Nesta semana o assunto ganhou a mídia, terceirização do futebol do Bugre. Na segunda feira (27/11) o tema foi levado aos associados após a realização de uma Assembleia Geral.

O que sabemos é pouco. O empresário Roberto Graziano teria manifestado esta intenção e contaria com alguns parceiros, entre eles a empresa ASA Alumínio e o acordo de cogestão seria firmado por um período de 10 anos. Vamos dar uma olhada a fundo sobre os prós e contras desta possibilidade?

Desde o início de 2015 quando aconteceu a venda do patrimônio do clube, o Guarani vive diariamente do seu patrimônio com uma mensalidade de R$ 350 mil e outros aportes feitos pela empresa Magnum na forma de antecipação de VGV. Não, você não estaria errado ao afirmar que isso custa tijolos do Brinco de Ouro.

Ponto positivo: Terceirização não é antecipação, é contrato de responsabilidades bilaterais onde uma parte abre mão de determinadas coisas e outra parte assume a responsabilidade sobre esta determinada coisa, então, vendo o copo meio cheio, o Guarani não teria ônus financeiro com o futebol pelo período de duração contratual, logo, estaria “poupando tijolos”, pois o empresário estaria investindo no futebol como negócio seus próprios recursos, deixando assim de antecipar recursos pertencentes ao clube.

Ponto negativo: Como seriam tratados os recursos provenientes de cotas de participação em competições? Sim, normalmente em contratos semelhantes, toda a receita proveniente do futebol fica para o gestor, que com esse montante se remunera. Mais além, qual seria a participação do Guarani nos direitos sobre atletas revelados ou negociados durante o processo de cogestão?

Sabemos que o Guarani tem contrato assinado com o Canal Esporte Interativo e que, a partir de 2019, terá direito a uma cota de R$ 20 milhões anuais para disputar uma Série A de Campeonato Brasileiro. Sabemos também que o Guarani, uma vez integrando a Série A, teria direito a uma cota entre R$ 25 e 30 milhões, portanto estamos falando de um faturamento de algo entre R$ 45 e R$ 50 milhões anuais só falando em Campeonato Brasileiro, sem falar em retorno à elite do futebol paulista, retorno à disputa de Copa do Brasil e outras competições que podem surgir, claro, tudo condicionado a recuperação desportiva (dentro de campo) do Bugre.

O risco: Quanto deste valor seria repassado ao Guarani, se é que algo seria?

Fato: Para receber tais valores o Guarani precisa se recuperar nas competições que disputa!

Fato 2: Com os recursos hoje existentes, e sem o ônus do departamento de futebol, o clube consegue arcar com seus compromissos mensais como folhas de pagamentos, recolhimento de tributos e taxas e seu custo fixo mensal. Incluindo as mensalidades de R$ 350 mil e as demais receitas atuais o Guarani fatura algo em torno de R$ 450 a 500 mil mensais, portanto teria condições de se reestruturar administrativamente.

Fato 3: Porem, temos que pensar que, se consegue se manter e reorganizar com tais recursos, conseguiria muito mais com valores muito maiores, senão vejamos: Numa volta à Série A o clube teria (vamos falar nos valores mínimos) R$ 45 milhões anuais, numa hipotética volta à elite estadual teria mais cerca de R$ 5 milhões e só aqui já estamos falando em R$ 50 milhões, que podem chegar a 60, 70 ou mais, dependendo das outras competições que o Guarani conseguir disputar.

Partindo de R$ 50 milhões anuais o Guarani teria um faturamento mensal aproximado de R$ 4.200.000,00. O que poderia fazer com isso? Inegavelmente poderia dar um salto gigantesco de qualidade em todas as suas áreas.

Mas há algumas perguntas que devem ser feitas: O Guarani conseguirá receber suas cotas que são frutos de penhoras? O Guarani terá condições de bem investir tais recursos, caso consiga recebe-los? E a primeira e maior de todas estas questões:

Como voltar às divisões de elite do futebol e às grandes competições nacionais e internacionais com os recursos e a estrutura interna física e administrativa que o Guarani dispõe hoje?

Acho que chegou a hora de respondermos uma única questão: Qual o Guarani que queremos para o futuro? Um time forte, estruturado e brigando pelo seu retorno, ou um clube forte, estruturado, brigando pra ser grande novamente?

Clube é a entidade Guarani Futebol Clube, não apenas a estrutura social, time é a paixão de todos nós torcedores, aqueles jogadores que vestem nossas camisas e disputam jogos e competições, sejam profissionais ou de base.

Uma perguntinha: Daria pra fazer este contrato por cinco anos? Daria, já que é cogestão, para preservar percentual de participação em cotas e receitas oriundas do futebol? Daria para fazer um contrato de cogestão “ganha-ganha” onde todos ganhariam financeiramente, ou é tudo ou nada?

Confesso que o tema é demasiado complexo e que precisa de outras análises. Prometo fazê-las, mas concluindo, me atrai a possibilidade de investimento no futebol sem que nosso patrimônio esteja envolvido, pois com esses recursos poderíamos finamente planejar e investir no que precisamos, estrutura.

Me atrai a possibilidade de um time forte brigando enfim por acessos e retornos às grandes competições.

O que me faz pensar então? Simples… me preocupa a possibilidade de, ao terceirizar, vermos o Guarani se tornar apenas em uma marca, um símbolo, um distintivo.

Por enquanto vamos pensar nestes temas? Nos próximos textos e à medida que o assunto for amadurecendo e trouxer conhecimento de novos e maiores detalhes a gente fala mais, pode ser?

Acho que vocês já tinham esquecido de como eu sou chato…

Marcos Ortiz