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Marcos Ortiz

Tão longe e tão perto – Os números da realidade Bugrina

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Com cotas iguais para quase todos os participantes, assim será a Série B do Campeonato Brasileiro que começará no mês de abril. E mais, se chegar à disputa do título da Série A2, única condição de conquistar o acesso, o Bugre voltará a campo apenas uma semana após o encerramento da Série A2.

A final da Série A2, disputada em partida única, acontecerá no dia 07 de abril, a estreia Bugrina será no final de semana seguinte, na sexta (13) ou sábado (14) em Fortaleza.

Primeiro vamos falar das cotas. O Guarani defendeu no conselho arbitral da CBF que as receitas da competição fossem divididas em fatias iguais e acabou apoiado por outros nove clubes, formando maioria dos votos (10 x 08). As exceções são o Coritiba e o Goiás, equipes que tem contrato longo de direitos de transmissão assinados com a Rede Globo e não participarão da divisão dos 108.5 milhões arrecadados pela Série B. Eles receberão respectivamente R$ 35 e R$ 26 milhões cada.

Cada um dos outros 18 clubes terá direito a exatos R$ 6.030.000,00. É pouco, mas é mais do que o Bugre teve direito na temporada passada quando recebeu pouco mais de R$ 4 milhões.

Mas o desafio Bugrino não esbarra apenas no valor que significará cerca de R$ 750 mil mensais se dividido entre os cerca de oito meses de disputa da Série B. A conta é simples, com direito a uma parcela mensal de R$ 350 mil oriunda do acordo judicial que culminou com a venda do patrimônio físico do clube e os cerca de R$ 750 mil mensais da cota dividida, o clube, se se planejasse desta forma, teria uma verba de R$ 1.1 milhão mensais, porém a coisa não será tão simples assim.

Juíza Ana Claudia Torres Vianna - Foto: Camila Yano / TRT 15ª Região.

Juíza Ana Claudia Torres Vianna – Foto: Camila Yano / TRT 15ª Região.

Todos hão de se lembrar que no começo do mês de dezembro, em entrevista ao jornal Correio Popular, a juíza Ana Claudia Torres Vianna declarou textualmente que: “Como a dívida (trabalhista) está estimada em R$ 11 milhões e a receita do clube deve ser de R$ 7 milhões, ainda será um ano em que terão que fazer malabarismo. As cotas da Federação Paulista e da CBF vão ficar integralmente aqui e vamos tentar atender um pouco mais esses credores”.

Assim, antes de saber qual o valor de sua cota, o Bugre já sabia que, ao menos neste cenário, não teria nenhum centavo liberado para arcar com suas despesas no decorrer da temporada.

E agora, o que fazer? Como alternativa o clube terá no final deste mês uma reunião do Conselho Deliberativo onde o assunto parceria, terceirização ou cogestão, qualquer que seja o modelo adotado, será abordado. Ou seja, o Guarani conta, a menos que a decisão da juíza anunciada ainda em 2017 seja alterada, exclusivamente com uma possível parceria para fazer futebol no Campeonato Brasileiro.

Mas o projeto não se restringe ao ano de 2018 que, ainda segundo a juíza, será o último ano de “malabarismos”. A proposta de parceria, terceirização ou cogestão terá um prazo de validade entre 5 e 10 anos.

Recentemente o presidente do Conselho de Administração Palmeron Mendes Filho anunciou a criação de uma comissão interna para elaborar um manifesto de intenções do Guarani aos interessados em assumirem o departamento de futebol Bugrino e esta comissão deverá apresentar seu projeto nesta reunião do Conselho Deliberativo marcada para o final do mês de fevereiro. Só aí saberemos o que o clube planeja oferecer e receber em contrapartida pela gestão do seu futebol amador e profissional.

Se não sabemos com que dinheiro e que tipo de investimentos o Bugre terá para tocar o Brasileiro da Série B, uma coisa sabemos. O time da estreia, contando que o Guarani consiga seu acesso e dispute o título da Série A2, será o mesmo que terminar a competição estadual, salvo um ou outro nome pontual, o Guarani não terá tempo para remontar seu elenco e deixar todos os possíveis novos contratados em condição de jogo tanto documental quanto física e técnica.

É uma decisão difícil de ser tomada, mas que terá que ser analisada, mas acrescentando uma pimenta a mais nesta receita, imaginem o clube conquistando dois acessos em 2018. Neste cenário a temporada 2019 do Bugre estaria recheada de cotas com orçamento bem diferente do atual pois, com contrato já assinado com o canal Esporte Interativo dando direito a uma cota de R$ 20 milhões (apenas se o clube estiver disputando a Série A) para transmissão em TV por assinatura, somados aos cerca de R$ 25 milhões que a TV Globo paga para as transmissões em canal aberto e Pay-Per-View e algo em torno de 3 a 5 milhões para a disputa de uma Série A1 estadual o “bolo” chegaria a R$ 50 milhões, um valor que certamente colocaria ordem na situação financeira do clube.

Tão perto e tão longe ao mesmo tempo. Para chegar a estes valores o Bugre precisa de dois acessos, para conquistar dois acessos o clube precisa de dinheiro, mas se conseguir os objetivos passa a ter dinheiro suficiente para se manter e se reorganizar, e agora?

Terceirizar pode ser o caminho, desde que os interesses do clube estejam preservados, e parece que este será o caminho adotado, mas é preciso cuidar com olhos bem abertos destes valores, além de garantir neste contrato a criação de um fundo financeiro capaz de garantir a sobrevivência do Guarani após o final de um contrato de terceirização, parceria ou cogestão para não corrermos o risco de ver repetido aqui o processo de ruína financeira que atingiu tantos clubes brasileiros que, nos últimos anos, assinaram e terminaram contratos similares.

Confesso que é uma decisão difícil de ser tomada.

 

Marcos Ortiz

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