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Sete anos para tirar da historia.
Ah se não fosse por isso... Em 1999, com problemas de saude e com um forte desgaste pessoal, o ex-presidente Bugrino Luiz Roberto Zini, que naquela época sofria forte pressão da torcida em razão dos maus resultados da campanha anterior e com uma divida estimada em R$ 8.000.000,00, renunciou ao seu cargo. Em seu lugar no primeiro momento foi estabelecido um grupo de gestores que administrou o Guarani por poucos dias até que o novo presidente fosse eleito e assumisse o comando do Bugre a partir de então. Surgiu em consenso o nome de José Luiz Lourencetti, ex
diretor da Singer do Brasil, antiga patrocinadora oficial das camisas do
Guarani e naquela época empresário ligado ao setor de combustíveis, que passou
a ser então o novo presidente do Guarani Futebol Clube.
Alegria na torcida Bugrina que via finalmente uma possibilidade de crescimento e sonhava com o retorno do Guarani ao seu lugar de destaque nas competições que disputava. Logo no primeiro ano o time chega a um play off contra o
Corinthians pelo Campeonato Brasileiro e termina a competição na 8ª colocação,
sendo eliminado pelo time da capital naquela que seria a melhor campanha desta
gestão.
Chega o ano 2000 e o Guarani começa a demonstrar seus problemas de uma maneira mais aguda, iniciando seu “namoro” com a zona de rebaixamento das competições, que se transformaria mais adiante em casamento, mesmo que sempre amparado por decisões de bastidores favorecendo nosso Bugre. As campanhas levaram o Guarani a estas posições: Ano 2000 – 17º no Brasileiro e 7º no Paulista. Ano 2001 - 19º no Brasileiro e 15º no Paulista (rebaixado). Ano 2002 – 16º no Brasileiro e novamente rebaixado no extinto Torneio Rio São Paulo. Ano 2003 – 13º no Brasileiro e 6º no Paulista. Ano 2004 – 22º no Brasileiro (rebaixado) e 17º no Paulista. Ano 2005 – 7º no Brasileiro da Série B e 12º no Paulista. Finalmente chegamos ao ano de 2006, com o Guarani encerrando
o Campeonato Paulista na 17ª posição e novamente rebaixado, desta vez condenado
a cumprir sua sina de disputar a Série A2 desta competição.
Muita coisa foi vista e foi divulgada sobre esta gestão e para evitar que isto caia no esquecimento, vamos fazer um breve relato das informações divulgadas à época. Foi nesta gestão que o Guarani conseguiu se tornar membro do
Clube dos 13 e passou a ter direito a maiores valores nas cotas de transmissão
do Campeonato Brasileiro, lembrando que, se estivéssemos na Série A, neste ano
nossa cota seria de R$ 12.000.000,00, ou seja, 50% maior que a ultima cota
integralmente recebida de R$ 8.000.000,00, mas vamos aos fatos.
A partir de 2001 o Guarani passou a ser seguidamente envolvido em questões de má administração, com varias denuncias de pagamentos com cheques não compensados, sejam sem fundos ou com os pagamentos sustados pelo emitente. Além disso, as ações trabalhistas contra o clube passaram a surgir de forma assustadora, multiplicando-se a cada dia. Foram muitos os casos de ex jogadores e até mesmo funcionários que vieram a conhecimento publico e até hoje assombram a administração atual. No ano de 2003, quando o time comandado pelo treinador Luiz
Carlos Barbieri fazia aquela que parecia a melhor campanha destes últimos anos
nos campeonatos Brasileiros, chegando a brigar por uma vaga na Taça
Libertadores da América, voltou a ser destaque nos noticiários nacionais. Desta
vez não por seus feitos gloriosos e vitórias incontestáveis, mas sim por algo
até então inusitado na historia do futebol brasileiro.
O elenco de jogadores do Guarani Futebol Clube simplesmente entrou em greve, recusando-se a treinar e ameaçando não entrar em campo caso não tivesse seus salários pagos e sua situação financeira regularizada com o clube. Estranhamente naquela época a cota de transmissão recebida pelo Guarani era de algo em torno de R$ 7.000.000,00 e o Guarani contava com um patrocínio da empresa Medial Saúde que, segundo valores anunciados, gerava uma renda anual de R$ 5.000.000,00 somados a mais R$ 1.200.000,00 da cota paga pela Federação Paulista de Futebol, que davam ao Guarani uma renda total naquele ano, sem contar com qualquer outra receita de recebíveis, de R$ 13.200.000,00. Resultado, o Guarani que brigava por uma vaga na Libertadores, viu-se excluído da Copa Sul Americana, criada naquele ano e que daria aos 12 melhores colocados no Campeonato Nacional, uma vaga na disputa da competição continental. Chegamos ao ano de 2004 e mais um triste capitulo era
escrito na historia do Guarani Futebol Clube. A equipe de futebol liderada pelo
“craque” Viola, contando com outros “craques” como Sandro Hiroshi no ataque
terminaria o Campeonato Brasileiro na 22ª colocação do Campeonato Brasileiro e
via-se condenado a disputar a Série B a partir de 2005. Naquele ano foram
também muitos os casos de jogadores que ganharam seus direitos federativos na
Justiça como as revelações Dinelson e Rafael Silva, que de repente, apareceram
com a camisa do Corinthians nos noticiários esportivos nacionais. Alem disso,
outro caso que trouxe consternação ao torcedor Bugrino foi a venda do lateral
esquerdo Alex ao Internacional – RS.
O jogador teve seus direitos negociados com o clube gaúcho, porém os valores jamais seriam revelados de maneira direta e confiável à coletividade Bugrina. Apurou-se depois de algum tempo que o então representante da patrocinadora da camisa, o Sr. Edison Torres tinha participação em 30% desta negociação através de sua empresa denominada “Torres, Borges e Schneider”, criada para gerenciar carreiras de atletas de futebol. Mas os piores momentos da historia Bugrina ainda estavam
reservados para os anos de 2005 e 2006, quando o clube envolto em denuncias de
ma gestão passou a ser administrado por um “Conselho Gestor”, composto por
cinco pessoas, entre eles o presidente, José Luiz Lourencetti, José Carlos
Sicoli, Luiz Ferrari e o empresário Alvaro Negrão, terminando o Campeonato
Paulista em uma péssima 17ª posição, causando o rompimento entre o “Grupo
Gestor” e o então presidente, o que trouxe a publico algumas informações que
mostravam o topo do “iceberg” que era a situação Bugrina já naquela época.
Após o rompimento o então presidente indicou outros dois candidatos às vice presidências, os Senhores Edison Torres e Eurides Coutinho e o Guarani continuou envolvido em negociações no mínimo obscuras. Primeira medida: Foi anunciada uma negociação com uma empresa parceira composta por investidores espanhóis que traria U$ 15.000.000,00 ao Guarani alem de outros benefícios como as construções do Centro de Treinamentos e da Sede Social entre outras. Neste intervalo de tempo o que se viu foi uma enorme debandada de jogadores Bugrinos seja por negociações com clubes do exterior, seja por conta de uma parceria lesiva assinada com o Clube Atlético Paranaense. Foram negociados os jogadores Catatau, Heverton e Roberto, ambos com clubes do exterior, cujos valores das transações nunca foram oficialmente anunciados pelo Guarani, e também saíram para o Atlético – PR. os jogadores Robertinho, João Leonardo, Juninho, Paulo André, William e Simão. Alem destes, os jogadores Netinho e Jonatas também se transferiram para o clube paranaense graças ao termino de seus contratos com o Guarani. Após vários adiamentos do anuncio da oficialização da
parceria, o clube anunciou o rompimento das negociações logo após a eliminação
do time na disputa do Campeonato Brasileiro da Série B e assim terminou mais um
ano triste para a historia do Guarani.
Chegamos agora ao ano de 2006 e o Guarani novamente se vê envolvido em outra negociação de parceria internacional. Logo no final do mês de Janeiro a diretoria anunciou o acerto com a empresa italiana “Turbo System SRL” que traria um investimento de nada menos que U$ 50.000.000,00 no Guarani Futebol Clube em troca de um contrato de parceria com contra partidas que duraria 10 anos. Ao mesmo tempo o jovem atacante Jonas, principal revelação do futebol Bugrino no ano anterior, adquiria seus direitos federativos na Justiça do Trabalho sob a acusação de falsificação de sua assinatura no contrato de vinculo com o Bugre e se apresentava ao Santos Futebol Clube. No inicio do mês de fevereiro oficializa-se aquilo que hoje
todos sabemos ter sido um verdadeiro golpe de estelionato. Estava formalizada a
parceria do Guarani Futebol Clube com a empresa Turbo System SRL, com as
contratações do treinador Toninho Cerezo, do meia Juca e do volante Zé Elias e
as constantes promessas de pagamento de milhões de dólares que nunca chegariam
aos cofres Bugrinos. Resultado, clube na 17ª posição no Campeonato Paulista e
novamente rebaixado, desta vez tristemente condenado a cumprir o rebaixamento. Denuncias
partindo de todos os lados e da imprensa campineira sobre falsidade ideológica
e a farsa estava exposta. Pobre Guarani, rebaixado novamente, sem dinheiro e
envolto em dividas infindáveis.
O presidente José Luiz Lourencetti renuncia durante reunião do Conselho Deliberativo que trataria da abertura do processo que poderia culminar com seu “impeachment” e o vice presidente financeiro Edison Torres assume em seu lugar, convocando eleições para o mês de Junho. Novos escândalos, entre eles a instauração de um inquérito
Policial de fraude nas associações ao clube que mais uma vez culminaram com a
retirada da candidatura do ex dirigente e a tentativa de seu candidato a vice
em concorrer ao pleito instalado. Resultado, impugnação da candidatura e uma
verdadeira batalha judicial travada nos três primeiros dias de mandato da atual
diretoria, que finalmente pode tomar pose definitiva no dia 08 de Junho e
iniciar seu trabalho à frente do guarani Futebol Clube.
A partir daí, o que veremos será simplesmente historia, que será escrita de agora em diante com a difícil missão de levar o Guarani ao menos à sombra daquilo que um dia ele foi, e nós simples torcedores teremos apenas que torcer, ajudar naquilo que for possível e confiar, por que nestes últimos sete anos aqui resumidamente relatados o que se viu foi a queda de um gigante, que um dia glorioso imperava pelo futebol brasileiro chamado Guarani Futebol Clube. Torcedor Bugrino, todas as vezes que você se pegar pensando
em como o Guarani chegou a esta situação, sentir-se revoltado ou mesmo pensar
em deixar o Guarani de lado, gostaríamos que lessem esse material e tirasse sua
própria conclusão. Nós o criamos para que os fatos passados não caiam jamais no
esquecimento geral e assim, podermos cobrar que estes fatos venham à tona e
seus culpados possam arcar com as conseqüências daquilo que fizeram.
Agora a nós, resta trabalharmos muito para que isto possa ser superado e o Guarani reconquiste um dia seu espaço. Marcos Ortiz – Equipe Planeta Guarani
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