Atrasos, pressão e mercado: Frontini expõe bastidores do Guarani em meio à crise financeira e política
O executivo de futebol do Guarani, Carlos Frontini, não escondeu os problemas que o clube enfrenta fora das quatro linhas. Em entrevista colettiva, o dirigente detalhou o encontro recente com a torcida organizada, admitiu abertamente o déficit salarial com o elenco e revelou as dificuldades de operar no mercado de transferências com a folha de pagamento inflada e a efervescência de um processo eleitoral no Brinco de Ouro.
Atrasos salariais, sem “passar pano”
Um dos temas mais urgentes da pauta foi a situação financeira do clube. Em tom de franqueza, Frontini reconheceu a dívida com os jogadores e rejeitou adotar um discurso protecionista para a diretoria.
“O salário, a gente tá com déficit e aqui ninguém vai esconder nada de ninguém para passar pano, até porque a gente tem que ser verdadeiro”, cravou o executivo. “Ficar passando pano, ficar vaselinando, eu acho que não é o caminho.”
Apesar das pendências financeiras, o dirigente elogiou o comprometimento dos atletas e garantiu que o rendimento em campo não caiu em virtude dos atrasos. Segundo ele, o elenco tem treinado e jogado no limite, enquanto a direção corre contra o tempo para resolver o fluxo de caixa.
Cobrança da Torcida no Brinco de Ouro
Sobre a ida de membros de uma torcida organizada ao clube nesta semana, Frontini minimizou qualquer clima de tensão ou ameaça, classificando a reunião como pacífica e necessária.
“Saldo positivo, vieram querer conversar, eu não vejo problema nenhum… foi de uma maneira respeitosa”, explicou. Ele destacou que os torcedores colocaram seus pontos de vista sem violência ou xingamentos, e que tanto a diretoria quanto os jogadores compreenderam o recado das arquibancadas.
Dificuldades no mercado e perfil de reforços
Com a janela de transferências em evidência, a torcida cobra a chegada de novos nomes, mas Frontini freou as expectativas de grandes investimentos imediatos. A prioridade, segundo o executivo, é aliviar as finanças.
“A gente tem esse problema de estar com a folha um pouco alta, a gente precisa fazer algumas saídas, principalmente para respeitar a saúde financeira do clube para depois vir algumas chegadas”, revelou.
Sobre o perfil das futuras contratações, Frontini foi direto ao ponto e criticou a ideia de fazer loucuras por jogadores que não estão totalmente engajados. “Quando a gente insiste muito no atleta e fica quase que implorando… dificilmente dá certo. O atleta tem que querer estar aqui também. Ele tem que abraçar esse projeto.” O foco é em jogadores dispostos a buscar o acesso à Série B e disputar um bom Paulista na próxima temporada.
Política do clube e blindagem ao futebol
A instabilidade política do Guarani, que se aproxima de novas eleições, costuma afetar o campo, mas Frontini assegurou que o vestiário está “blindado”. De acordo com o dirigente, o foco do elenco é estritamente o futebol.
O executivo também aproveitou para defender a total autonomia do técnico Élio Sizenando nas escalações, mesmo quando questionado sobre nomes encostados ou preteridos no elenco, como Edson e Diego Torres. “A decisão final é do treinador e tem que ser do treinador. A gente respeita muito isso daí”, finalizou Frontini, eximindo a diretoria das escolhas de quem vai a campo: “são atletas profissionais que estão tentando buscar o seu espaço, treinando normalmente.” concluiu.
Marcos Ortiz

