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Marcos Ortiz

Opinião: Não é só um jogo, é dérbi!

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Foto original: Marcos Ríboli (Globo Esporte).

Tá chegando a hora! Ao escrever faltam dois dias, quando você ler pode faltar menos ainda, mas a hora tá chegando e não dá pra disfarçar a ansiedade, o dérbi finalmente chegou!!!

Ganhar é importante demais, jogador do Guarani que vence um dérbi se coloca no ponto mais alto da pirâmide do clássico municipal, recebe todas as reverências dos seus Torcedores e ganha um status que é importante demais para a sequência da carreira. O contraponto também acontece, quem perde dérbi, por mais que se destaque depois, terá sempre a mácula da derrota no jogo mais esperado pela torcida, a vitória traz assédio, a derrota, um doloroso desprezo.

Qual o lado escolher depende apenas de quem entra em campo porque dérbi vai muito além de saber ou não jogar bola, passa obrigatoriamente por querer ganhar, mesmo que com futebol limitado. Um gol de canela traz o mesmo resultado que um gol de bicicleta, e num dérbi um carrinho também vale gol quando evita uma jogada do adversário.

Dérbi é jogo de pilha, é jogo nervoso, mas que, mesmo com todo nervosismo natural da partida, não permite nem admite erros, não dá tempo de respirar, é hora de lidar com a emoção dentro de campo e ainda assim conseguir colocar na pratica tudo aquilo que foi treinado, seu posicionamento não pode estar dois milímetros fora daquele que foi praticado incansavelmente durante todos os dias de preparação.

Torcedor Bugrino em dérbi quer ver seu jogador dar mais do que tem, quer ver vontade, quer ver coragem e gana nos olhos, mesmo que os olhos do jogador estejam longe das arquibancadas  o Torcedor Bugrino consegue ver ali, de longe, a expressão do jogador.

Há pouco tempo, no jogo do Guarani contra o Luverdense pela Série B do ano passado, tive o prazer de assistir a partida ao lado do Medina e, mesmo já tendo conversado muito com ele sobre tanta coisa, tinha uma pergunta que sempre quis fazer, não pensei, fiz: – Medina, o que você sentiu quando o Fuma se machucou e o Vadão te chamou pra entrar?

E ele respondeu sem pensar, as palavras não foram exatamente essas, mas o sentido, foi: – Cara eu queria muito jogar, mas na hora eu pensei, caramba, eu vou entrar no lugar do Fumagalli, se der tudo errado vai cair nas minhas costas.

Não me aprofundei no assunto, mas quando cheguei em casa fiquei pensando naquilo e vi que ele tinha razão. O Bugre tinha vindo de duas grandes vitórias sobre o Palmeiras e o cara, o craque do time naquele Paulistão era ele, Fumagalli, e de repente você tem que entrar no lugar desse cara e mais, pouco tempo depois de entrar o time toma um gol e vai pro vestiário com o placar de 1×0 nas costas.

Sim, hoje a gente sabe um pouco do que aconteceu ali nos vestiários, de repente o Fabinho soltou a frase – quem quiser ganhar o jogo sobe comigo, quem não quiser pode ficar por aqui mesmo. E todo mundo subiu! Lá dos vestiários eles ouviam a Torcida Bugrina que estava enlouquecida nas arquibancadas naquele intervalo de jogo, teve sinalizador, teve descida do Bandeirão, enfim, durante todos os 15 minutos do intervalo nenhum Bugrino parou de cantar, e quando o time subiu o último degrau pra entrar em campo recebeu aquele calor, aquela confiança, aquela garra, aquele algo mais que faltava.

Ai a gente viu Danilo Sacramento participar dos três gols, a gente viu Fabinho alucinado em campo, a gente viu Fábio Bahia marcar o gol de empate, o Brinco explodir e o time crescer ainda mais, até que a bola, num rápido contra ataque, cruzada pelo Sacramento foi parar lá, nos pés do Medina. Sim, ele mesmo, o menino (sim, menino, Medina tinha 21 anos, faria 22 10 dias depois do jogo) e ele, vestido no melhor espírito do dérbi, não deu chance, fez aquilo que se esperava dele, meteu a bola no cantinho, sem chance de defesa e saiu correndo.

Incrédulo? Não, embriagado é o melhor termo! O menino saiu embriagado com o delicioso gosto do sucesso no corpo todo, o Bugre tinha virado o jogo e poderia ter simplesmente administrado o resultado que já o levaria para a final, mas não foi nada disso, o time cresceu ainda mais, passou a criar oportunidades seguidas, deu um verdadeiro calor nos caras e a Torcida Bugrina cresceu junto e quando a missão já parecia cumprida outra vez Danilo Sacramento cruza a bola, dessa vez no alto, e do alto dos seus 1,71 metros de altura ele parecia um gigante, subiu mais que a zaga e cabeceou com raiva, com determinação, com todo aquele peso de substituir Fumagalli e ter que fazer a Torcida cantar de alegria.

40 minutos do segundo tempo, Medina fez Guarani 3×1, de virada, num Brinco de Ouro absolutamente enlouquecido, parecia jogo de torcida única, parecia não, era, só tinha uma Torcida ali, era a nossa, o resto assistia o jogo e torcida pra acabar logo.

Dois jogadores que estarão em campo já jogaram dérbis e estarão do nosso lado. Baraka (infelizmente na pior fase da sua carreira jogando pelo rival) e Bruno Mendes que, mesmo ainda garoto, era o garoto de 17 anos daquele time de 2012 e viveu tudo aquilo de dentro do campo. A missão desses dois jogadores é simples, um terá que contar o como viveu o dérbi do outro lado (Baraka esteve em campo no último dérbi), e Bruno Mendes (esteve em campo no dérbi do século) pelo Guarani. Ambos ganharam dérbis.

Meninos? Jovens? Podem sentir o peso do jogo? Nada disso, caberiam tantos outros exemplos como os de Careca, Amoroso, Luizão e outros jogadores jovens que vestiram a camisa Bugrina em dérbis e escreveram seus nomes na história desse confronto ainda quase sem barba no rosto.

Agora é com vocês, tudo o que a gente puder fazer, a gente vai fazer, mas tudo o que a gente fizer de lá das arquibancadas vai depender exclusivamente daquilo que vocês fizerem lá dentro do campo. Façam o Brinco de Ouro explodir, façam a Torcida Bugrina chorar de alegria, tragam de presente a vitória neste dérbi que é especial e pelo qual a gente passou cinco longos anos lutando muito pra voltar a jogar.

Agora é com vocês, a gente só pode torcer, mas vocês podem fazer! Não pensem, façam! Vão, vejam e conquistem, vocês já nos deram um título, agora nos deem um dérbi. Por tudo o que a gente passou, a gente merece!

Respira Bugrino! Guarda fôlego porque sábado você vai precisar, será o dérbi 191 e cada um deles teve uma história diferente do outro, a gente só quer que o final seja o da maioria desses jogos, uma vitória Bugrina!

Até sábado à tarde, no Brinco! O dérbi já começou, e depende de todos nós pra acabar bem, vamos ao dérbi!

 

Marcos Ortiz

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