempre filmando e não faço barulho enquanto filmo, não grito mais, canto as músicas da Torcida na cabeça, de boca fechada. Canto o hino mentalmente muitas vezes durante os jogos e quando sai gol só posso sorrir porque tenho que tentar filmar firme e forte pra não tremer a imagem e mais gente poder ver o lance, mas acreditem, eu ainda sou aquele menino, hoje com 46 anos, cabelo branco, barriga grande, peito cansado pelo cigarro (eu sei, eu sei, preciso parar), mas um coração que bate muito forte quando o assunto é Guarani.

É, domingo eu estarei lá outra vez, e nem sei quantas vezes fiz isso até hoje na minha vida, mas enquanto Deus me permitir, é o único lugar onde eu sempre quero estar, na arquibancada assistindo jogo do Bugrão.

Quanto público vale o jogo que pode levar o Bugre à semifinal do Campeonato Paulista da Série A2? A resposta é de vocês, pra quem for, a gente se vê lá!

Abração

 

Marcos Ortiz

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