Na vitória ou na derrota – Vamos Subir, Bugre? Parte 03/08

Vamos nos reencontrar com o Bugre no ano de 1990, suas conquistas, andamentos, situação, bastidores e mais alguns detalhes? Quando iniciei esta série meu propósito era, e continuará sendo, o de mapear os problemas, as primeiras dificuldades, as últimas, e aquilo que, no meu entendimento, conduziu o Bugre à situação atual.

Claro, nem tudo cabe, ou nem tudo pode ser dito. A história cabe àqueles que a conhecem, todos os detalhes dela ficam e ficarão vivos na memória de quem os viveu. Erros, acertos, caminhos, decisões, polêmicas, fatos, dados, é isso que vou apresentar, claro, misturado com um pouquinho de futebol, afinal, não é para isso que estamos aqui?

Chegamos a um momento que deixou boa parte do Brasil perplexo: A máquina de jogar futebol que encantou o país nos últimos 15 anos estava rebaixada à Série B do Campeonato Brasileiro.

Me lembro bem das declarações da época vindas do presidente Beto Zini: “Nós voltaremos ao final do ano”.

Jogadores comemoram o gol do empate por 1×1 contra o XV – Foto do acervo de Carlos Bassan.

E toda a Torcida Bugrina acreditou! Mas dentro de campo não foi isto o que se viu naquela época, alias, víamos um Guarani contrário ao que sua tradição trazia, fazendo campanhas muito melhores no Campeonato Paulista do que no Brasileiro. Foi assim em 1988 quando decidiu o título, em 1989, quando foi eliminado pelo São Paulo já em fase decisiva da competição e novamente em 1990 quando após empatar por 1×1 com o XV em Piracicaba, deixou de conquistar vaga na final do Paulistão.

A escalação do Bugre segue mostrando diferenças entre os momentos, vamos dar uma espiada no time que esteve em campo em duas partidas diferentes, a estréia contra o Santo André e a última partida, contra o XV de Piracicaba:

Guarani 0x1 Santo André: Sérgio Neri, Jura, * Vítor Hugo (Má), Cassus e Cilinho; Pereira, Tosin (Robinson) e Pita; Hélcio, Cristóvão e Aírton. * Prestem muita atenção a este nome, o zagueiro Vitor Hugo é um capítulo a parte na história do Bugre

XV de Piracicaba 1×1 Guarani: Sérgio Neri, Betão (Zé Carlos), Pereira, Tosin e Albéris; Charles, Vagner Mancini (Sérgio Araújo) e Pita; Hélcio, Rubem e Zinho. Técnico: Eli Carlos.

Em 1990 Pita era a aposta. Ex-jogador de Santos e São Paulo, e nenhum sucesso no Bugre.

Mantemos o prata da casa Sérgio Néri no gol e Vagner Mancini, outro prata da casa, começa a se destacar no time titular, e tínhamos o lateral-direito Jura que nunca conseguiu se firmar no time titular, mas era só isso. O Bugre já apostava na contratação de jogadores como o atacante Zé Carlos vindo do Flamengo, o também atacante Cristóvão que havia jogado por grandes equipes e já vivia sua segunda temporada (é o mesmo Cristóvão Borges, hoje treinador), Alberis que vinha da Portuguesa, o volante Charles, um dos destaques do rival da cidade que já fazia sua segunda temporada no clube, o zagueiro Pereira que já ia ganhando ares de ídolo da torcida na época, o atacante Sérgio Araújo que anos atrás se destacou jogando pelo Atlético Mineiro e o meia Pita, jogador de muito destaque na década de 1980 jogando pelo São Paulo, mas que no Bugre pouco apareceu. Da equipe Bugrina de grande destaque na segunda metade da década anterior apenas Tosin, volante, permaneceu.

A receita do comando da equipe também havia mudado, o Bugre começou o Paulistão com Cilinho, passa a ser comandado interinamente por Dimas Monteiro (preparador de goleiros), depois quem assume é Eli Carlos que encerra o Paulistão. Durante uma série de amistosos Mílton dos Santos comanda a equipe interinamente, volta a ser comandado por duas rodadas da Série B por Eli Carlos e quem em seguida assume é o Bugrino Zé Duarte que vai até o final da competição.

Na Série B de 1990 surge a primeira grande frustração da Torcida Bugrina quando na disputa do quadrangular semifinal, após empatar a decisão da vaga com o Sport em pleno Brinco de Ouro por 1×1, o Bugre se despede da competição, não conseguindo chegar às finais e consequentemente, não conquistando o acesso.

Time base do Bugre que subiu em 1991.

O acesso viria em 1991, ano em que houve uma inversão de calendário. A temporada começou com a disputa do Campeonato Brasileiro e o Bugre, com alguns jogadores veteranos contratados, entre eles Edson Abobrão (foto) e Biro Biro (ambos ex-Corinthians) e seria assim que esta campanha se desenharia.

Na equipe que inicia a competição chama a atenção a presença de um único prata da casa, era o goleiro Marcos Garça, que seria decisivo na conquista do acesso Bugrino. No ataque Zé Carlos e Vonei, atacante contratado junto à Ferroviária, se destacavam também, mas o principal destaque Bugrino naquela campanha, sem dúvida, era o técnico Pepe.

Vamos dar uma conferida na equipe que disputou a primeira partida contra o Atlético-GO, um empate por 0x0 no Serra Dourada: Marcos Garça, Edson Abobrão, Paulo Silva, Pereira e Gilmar; Charles, Toninho e Vander Luís; Hélcio (Fábio Henrique), Vonei e Claudinho (Vagner).

Durante a competição apenas dois pratas da casa surgem no elenco, o lateral-direito Jura e o lateral-esquerdo Valmir, e assim, depois de um confronto inesquecível contra o Noroeste pelas quartas de final da competição, o Bugre consegue avançar à semifinal.

A vaga veio após empatar no Brinco de Ouro por 1×1 e ter que decidir a classificação em Bauru, contra um Noroeste que jogava pelo empate por ter melhor campanha. Depoimento pessoal: Um verdadeiro inferno! CLIQUE AQUI E VEJA OS GOLS DA PARTIDA.

Presente em grande número, mas diante de uma imensa maioria de torcedores do Noroeste, a Torcida Bugrina foi acuada desde sua chegada ao estádio, onde ocuparia uma das cabeceiras. Muita confusão, pedras atiradas contra os Bugrinos durante toda a partida e dentro de campo um jogo cheio de emoções, muitas mesmo.

Precisando vencer, o Bugre abriu o placar aos 14 minutos do segundo tempo com o artilheiro Vonei. Neste dia a violência praticada no estádio Alfredo de Castilho foi tão grande que o ônibus que conduzia a imprensa campineira e um automóvel particular pertencente a um dos seus integrantes foram incendiados.

Jogando pelo empate, o Noroeste pressionava muito e nos minutos finais teve uma grande chance de marcar, mas Marcos Garça defendeu, sem dar rebote. Na reposição de bola Vonei recebe para o Bugre ainda no campo defensivo, invade o campo de ataque, arranca, passa pelo goleiro e marca o segundo gol, carimbando a vaga na semifinal para festa dos muitos Bugrinos presentes e para mais uma explosão de violência nas arquibancadas. Acuados, os Bugrinos tiveram que invadir o gramado, forçando o encerramento da partida e era lá, dentro do campo, que a festa acontecia, mas fora dele um confronto inimaginável entre a torcida local e a Polícia Militar se estenderia até por volta das 21:00, cerca de três horas depois do final da partida. Foi só por volta das 22:00 que conseguimos deixar o gramado do estádio, e quem veio nos buscar foi o técnico Pepe, mas deixar o local não significou segurança, pelo contrário, muitos dos ônibus foram apedrejados na saída da cidade e vários Bugrinos que tinham viajado em seus carros particulares também acumularam enormes prejuízos.

UFA!!! O time que entrou em campo e enfrentou esta verdadeira batalha tinha: Marcos Garça, Valmir, Paulo Silva, Pereira e Julimar; Biro-biro, Vânder Luís e Nenê; Ivair (Ernani), Vonei e Claudinho (Vágner).

Ainda era preciso buscar o acesso e para isso o Bugre teria o mais duro de todos os adversários na competição, o Coritiba seria o oponente nas semifinais da Série B de 1991 e seria mais uma batalha inesquecível.

Nenhuma das duas equipes levava vantagem, se persistisse o empate o acesso seria decidido na cobrança de penalidades, e não é que foi assim que aconteceu?!

Pepe, ao lado do filho Pepinho, durante passagem pelo Bugre nos anos 2000. Técnico foi fundamental para o acesso em 1991.

Em Curitiba uma derrota por 1×0, já na decisão, no Brinco de Ouro, uma vitória Bugrina por 1×0 que definitivamente daria ao zagueiro Pereira o status de ídolo da Torcida na época. Depois de ter perdido uma penalidade aos 14 minutos, foi dele o gol do Bugre marcado aos 45 minutos do primeiro tempo que garantiria o resultado (melhor deixarmos a polêmica do gol de Chicão anulado para um outro momento, não vai caber!).

Aflitos, os 17.059 torcedores presentes ao Brino acompanharam uma decisão por pênaltis não menos emocionante. O Coritiba abriu as cobranças, Heraldo converteu, Vonei empatou, Chicão marcou 2 X 1, Pereira empatou, Pachequinho pôs novamente o Coritiba na frente e Vagner voltou a empatar para o Bugre, Catani fez 4×3, Valmir empatou e a explosão viria na série seguinte quando Nardela cobrou e Marcos Garça defendeu, em seguida Edson Abobrão converteu para o Bugre carimbando o acesso para a Série A de 1992 e causando uma grande festa nas ruas e arquibancadas de Campinas.

Em meio a tudo isso, uma tirinha de bastidores da época: Durante o campeonato o lateral-direito Edson Abobrão teve uma discussão muito forte com o presidente Beto Zini, e quis o destino que justamente ele tivesse a responsabilidade de cobrar e marcar o pênalti do acesso. Ainda bem que o profissionalismo do jogador falou mais alto neste momento.

O time que entrou em campo e conseguiu o acesso tinha Marcos Garça, Jura, Paulo Silva, Pereira e Julimar; Biro-biro, Valmir e Edson Abobrão; Nenê (Ivair), Vonei e Claudinho (Vagner). Técnico: Pepe.

Caramba, todo o acesso do Bugre é assim? Restava a final, mas a vaga na Série A já estava garantida e para o Bugre o confronto com o Paysandu poderia trazer mais um troféu. A decisão começou bem, no jogo de ida, no Brinco de Ouro, com um gol de Claudinho, o Guarani venceria por 1×0 e iria para Belém jogando com a vantagem do empate, mas a decisão do título seria polêmica e de resultado infeliz.

O empate levaria o jogo para a decisão por penalidades e diante de um Mangueirão lotado com 34.039 pagantes, mais um incalculável número de não pagantes, mais uma vez um resultado contestado em uma final de campeonato marcaria a história. CLIQUE AQUI E VEJA OS GOLS DA PARTIDA.

Equipe do Pàysandu que derrotaria o Bugre no Mangueirão em jogo mais que polêmico.

O Paysandu abriria o placar aos 21 minutos com Cacaio, mas o problema viria depois, quando aos 36 minutos, numa jogada irregular, Dadinho faria o segundo. A revolta dos jogadores do Bugre foi tão grande que todos partiram para cima do árbitro, o baiano Manoel Serapião Filho que não pensou duas vezes, expulsou de uma só vez Biro-Biro, Vonei, Julimar, Valmir, Jura e Zé Roberto, com isso o Bugre sequer teria a chance de tentar recuperar o placar, pois a partida foi encerrada em seguida por não ter o Guarani o número mínimo de sete jogadores em campo para poder continuar a disputa. Se houve a influência favorável da arbitragem na semifinal contra o Coritiba (E HOUVE), o Bugre viveria o outro lado da moeda na decisão de Belém do Pará.

A equipe que jogou a final contra o Paysandu teve: Marcos Garça, Jura, Vladimir (Zé Roberto), Julimar e Valmir; Biro-Biro, Vânder Luís e Edson Abobrão; Nenê (Adriano), Vonei e Claudinho. Técnico: Pepe.

Perdemos o título, mas subimos! Mesmo não presente na arquibancada, podemos dizer que este foi o primeiro capítulo do “Vamos Subir Bugre” entre a Torcida Bugrina.

De volta a Série A do Brasileiro o Guarani enfrentaria uma outra realidade, o futebol brasileiro já vivia um outro momento, com os chamados grandes clubes contando com cotas de transmissão cada dia maiores e um fator novo já se fazia presente, a parceria Palmeiras-Parmalat, que, além de trazer grandes títulos ao Palmeiras, causou uma “inflação” enorme nos salários dos atletas, isso influenciado pelo alto valor pago pela multinacional italiana. Como conviver com isso?

Eu poderia estender esta coluna, mas ela ficaria cansativa e não teríamos a devida atenção à fase Pereira, Edilson e Edu Lima, nem tão pouco traria a devida referência à fase Amoroso, Djalminha, Luisão, Carlos Alberto Silva, Jorge Luiz e todo o elenco de 1994, então vamos à conclusão e continuamos daqui?

Conclusão

Vivendo uma realidade totalmente diferente, o Bugre pela primeira vez na sua história precisou lutar por um acesso e teve muitas dificuldades. Amparado na máxima do futebol que diz que é preciso time experiente para subir, foi esse o investimento da diretoria, contratar, contratar e contratar.

Mauro Silva pelo Bragantino em 1991.

E a base? A base neste primeiro momento ficou relegada aos jovens Marcos Garça e Jura, sabem por que? Simples, voltando só um pouquinho ao campo, em 1990 o então presidente do guarani Beto Zini resolveu investir na contratação de um zagueiro, era Vitor Hugo, jogador que havia se destacado pelo Bragantino no ano anterior. Em contrapartida o Bugre envolveu sete jogadores na troca, entre eles estavam: O volante Mauro Silva (FOTO – Campeão Mundial com a Seleção Brasileira em 1994), o zagueiro Junior, o também zagueiro Nei, o lateral-direito Gil Baiano (também com passagens pela Seleção) e o atacante Mário Maguila.

Resultado, com a receita de sucesso do Bugre, o Bragantino, tendo todos eles entre os titulares, sagrou-se Campeão Paulista em 1990 e seria vice-campeão brasileiro em 1991. Já o Guarani teve Vitor Hugo em campo por poucas rodadas, até que, com fraco desempenho, e diante da insatisfação da torcida, negociou o jogador. Depois destas campanhas, com os jogadores muito valorizados, o Bragantino negociaria praticamente todos os atletas vindos do Bugre e conseguiria suporte financeiro para as próximas temporadas.

Alguma semelhança com a história contada nas colunas anteriores? Se houver (E HÁ), não é mera coincidência!

E mais um detalhe: Na única campanha em que o Bugre teve um treinador efetivo trabalhando praticamente durante todo o campeonato, o sucesso veio. Foi Pepe um dos grandes responsáveis pelo acesso em 1991.

Finalmente, no próximo capítulo vamos encontrar Edilson, o “Capetinha” e os inesquecíveis Amoroso, Djalminha e Luisão.

Até a próxima!

Aqui marcamos mais um capítulo importante, uma época em que, sem dar o menor valor à sua base, o Bugre chega ao pior momento até então da sua história.

Marcos Ortiz
Planeta Guarani

17 comentários sobre “Na vitória ou na derrota – Vamos Subir, Bugre? Parte 03/08

  1. Ortiz:
    1.) Não consigo me lembrar desse pênalti em Bauru. Foi uma das atuações mais espetaculares que vi um goleiro fazer, Marcos Garça, lembro de um chute à queima-roupa, perto da pequena área, no gol em que que estávamos, no cantinho, e ele se esticou e espalmou…inacreditável !!! Na minha memória o gol veio de um contra-ataque de um escanteio…..fico puto de não lembrar um lance desse já que estava lá, vendo o jogo entre pedras, como nossa torcida gritando o jogo inteiro.

    2.) Vale lembrar o jogo da fase anterior, contra o Botafogo-SP. 0x0 em Campinas, e lá em RP eles saem na frente…..Tínhamos que empatar e no 2º tempo ficamos com 1 a menos. Lembro da garra do Biro-Biro, correu feito um louco, que raça ele tinha, nunca desistiu de nenhuma jogada. Estávamos eliminados quando no último ataque, cruzamento da esquerda e Vônei surge como um raio e desvia para as redes, quando ninguém mais acreditava, e veio comemorar junto a nossa torcida. Inesquecível !!!!

    3. Na saída de Curitiba, a revolta por termos tomado um gol no último lance e na saída vermos vários ônibus com vidros quebrados. Além disso, a faixa da Bugrinos da Capital, que eu levei sozinho, não sei como, apareceu queimando do outro lado do Couto Pereira, no meio do 1º tempo…..vibração de um gol da torcida do Coritiba, e eu com o coração estilhaçado. E a faixa estava entre a Jovem e a Guerreiros….como eles pegaram???? não sei. Na volta, na parada em um posto de gasolina, ainda na região Metropolitana, saques e quebra quebra da torcida do Guarani. Todo mundo puto, oônibus em que estava foi embora, nesse ônibus ninguém queria confusão…..os que ficaram foram presos e liberados apenas do dia seguinte sem comunicação…imagina o desespero dos parentes???? Histórias deliciosas, às vezes perigosas, mas que adoro relembrar.

    Abraços !!!!!

    1. Sergio, engraçado que eu escrevo contando com a memória, eu estava lá também, alias, quebrei duas costelas e ajudei a carregar o PM que levou uma pedra na cabeça e veio falecer pouco depois. Resolvi escrever sobre o pênalti mesmo não encontrando a descrição do lance, posso ter sido traído, mas tenho na memória a defesa do Garça no canto direito, a reposição de bola e o gol do Volnei.

      Sobre Curitiba, nos trataram tão mal lá e esperavam uma recepção cordial aqui? Tem alguns vídeos no youtube, todos postados pelo pessoal do Coxa falando sobre isso e até uma matéria na TV Local sobre a viagem deles e o que “sofreram” por aqui. Só não postei o link porque é tendencioso demais, mas vale a pena dar uma olhada, e também dá pra conferir que o Chicão não estava impedido no lance do gol (que dó… rsrs).

      Segue o link: https://www.youtube.com/watch?v=6ro2nJNhX68

      Voltando ao pênalti, a memória pode ter me traído, se eu me lembro errado perdão, já editei a postagem, mas a imagem é tão nítida, assim como a torcida deles vindo inteira para cima da gente imediatamente após o segundo gol. Me lembro de ter conseguido chegar em casa às 6:30 da manhã de segunda-feira, ir trabalhar às 7:15, sair do trabalho para ir ao médico cuidar das costelas e voltar em seguida ao trabalho. Lembro também da minha mãe que ouviu o jogo todo pelo rádio e, quando cheguei em casa estava acordada, tinha virado a noite com um terço na mão, rezando de joelhos, sem notícias minhãs (é, MÃE é MÃE mesmo!).

      Abraço meu irmão

      Marcos Ortiz

      1. Pior é que estou tendo puxar e não consigo. De repente “apagou” da minha memória, assim como vc, tento lembrar só da minha memória, do que vivi e vi. Já o pênalti defendido pelo Garça, em Curitiba me lembro nitidamente….Espero que surja alguém nessa página que tenha ido no jogo em Baurú. Sobre esse jogo, com meus 20 anos na época, lembro do guerra que foi, também entrei no campo no final, os caras ficaram loucos, mas com 20 anos vc encara na boa, sem muito medo. Hj, com 43 e filho de 7 anos, talvez não fosse mais nesse tipo de jogo….

        1. É, temos a mesma idade… só ganho de você nos filhos, tenho 3, já tinha uma na época com 1 ano, depois vieram mais duas, uma com 19, outra com 15.

          Na verdade as costelas só foram doer na segunda-feira, a adrenalina demorou tanto pra baixar.

          Acho que é a minha memória que traiu, também fui a Curitiba e posso estar embaralhando as informações.

          Já editei, abração.

          Marcos Ortiz

  2. Ortiz, tenho 36 anos e vivi intensamente minha fase de garoto e adolescente entre os anos de 1986 a 1996 no Brinco de Ouro. Para mim, o buraco que o Guarani se enfiou tem nome e sobrenome: Beto Zini. O satanás, não menos culpado, do Lorenzeti é café pequeno perto desse sapo barbudo. Parabéns pelos excelentes artigos que retratam fielmente o que ocorreu com o nosso Bugre. Hoje, morando em Recife, vejo o quanto o Sport enaltece o Brasileiro de 1987 que entregamos de bandeja a eles.

  3. Ortiz, estou curtindo muito essa séries de matérias que você está postando!!! O último jogo que assisti do Guarani antes de me mudar para cá, foi contra o Sport Recife no Brinco no dia 09/12/1990!!! No domingo seguinte 16/12 viajei para cá!!! Portanto, tudo o que você está relatando, daquela data em diante, acompanho com muita atenção, pois poderei acompanhar e saber, com detalhes, tudo o que aconteceu de lá para cá, e que nos levou a esse abismo sem fim!!! Esperarei com muita expectativa as próximas colunas!!! Aproveito para deixar aqui o meu desejo de um Feliz Ano Novo para você e a toda coletividade Bugrina!!! Que o Planeta Guarani continue a ser esse importante veículo de comunicaçao com notícias do Guarani para a torcida!!! HSG!!!

    1. Beijo Lucia, assim você aumenta muito mais a minha responsabilidade!

      Um feliz 2015 pra você e todos ai em Miami, e quando vier visitar Campinas não se esqueça do amigo aqui.

      Muito, mas muito obrigado mesmo. Eu acho difícil transformar o PG naquilo que um dia ele foi, mas acho importante continuar escrevendo e tentando mobilizar, conscientizar e incentivar esta Torcida Maravilhosa!

      Marcos Ortiz

  4. Caro Or
    Primeiramente eu gostaria de te parebenizar por mais este trabalho que você está fazendo para toda a coletividade bugrina. Tenho 34 anos e me lembro como se fosse ontem do acesso de 1991. Fomos ao estádio numa perua kombi de um amigo, lotada de bugrinos e no final voltamos a pé para casa pois a perua foi roubada…rsrs

    Fico também muito feliz em saber que você voltou com o site PG. Espero que você seja abençoado e tenha a cada dia muita saúde e sabedoria para prosseguir com este belíssimo trabalho.

    Um forte abraço.
    Anselmo

  5. Ortiz parabéns pelo excelente trabalho.
    Me recordo do jogo de Bauru, na hora do segundo gol a cara de apavorado do meu pai, pensando em como iriamos sair daquele inferno……graças à Deus nada de mal nos aconteceu.
    Ortiz me lembro também de um jogo em Ribeirão Preto, eu e meu pai estávamos lá onde o Guarani perdia até o finalzinho e o pequeno Volnei fez um gol de cabeça , empatando a partida e levando o Guarani adiante no campeonato, foi o mesmo campeonato ou estou equivocado
    Abraços.

  6. Parabéns pelas matérias Ortiz. Fico feliz pela volta do PG, ele foi, é e será muito importante para o nosso Bugre e a nossa coletividade.
    O acesso de 1991 foi marcante para mim, me lembro do nosso zagueiro artilheiro Pereira, um grande ídolo para mim, além de grande pessoa. Lembro-me do meu desespero quando o Chicao marcou o gol, abaixei a cabeça por alguns segundos e quando vi tinham anulado o gol… Acho que foi a única vez na vida que vi beneficiarem o Guarani…

  7. Feliz ano novo Ortiz e a todos os bugrinos! Parabéns pela série, é muito importante expor a história de glórias e também algumas derrotas do nosso futebol, mas não menos importante, as administrações incompetentes e mal intencionadas que nos deixaram arruinados. Vejo necessário isso, porque tem torcedor que não tem memória e chegam a pedir a volta do presidente citado no seu texto. O caso Vitor Hugo foi só mais um, quantos jogadores este safado pagou salários com o dinheiro do Bugre e quando vendia alguém, a grana ia pro bolso dele! Teve jogador que se transformou no tal Palicari.
    Obrigado por disponibilizar o Planeta Guarani novamente! Abraços

  8. Fabio e Sammy concordo com ambos. Quem iniciou a destruição bugrina foi a “família” Palicari. Se pudessem abrir as contas daquele empreendimento, hummmmm…. E antes teve aquele maldito “esqueleto” mal assombrado da Prca Doeste que esconde até hoje nosso belo estádio. Tambem a CPI de Roubo de cargas sujando o nome do GFC para sempre.
    Trocamos o time campeao Aspirante de 88 dando de graça nada menos que Mauro Silva, campeao mundial de 94, campeao espanhol no Lacoruna, por um Victor Hugo. Reza a lenda que o ambicioso e iniciante jovem treinador Luxa, recebeu uma “pequena” ajuda de seu empresário Juan Figer, através de nosso presidente autoproclamado “conhecedor” de futebol e que se dizia amigo pessoal do influente uruguaio. Fico imaginando quantas outras glórias perdemos apenas nessa transação com o Braga?

    Nosso negócio é a base!
    Pior do que perder as muitas jovens promessas, foi perder os muitos formadores de nossa base. A verdadeira academia de futebol, mal comparando poderíamos dizer que tínhamos uma Harvard do futebol brasileiro ou até se preferirem um Vale do Silício aqui no Brinco. Perdemos grandes professores com P maiúsculo como Pupo Gimenez, Helio Maffia, Donizetti, Julio Toledo Piza (pai do Evaristo Piza), Ladeira, Lygio e muitos outros.

  9. Oi Ortiz !

    Feliz 2015 para você e toda a coletividade bugrina !

    Parabéns por esta coluna ! Muitos bugrinos de minha faixa de idade (eu tenho 38 anos), com certeza, estão adorando. Para os bugrinos mais novos, sem dúvida que é uma oportunidade para conhecer dias melhores já vivenciados pelo Guarani Futebol Clube.

    Especificamente sobre esta parte 3, aproveito para compartilhar algumas de minhas lembranças que não foram citadas nem no texto e nem nos comentários dos amigos bugrinos.

    – Houve um jogo entre Anapolina e Novorizontino que não era da última rodada da 1a fase da Série B de 1991 mas, se não me engano, foi adiado e ocorreu pouco antes ou pouco depois da última rodada. Neste jogo, o bugre dependia do Novorizontino não perder de 7 para o Anapolina e o Novorizontino, já classificado, mandou time reserva para Anápolis. Lembro da cobertura das rádios de Campinas comentando preocupações sobre este jogo e o pessoal do Novorizontino garantindo que não perderiam de 7. Este jogo acabou 2×2.

    – No Campeonato Paulista de 1990, a final foi Bragantino x Novorizontino. Porém, quase que esta final foi Bugre x Bragantino. Lembro de um dos últimos jogos da fase semifinal (entre Guarani x Ferroviária no Brinco). A Ferroviária não ganhava de ninguém e venceu o bugre por 1×0 (gol de Wanderley, que depois teve passagem pelo bugre). Neste jogo, o bugre teve um penalti que o Rubem mandou na trave. Se o bugre tivesse ganho esta partida teoricamente fácil (pois a Ferroviária só ganhou este jogo dos 12 jogos da Terceira Fase no Grupo no qual estavam ela e o Bugre) provavelmente teria chegado na final do campeonato. Aí a final Bugre x Bragantino reviveria jogos que aconteceram em vários coletivos no Brinco, pois a base do Bragantino era formada por ex-jogadores do bugre (transação do Vitor Hugo já citada na coluna).

    – Por falar em Rubem, considero este um jogador que deveria ser mais lembrado pela torcida bugrina. Ele fez muitos gols com a camisa do Bugre (não tenho os números, mas lembro que foi quantidade considerável). Pena que ele ficou tão pouco tempo no Brinco. Se não me engano, ele foi vendido para o Palmeiras e não teve a mesma performance lá.

    – Assim como o Rubem, outro jogador que precisamos citar mais, na minha opinião, é o Edu Lima.

    – Hoje temos uma dificuldade enorme de acharmos um camisa 9 de qualidade. O último que tivemos foi o Bruno Mendes depois de muito tempo sem um fazedor de gols com a 9 do bugre. Somente falando de 1990 a 1996, além de Luizão, Amoroso (que jogava com a 10), Rubem (que já citei), tivemos também Clóvis e Ailton Queixada (mais dois atacantes que fizeram muitos gols com a camisa do bugre) além do Vonei (citado na coluna). Parece que brotavam artilheiros no gramado do Brinco 🙂 Isso sem falar da década de 80…

    – Dessa época, eu tenho guardado até hoje (em fita cassete) um dérbi que o bugre venceu no Brinco por 1×0 (21/03/93), segundo turno do Campeonato Paulista. Narração de Nei Sergio, comentários de João Carlos de Freitas, com José Ribeiro no plantão (antiga Rádio Educadora, escrete do rádio 🙂 ). Foi um dos jogos do tabu que durou mais de 15 anos em dérbis. Bugre ganhou com gol do Tiba 🙂 Flamarion era técnico do bugre e Pepe, desta vez, era o técnico do adversário.

    – Após o gol do bugre neste dérbi de 1993, o Nei Sérgio diz, na transmissão, que nunca havia sentido o tobogã balançar tanto 🙂

    – No dérbi do 1o turno do Paulista de 1993, o bugre também venceu (foi 2×1). Este foi o dérbi no qual poucos dias antes o Edilson Capetinha foi vendido para o Palmeiras, o que gerou protestos por parte da torcida bugrina.

    – Por falar em Edilson Capetinha, sugiro citar no próximo texto desta coluna o time de 1992, a vitória estupedenda de 5×2 sobre o Palmeiras e o fato do bugre ter chegado muito perto da final do Paulista deste ano. Infelizmente tivemos aquela derrota em Mogi Mirim, gol do Leto. Vencendo este jogo estaríamos na final, pois o Palmeiras perdeu para o Corinthians jogando no Morumbi. Bastava a vitória do bugre em Mogi…

    – Com o Marcos Garça fazendo milagres no gol do bugre, algum “entendido de bola” resolveu trazer o Carlos (ex-seleção brasileira da Copa de 1986). Foi uma tremenda injustiça na época.

    Duas pequenas correções no texto da coluna:

    – O Cristóvão que jogou no bugre hoje é técnico com o nome “Cristóvão Borges” e não “Cristóvão Buarque”. Cristovam Buarque é o nome de um senador 🙂

    – Julimar (lateral-esquerdo) veio da Ferroviária para o Bugre e não jogou no Corinthians. O “ambos ex-Corinthians” que aparece no texto com certeza refere-se à Biro-Biro e Edson Abobrão. Aliás, além de Julimar, o Bugre contratou Vonei e Wanderley (que já citei) também da Ferroviária nesta mesma época. Se não me engano, Vonei chegou a ser artilheiro do Paulista da Série A1 jogando pela Ferroviária antes de jogar no Bugre.

    Um grande abraço

    Raphael Mantilha

  10. – No dérbi do 1o turno do Paulista de 1993, o bugre também venceu (foi 2×1). Este foi o dérbi no qual poucos dias antes o Edilson Capetinha foi vendido para o Palmeiras, o que gerou protestos por parte da torcida bugrina.
    Naquele 1993, o derbi, no chiqueiro abriu o paulistinha e a torcida na bronca com a venda precoce do Edilson aos porcos. Mas derbi é derbi e nesta guerra houve trégua da torcida ao senhor palicari durante os 90 minutos.
    No segundo tempo, jogo empatado nasceria o curioso e consagrado grito de guerra de nossa torcida a uma jovem promessa.
    Até hoje eu lembro daquele gol nos fundos do chiqueiro (portanto defronte a nossa massa), numa manhã ensolarada de domingo um menino no alto de seus 17, 18 anos com a “pesada” camisa 9 fazia sua estréia como titular. Mata uma bola na entrada da área, dá um corte num cabeça-de-bagre e bate embaixo da bola encobrindo o goleirinho-xita – diria o Silvério se lá estivesse: “-E que Golaço!!!!” Uma loucura e Festa no Chiqueiro!! Guarani2a1 em nosso quintal.
    O menino com muita personalidade corre até o alambrado e comemora junto a massa. Reza a lenda que abraçado aos muitos bugrinos, teria dito qua ainda seria nosso ídolo. – E foi mesmo! Não se consagrou ainda naquele 1993… Foi seu único gol daquele paulista, tendo sido irregular durante todo o restante do campeonato, assim como o time. E quem se importou?

    Pois nascia ali no chiqueiro o “ARTILHEIRO DE UM GOL SÓ!” Ou ainda, como cantamos até hoje no grito: “Luizão, Luizão o Terror do Chiqueirão!!”

    Mandou bem Raphael, muito boas lembranças….quanta saudade dos velhos tempos de “Bugrao Exportação”!!!

    NOSSO NEGÓCIO FOI E SEMPRE SERÁ A NOSSA BASE! DEIXA OS MENINOS JOGAREM.
    FELIZ 2015 A BUGRINADA SOFRIDA E APAIXONADA!

  11. Oi Ronaldo e coletividade bugrina !

    Sem dúvida, o “Bugrão Exportação” deixou saudades.
    Tenho também saudades do Pereira Neto.
    Também do Nei Sérgio dizendo “Se for pro gol, me chama que eu vou Guarani”.

    Tinha até aquela musiquinha:
    “Hoje é dia de jogo e eu me vejo no meio do povo a cantar
    Hoje é dia de festa, alegria,carnaval, hoje tem futebol

    Vai firme meu time, bonito, vai fundo
    e nesse segundo eu grito goooooool, gooooool”

    Quem ouvia a Educadora, com certeza até lembrou do ritmo da musiquinha só com este trecho da letra 🙂

    Abraço

    Raphael Mantilha

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