Na vitória ou na derrota – Edilson, Edu Lima, Amoroso, Djalminha, Luizão e muito mais – Parte 04/08

Ufa, quanto sufoco na coluna passada, não é mesmo? Pela primeira vez nos encontramos com um rebaixamento e, dois anos depois, conseguimos um acesso! Rápido em um texto, mas longo para quem viveu e torceu, pareciam dias intermináveis sem o Bugre na Série A do Brasileiro.

Mas agora vamos reviver bons momentos do Bugre dentro de campo, e claro, continuar visitando aquela época para tentarmos encontrar nosso rumo de novo.

O ano era 1992, o Guarani estava de volta a Série A do Brasileiro e precisava mostrar a que vinha, ou melhor, a que voltava, mas realmente as coisas haviam mudado até aquele momento. A receita definitivamente era outra, senão vejamos a equipe que estreou no Brasileirão, lembrando que a temporada era aberta pelo nacional e encerrada pelo Paulistão: Marcos Garça, Valmir, Missinho, Pereira e Elias; Valdeir, Aílton e Wanderley; Anderson, Vonei e Edson Pezinho (Cacaio). Técnico: Fito Neves.

Equipe Bugrina no início de 1992. De volta a Série A do Brasileiro!

Pratas da casa? Apenas Marcos Graça (mas por pouco tempo), a aposta era a mesma: Contratar jogadores e foi assim que vieram desta formação o zagueiro Missinho, o lateral Elias, o volante Valdeir, o meia Wanderley e os atacantes Anderson (Sony Anderson, depois se transferiria e destacaria no futebol alemão), Edson Pezinho vindo do Corinthians e Cacaio, o mesmo que se destacou pelo Paysandu na campanha da Série B de 1991.

A equipe ainda teria Zé Teodoro (ele mesmo, o treinador), lateral-direito contratado junto ao São Paulo, e no gol o único prata da casa titular perderia posição, saia Marcos Garça e entrava Narciso, goleiro que se destacou jogando pela Ferroviária de Araraquara (um grande goleiro!).

Uma raridade para a época, o técnico era Fito Neves, que foi mantido durante praticamente toda a campanha, mas no Brasileirão uma campanha modesta marcava a volta do Bugre que não conseguiria avançar à segunda fase onde os oito primeiros colocados decidiriam quem disputaria o título.

Edu Lima era um dos destaques do Bugre em 1992 – Foto: Gazeta Press.

A pressão da Torcida já começava a aumentar e a necessidade de fazer uma grande campanha batia às portas do Bugre quando chegou o Paulistão. Precisando montar uma boa equipe, juntaram-se à base remanescente do Brasileirão dois jogadores, um já com carreira sólida, o ponta-esquerda Edu Lima, vindo do Atlético-MG e com passagens, entre outros, por Cruzeiro, Inter-RS e Bahia, o outro atacante era um desconhecido, seu nome? Edilson, atleta que havia disputado divisões inferiores do Paulistão pelo Tanabi.

Edilson e Edu Lima imediatamente se tornaram titulares do time de Fito Neves e caíram nas graças da Torcida. Bem entrosados, ainda restava a Edilson os traços dos jogadores habilidosos que marcaram época no futebol brasileiro com um futebol alegre e ofensivo. Já Edu Lima com sua perna esquerda tinha um chute como poucas vezes se tinha visto no Brinco de Ouro da Princesa, um verdadeiro canhão.

A equipe que estreou no Paulistão teve Narciso, Gustavo, Missinho, Fernando e Souza; Valdeir, Aílton e Edílson (Taíka); Anderson, Wanderley e Edu Lima (André Beraldo). Técnico: Fito Neves. Prata da casa? Só Gustavo, o lateral-direito.

No banco de reservas acabava a estabilidade. Fito Neves que assumiu a equipe no início do ano deixava o comando para a chegada de Nelsinho Batista, que ficaria por pouco tempo comandando o Bugre até que Flamarion, então técnico da equipe de juniores assumisse e terminasse a competição.

Um capítulo a parte nesta temporada, um jogo inesquecível para a Torcida Bugrina aconteceu em 18 de novembro de 1992 quando o Bugre, já pela segunda fase do Paulistão recebeu o poderosíssimo Palmeiras-Parmalat no Brinco e não tomou conhecimento do adversário, aplicando uma goleada de 5×2 de virada, que poderia ser ainda maior, afinal Edu Lima cobrou um pênalti na trave logo no início da partida.

Depois disso o Bugre veria Evair (ele mesmo) abrir o placar para o Palmeiras, mas logo depois reagiria e com gols de Gustavo e Edilson encerraria a primeira etapa já em vantagem no placar. No segundo tempo um verdadeiro passeio com Edilson e Edu Lima ampliando o marcador, até que Toninho diminuísse, mas novamente Edu Lima, aos 47 minutos, desse números finais ao jogo, e que jogo! CLIQUE AQUI E VEJA O VÍDEO DA PARTIDA.

O Bugre que atropelou o Palmeiras-Parmalat teve: Marcos Garça, Gustavo, Missinho (André Beraldo), Fernando e Souza; Valmir, Aílton e Edílson; Tiba, Raudinei (Da Silva) e Edu Lima. Técnico: Flamarion.

O atacante Tiba havia vindo do Bragantino, o goleiro prata da casa Marcos Garça, reserva de Narciso aparecia entre os titulares e outros dois pratas a casa entrariam no decorrer da partida, o zagueiro André Beraldo e o volante Da Silva.

Se precisava de uma boa campanha para acalmar a torcida, o Bugre conseguiria, pois disputaria com o Palmeiras a vaga na final do Paulistão até a última rodada do returno, quando derrotado por 1×0 para o Mogi Mirim, viu o clube paulistano classificar-se para a decisão que aconteceria contra o São Paulo.

Mas a polêmica voltaria a tomar conta do Brinco. Destaque da equipe, valorizado e ainda tendo muito a render, na véspera da estreia do Bugre no Paulistão de 1993 (o calendário novamente foi invertido e o Paulista abria a temporada), nada mais, nada menos do que um derby que aconteceria fora de casa, o presidente Beto Zini mandou buscar o atacante Edilson na concentração da equipe, pois acabava de negocia-lo com o Palmeiras. Desnecessário dizer do descontentamento e dos protestos vindos das arquibancadas.

Luizão, o terror do Chiqueirão. Jovem atacante estreia com gol da vitória em derby.

Porem a saída de Edilson abriu espaço para um prata da casa no ataque Bugrino, em seu lugar a opção foi escalar o jovem atacante Luizão, um dos destaques do time de juniores que praticamente estreava na equipe com um grande desafio pela frente.

A estreia foi inesquecível, o Bugre emplacou uma sonora goleada de 4×1 sobre o rival na preliminar com seu time de aspirantes e o time profissional venceria a partida por 2×1, com o gol da vitória marcado por Luizão (surgia ai o chavão “Luizão, Luizão, o terror do Chiqueirão!).

A equipe que estreou vencendo o derby no Paulistão tinha Marcos Garça, Gustavo, Nildo, Missinho e Rocha; Valmir, Carlos Alberto Pael e Robert (Gilmar); Tiba, Luizão (Ricardo Eugênio) e Alex e era comandada por Flamarion. Já era possível ver novamente alguns pratas da casa em campo, contando com Marcos Garça, Gustavo, Luizão e Alex (já falecido).

A campanha foi novamente boa, com o Bugre chegando à segunda fase, o então tradicional quadrangular que dava ao seu primeiro colocado a vaga na final do estadual, e naquela época o Bugre seguia firme, esbarrando sempre no mais que favorito Palmeiras-Parmalat, uma verdadeira pedra no sapato Bugrino nas fases decisivas das competições do início dos anos 90.

Outros pratas da casa despontariam nesta temporada, a equipe ia aos poucos ganhando nomes como André Ceará, lateral-direito, Jura, também lateral-direito, Mauricinho, atacante e a equipe ainda tinha o talentoso e clássico meia Robert.

Chegava a hora de iniciar o Campeonato Brasileiro e o Bugre foi buscar no Flamengo o então campeão carioca Djalminha, um jogador de qualidade incontestável, que havia se desentendido em campo com o atacante Renato Gaúcho e com isso havia sido colocado à disposição no elenco. Nossa, era um craque de bola, como jogava o tal Djalminha!

Por outro lado o atacante Luizão acabaria perdendo espaço na equipe titular que, já bastante mudada em relação à que terminou o Paulistão, teria na sua estreia o comando do carioca Carlinhos, treinador que teria algumas passagens pelo comando Bugrino na década de 1990 e a seguinte escalação: Narciso, Gustavo, Adílson, Fernando e Robinson; Valmir, Valdeir, Ivair (Rodrigo) e Djalminha; Robert (Mauricinho) e Cacaio.

Cacaio que iniciaria a competição como titular perderia a posição pra Clovis. Naquela temporada o Bugre conseguiria sua classificação para o quadrangular decisivo do Brasileirão, mas com uma fraca campanha na reta final, terminaria eliminado com cinco derrotas e apenas uma vitória, alias, esta vitória seria uma sonora goleada sobre o Remo-PA por 8×2 com três gols de Tiba e três gols de Clovis, Henrique e Edson Pezinho completaram o placar que poderia ter sido maior, pois Clovis perderia uma penalidade no final do segundo tempo quando o placar já apontava 8×2 para o Guarani.

A BASE, SEMPRE A BASE!

Em 1994 o Bugre vence o São Paulo no Pacaembu e conquista a Copa São Paulo de Futebol Junior.

Se a temporada 1993 terminou melancólica, o ano de 1994 não poderia começar melhor! O Bugre que já colecionava títulos de Campeão Paulista de Aspirantes, Juniores, Juvenis e outros vice-campeonatos na própria competição, iniciaria 1994 conquistando a Copa São Paulo de Futebol Junior com uma grande geração de novos jogadores.

Antonio Maria Pupo Gimenes, o “Seo Pupo” era o garimpeiro das pratas da casa Bugrinas.

Na final, contra o São Paulo que era apontado como favorito, depois de empatar por 1×1 no tempo normal, o gol são-paulino surgiu de uma falta fora da área que o árbitro marcou pênalti e foi somente aos 40 minutos num belo gol de falta que Rubens empatou para o Bugre, veio um novo empate por 0x0 na prorrogação, em um jogo heroico com André Ceará terminando a partida com um corte na cabeça depois de uma disputa de bola com a zaga do São Paulo e Luizão praticamente andando em campo, com uma lesão, o Bugre ainda teria Carlinhos (hoje treinador do Sub-20) contundido na prorrogação e de volta ao campo, pois não haviam mais substituições. O heroico Guarani venceria na cobrança de penalidades por 3×0, com o goleiro Pitarelli defendendo três penalidades e levantaria a taça. O time Bugrino Campeão da Taça São Paulo tinha Pitarelli; Alberto, Carlinhos, Hélton (Rubens) e Marquinhos; Da Silva, André Ceará, André Goiano (Júlio César) e Andreir; Mauricinho e Luizão (Luís Carlos). CLIQUE AQUI E VEJA O VÍDEO DA DECISÃO.

O técnico era o grande Pupo Gimenez, responsável pela revelação de inúmeros craques na base do Bugre, um gênio do banco de reservas.

Infelizmente a conquista da Copinha não inspirou a diretoria Bugrina na época. No Paulistão de 1994 os campeões apareceriam apenas em partidas esporádicas, quase sempre como substituições no decorrer dos jogos, e a receita distorcida de contratar jogadores e trocar várias vezes de treinador seguia imperando no Bugre. Naquele Paulistão a equipe iniciou sendo comandada por Oscar Bernardi e depois de oito rodadas Candinho assumiria o comando por mais 10 jogos e seria substituído por Levir Culpi.

Mais uma vez sob forte pressão e muitas cobranças da Torcida, chegou a vez do Brasileiro de 1994, e a cereja do bolo já estava pronta. Emprestado ao futebol japonês, um certo Amoroso, destaque da base Bugrina nos anos de 1992 e 1993 voltava ao Guarani, não em tempo de atuar com a equipe Sub-20, mas pronto para assumir seu papel de ídolo dentro de campo, depois de comandar o time de aspirantes naquele Paulistão, formando o grande time de 1994.

Foto: Cedoc – RAC.

No banco de reservas estava o único treinador que poderia realizar tal proeza, era Carlos Alberto Silva quem voltava ao Guarani para comandar a garotada no Brasileirão de 1994 e a equipe que iniciou a competição teria Narciso, Marcinho (Valmir), Reginaldo, Cláudio e Guilherme; Fernando, Fábio Augusto, Edu Lima e Júlio César (Fabinho); Djalminha e Amoroso.

Depois da estreia Luizão assumiria a camisa 9, mas o trio de ferro formado por Amoroso, Djalminha e Luizão atuaria junto apenas em parte de uma partida, foi no jogo Vasco 3×1 Guarani, na segunda rodada que Luizão entrou no lugar de Júlio Cesar durante a partida, atuando ao lado de Djalminha e Amoroso que permaneceram em campo. Logo após a quarta rodada do Brasileiro o presidente Beto Zini negociou Djalminha com o futebol japonês, sim, ele voltaria no ano seguinte, mas quanta falta fez o grande Djalma naquela equipe de 1994 que por pouco não conquistou novamente o Brasil!

Da esquerda para a direita: Luizão, Amoroso e Edu Lima. Foto: Gazeta Press.

Amoroso e Luizão, ao lado de jogadores importantes como o zagueiro Jorge Luiz, os volantes Fernando e Fábio Augusto e o já experiente atacante Edu Lima fizeram bonito no Bugre que foi avançando sobre seus adversários, goleando em casa o Santos por 4×0 com direito a 2 gols de Luizão e dois gols de Amoroso (um deles um dos mais lindos gols da competição) e assim a equipe chegaria à disputa das quartas de final da competição contra o São Paulo, mas a fatalidade, mesmo com um placar favorável inesquecível, tiraria do Bugre a chance de chegar a mais uma final de Brasileirão. CLIQUE E ASSISTA OS GOLS DA PARTIDA GUARANI 4×0 SANTOS.

 

O Bugre perdeu a primeira partida para o São Paulo no Morumbi por 1×0 e naquele dia Amoroso sentiu uma lesão no joelho e deixou o campo para a entrada de Julio Cesar. Amoroso começou imediatamente tratamento e na partida de volta que aconteceu no final de semana, no Brinco, lá estava ele de volta vestindo a camisa 10 Bugrina e enchendo a Torcida de esperança.

Porem, logo nos minutos iniciais da partida, Amoroso voltou a sentir a lesão no joelho esquerdo e para preocupação de todos, deixou o campo, novamente para a entrada de Julio Cesar. Nada de sofrimento, mesmo sem Amoroso em campo o Bugre atropelou o São Paulo, venceu o adversário por 4×2 com Luizão exercendo seu papel de matador e marcando um dos gols. Julio Cesar, Sandoval e Valdeir também marcaram para o Bugre. A última escalação de 1994 do Bugre com Amoroso em campo teve Narciso, Marcinho, Cláudio, Jorge Luiz e Guilherme; Fernando (Valdeir), Fábio Augusto, Sandoval e Edu Lima; Amoroso (Júlio César) e Luizão. CLIQUE AQUI PARA VER OS GOLS DA PARTIDA.

Zinho do Palmeiras disputa bola com Marcinho e Fábio Augusto na semifinal de 94. Foto: UOL Esportes.

Classificado para as semifinais, o Bugre havia acabado de perder seu grande craque e teria o desafio de encarar novamente o Palmeiras-Parmalat, agora sem seu principal jogador. Não deu! O Bugre perdeu por 3×1 no Pacaembu e precisando de uma vitória por dois gols de diferença, perdeu novamente no Brinco em um domingo de muita chuva, e viu o Palmeiras avançar para a decisão e conquistar o título.

Apenas para que os mais jovens tenham conhecimento, vamos dar uma conferida nas escalações das duas equipes na derrota por 2×1 no Brinco de Ouro:

Amoroso e Tulio dividem a artilharia do Brasileiro de 1994.

GUARANI – Narciso, Marcinho, Cláudio, Jorge Luiz e Guilherme; Valdeir, Fábio Augusto, Sandoval e Júlio César; Edu Lima (Leonardo) e Luizão (Tarcísio). Técnico: Carlos Alberto Silva.
PALMEIRAS – Velloso, Cláudio, Antônio Carlos, Tonhão (Wagner) e Roberto Carlos; César Sampaio, Flávio Conceição, Amaral e Zinho (Maurílio); Rivaldo e Evair. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Dois timaços, um Bugre inesquecível, não por coincidência comandando novamente pelo eterno ídolo Carlos Alberto Silva! Amoroso do Bugre e Túlio do Botafogo-RJ dividiram a artilharia da competição, pela segunda vez na sua história o Guarani fazia um artilheiro de Campeonato Brasileiro. Amoroso também levaria, alem da Bola de Ouro pela artilharia, o premio de Maior Revelação do Campeonato, e a Torcida Bugrina ouviria o então técnico da Seleção Brasileira Zagalo afirmar com todas as letras: “Meu time é Amoroso e mais 10!”

 

Curta Conclusão

O Bugre nos anos de 1992 a 1994 seguia a receita de contratar jogadores disputados no mercado com grandes clubes, e mesmo tendo conquistado com seu time de juniores a cobiçada Copa São Paulo, pouco espaço deu a atletas campeões como por exemplo o lateral-direito André Ceará e o grande zagueiro Carlinhos que jogaria pela Seleção Brasileira. Ainda assim, desta equipe Luizão se destacou durante a campanha.

Se na década de 1970 e 1980 a receita era buscar jogadores talentosos e promissores ainda em início de carreira ou precisando de espaço para retomarem seu bom futebol e só depois de três ou quatro temporadas, valorizados, negociar estes atletas, a negociação de Edilson mostra exatamente o contrário. Apenas seis meses de futebol do Capetinha no Brinco e pronto, lá se foi a grande promessa para o Palmeiras, situação muito parecida com a de Djalminha, que menos de um ano depois de chegar ao Bugre era negociado com o futebol japonês mesmo com a equipe dando mostras do grande potencial que teria na disputa do Brasileiro de 1994. Uma coisa é inegável: Este foi O TIME da gestão Beto Zini, marcado pelos meus dois únicos ídolos do futebol: O Mestre Carlos Alberto Silva e o eterno Bugrino Marcio Amoroso dos Santos.

Jogadores das categorias de base também, raramente se firmavam no time, e quando se firmavam, não esperavam o tempo certo de maturação, pouco, ou quase nada se valorizavam, e em seguida vinham negociações. Alias, o Guarani negociou uma quantidade incrível de jogadores na década de 1990, atletas que deveriam ter dado uma estabilidade financeira muito grande ao clube, mas isso misteriosamente não aconteceu.

Assim o Guarani seguiu na primeira metade dos anos 1990, Gigante sim, mas competindo contra outros gigantes, e não nos esqueçamos do principal vilão desta história, o tal Clube dos 13, que seguia com seus poucos e privilegiados integrantes ganhando muito dinheiro vindo das transmissões dos jogos, enquanto o Bugre, um dos grandes destaques destes jogos, nada ganhava.

Dava para equilibrar?

Até a próxima coluna, onde vamos seguir com o Bugre entre os anos de 1995 e 2004, duas épocas, duas eras, o final da gestão Beto Zini e a gestão José Luis Lourencetti. São dois momentos conturbados por si só, mas que terão também a companhia de outro fator novo: A LEI PELÉ.

Estamos escrevendo isso juntos, mas nossa meta é ao encerrar esta série, conseguir mapear o que trouxe o Guarani ao momento que hoje vive. Quem sabe depois disso poderemos recomeçar.

Marcos Ortiz
Planeta Guarani

20 comentários sobre “Na vitória ou na derrota – Edilson, Edu Lima, Amoroso, Djalminha, Luizão e muito mais – Parte 04/08

  1. Caro Ortiz,

    Lendo esta sua matéria deu uma saudade imensa desta época. Apesar de ter sido o início de nossa decrescente, ainda assim éramos sem dúvida uma potência no cenário nacional.

    Creio que, independentemente do momento atual do futebol brasileiro, a receita deve ser basicamente a mesma, investindo na base e com um pequena diferença, com uma administração profissional e comprometida com o sucesso.

  2. Ortiz,

    Você está nos acostumando mau meu amigo, já to que nem criança em véspera de natal, esperando o presente, aguardando ansioso cada nova matéria dessa “trilogia”…..parabéns quantas recordações.

    Principalmente nesse ano de 94, estive em quase todos esses jogos relacionados, com exceção ao jogo com o Palmeiras.
    Será que um dia poderemos ter de volta momentos como esses?? O Guarani era temido por todos grandes e não era raro as goleadas nesses ditos grandes do futebol. Lembrando que como você menciona várias vezes sempre com a mesma receita de bolo pretas da casa + jovens promessas ou craques desacreditados mas co potencial para respeitar e honrar nosso manto sagrado.

    Parabéns mais uma vez

    1. Hahaha obrigado Marcelão, só que eu me coloquei numa fria.. quero ver conseguir resumir os últimos 20 anos em apenas dois textos… ou eu faço verdadeiros livros, ou vou ter que criar mais uma ou duas partes…

      Eu acho importante a gente buscar dentro do campo os exemplos, porque vendo o campo a gente enxerga bem o que aconteceu fora dele também. Quando comecei a série queria falar pouco sobre bola, mas ao escrever vi que isso era impossível, afinal, tá tudo misturado!

      Grande abraço, terça ou quarta-feira que vem eu posto a quinta coluna.

      Marcos Ortiz

  3. Muito bom reviver tudo isso, lembrar da entrada do tobogã entupida de gente naquela noite dos 5 x 2 é de arrepiar!
    Ninguem tira da minha cabeça que naquele campeonato paulista de 92, o presidente vendeu a vaga da final para o Palmeiras. Fui no jogo em Mogi e quem esteve lá deve lembrar como o nosso time andou em campo, Edu Lima bateu escanteio pra fora (inacreditável) foi assim que enxerguei, a situação era a seguinte:
    Palmeiras na tão famosa FILA, jogaria contra o Corinthians já eliminado no Pacaembu e nós contra o Mogi também eliminado, vitória do Bugre associada a derrota do Palmeiras estaríamos na final contra o São Paulo (que ao longo do campeonato ganhamos por 3×2), derrota do Bugre e qualquer resultado no Pacaembu daria Palmeiras na final. Lembram oque aconteceu? Corinthians meteu 3×0 no Palmeiras e nosso amado Guarani andando em campo pra não fazer gols, até que o Mogi fez seu golzinho, mais uma vez nosso sonho acabou!Na chegada em Campinas foi um baita quebra quebra, destruição do ônibus do Bugre e da sede administrativa, a polícia chegou e ai, perna pra quem tem! Atitude estranha do presidente, como foi citado no documentário, o Edilson rapidinho passou a defender o Palmeiras, nosso presidente nem respeitou o desejo da torcida de ver o Edilson destruir a pinguela no Derby.
    Em 94 perdemos o craque Djalminha, mais uma vez pela ambição do presidente pelo dinheiro e isso fez muita falta, por essas e outras o Guarani tinha um excelente time dentro de campo e um banco de reservas fraco. Desculpem por ter citado coisas negativas, é que vejo que o Guarani teve chances de se igualar aos times da capital em conquistas, se fosse bem administrado desde a década de 80 até a atualidade, teríamos ganhado outros títulos de expressão e não estaríamos sofrendo tanto.

    1. Fábio, nesse campeonato fui em TODOS os jogos. Antes desse jogo contra o Mogi, enfrentamos o já eliminado Corinthians no Pacaembú. E o boato da semana foi: o Corinthians vai fazer corpo mole, pois com uma vitória do Guarani, só um milagre tirava o Guarani da final, e assim o Palmeiras estava eliminado.

      E no 1º tempo o Corinthians ANDOU em campo, sem vontade nenhuma. E o Guarani se acomodou. Virou 0x0. E parece que os corinthianos pensaram…”demos muito mole e eles não aproveitaram”. Enfiaram 4×2 na gente. Ficamos atrás 2 vezes e sem muito esforço empatamos. Quando fizeram 3×2 fomos a frente e no contra-ataque tomamos o 4º gol. Nesse jogo o Guarani não jogou 5% da partida anterior, o famoso 5×2 contra o Palmeiras

      Contra o Mogi…..não digo que vendemos a vaga, mas jogamos muito mal contra o Mogi, não criamos chances de gol, o tempo passando e a torcida mais desesperada que os próprios jogadores. Lembro que tocávamos muito a bola, só que lateralmente, sem objetividade. Lembro que na volta a Campinas, o ônibus parecia um funeral, um silêncio total. Na chegada ao Brinco não vi a bagunça, peguei meu carro e voltei para minha casa, em São Paulo, queria chegar rápido, fiquei muito chateado pois fomos a Mogi muito esperançosos.

      1. Depois fiquei analisando….não é ou era perfil do Beto Zini vender uma vaga, abrir mão de um título inédito…Creio que o time chegou no ápice e achou que o caminho para final estava consolidado…e perdeu a concentração. Pelo menos prefiro acreditar nisso.

  4. Lembro-me que até o meio da década de 90 nossas categorias de base tinham times fortes, sempre disputavam e ganhavam títulos estaduais… Por ironia do destino aquele time campeão da Copa São Paulo foi um dos últimos times bons que fizemos em nossa base.
    Nessa época estão dois jogos memoráveis, a goleada de 5×2 contra o Palmeiras e a vitória sobre o São Paulo por 4×2… Apenas uma correção, no 4×2 os gola foram do Sandoval, Luisao, Valdeir( o gaguinho) e Julio Cesar( que substituiu o Amoroso durante a partida).
    Concordo com você Ortiz quando vc se refere a ídolos do Guarani… Para mim o maior ídolo do Bugre de todos os tempos chama-se Carlos Alberto Silva.

  5. Grande Ortiz,
    Que linda reportagem, me encheu os olhos de lágrimas…foi nesse jogo Guarani 5×2 Palmeiras que me apaixonei de vez pelo nosso Bugre…Tenho esse jogo gravado na voz de Osmar Santos. O ano de 1994 foi pra mim (tinha 15 anos rsrs) o melhor, nossa que saudades, ia aos jogos com sonhos de adolescente, assistir o jogo contra o São Paulo espremido no tobogã, tomar chuva contra o Palmeiras…nossa que pena, faz tantos anos e parece que foi ontem.
    Parabéns pela matéria!!! Não sei dizer qual a receita pra hoje, o futebol mudou muito, mas espero reencontrarmos o caminho, ninguém merece ficar no limbo como estamos tendo um passado tão lindo como tivemos.

    Abs,
    Sillas

  6. Eu juro que achei que em 94, mesmo tendo o Palmeiras-Parmalt como “calo em nosso sapato”, o caneco seria nosso.
    Um fato interessante que eu lembrei, vendo o vídeo de 5 x 2 sobre o Palmeiras, foi que era muito comum vermos nos jogos no brinco torcedores dos NUNCA SERÃO secando nosso bugrão, com camisas e/ou bandeiras. Neste vídeo e possível evidenciar isso na cabeceira de entrada, onde naquele época também era ocupada por algumas torcidas visitantes.
    Ortiz, acho que aqui você poderia também ter colocado o vídeo de quando ganhamos do corinthians por 2×1, no dia 12.10.94, onde tivemos infelizmente a morte de um torcedor visitante quando deixaram parte de sua torcida entrar no tobogã, mesmo sabendo que boa parte dos que estavam ali eram torcedores do time da terra do nunca.

  7. Marcos, parabens pelos artigos tao esclarecedores do nosso glorioso passado!
    Estive pensando, hoje, os direitos de transmissao dos jogos estao a cargo da Globo correto? Ela repassa aos clubes o montante que entende que cada clube corresponde a audiencia por isso uns recebem mais do que os outros.Ela faz isso de maneira individual.Como vc disse acima, a Cultura e antiga Manchete, hoje Rede Tv!, transmitiram a final de 86, a globo pode ter picuinha de nós pelo fato ocorrido, assim, nao valeria a pena chegar na Rede Tv! Que é aberta e em HD para que tramsitissem nossos jogos mediante o pagamento de alguma vetba? Por que tem que ser a globo obrigacionalmente? Ela nao paga nada aos clubes da Serie C correto? Busquemos outra emissora garanto que se o Bugre nao tem a audiencia de um Corinthinans, ao menos os amantes do futebol que sao milhoes aceitariam e adorariam ver o Bugre na Tv em sinal aberto e em HD.

    1. É impossível Thiago, porque a Globo compra junto à FPF e CBF os direitos de transmissão dos campeonatos, inclusive da Série C e Série A2. Ela repassa esses direitos a emissoras como a própria Rede TV e Rede Vida (na Série A2), e na Série C repassa à TV Brasil e Esporte Interativo, além de usar a competição para preencher a grade de transmissão do canal por assinatura SporTV.

      Infelizmente nenhum clube pode negociar suas partidas com outra emissora. Se isso não é um cartel, eu confesso que não sei o que mais seria.

      Abraço

      Marcos Ortiz

      1. A Globo detem o monopolio dos direitos de nosso futebol e ponto final. Diferentemente da Inglaterra, cujo futebol apresentou melhora quando se resolveu fatiar os direitos de imagem em várias TVs (incluindo publicas) e ainda dividem em vários lotes a cada fase do campeonato, aumentando a renda dos clubes em vários contratos, sem contar com estadios lotados, com boa organização. La todo mundo ganha. Aqui aonde os contratos sao realizados entre vizinhos, o homem de esportes(?) da globo e Ricardo Teixeira, apenas a Globo e a CBF ganham e todos os demais perdem, inclusive clubes e torcedores.
        Mais um gol da Alemanha!

  8. também “virei” bugrino nos 5×2, inesquecivel pra qualquer criança… tinha 9 anos nesse jogo…
    qualquer análise razoável aponta o BZ como o iniciador da destruiçao do Guarani, ainda que na minha opiniao o maior responsável, justamente por sua irresponsabilidade, é o JLL, este destruiu o Guarani…
    sua análise é perfeita Ortiz. Só agrego como sugestao para os bugrinos que tentam entender como um clube de futebol do tamanho do Guarani virou o que virou:
    A CPI do narcotráfico, em 95, que “desvendou” uma máfia campineira por trás desse negócio ilícito e que teve como um dos inplicados nosso presidente BZ…
    ai fica a pergunta: por que será que tantos jogadores foram negociados em sua gestao? como enfatizou o Ortiz, jogadores que poderiam render muito mais, por muito mais tempo… e que eram negociados inexplicavelmente…
    qualquer coincidencia com o termo “lavagem de dinheiro” nao seria mera coincidencia…

  9. Bugrão 4 x 2 São Paulo. Estava lá com 14 anos.
    Brincão lotado. Jogaççççssssssssssoooooo !
    Nem falo que o último derby foi o melhor jogo da vida pq os irmãos são eternos fregueses.

  10. Em 1994 eu tinha apenas 7 anos. Lembro como o Bugre era um febre. A molecada cantava: “Não é mole não, tem Djalminha, Amoroso e Luizão”. Ouvia as conversas dos adultos e o Bugre era temido. Os são-paulinos se lamentavam e falavam que era muito díficil vencer o Bugre em Campinas. Os próprios palmeirenses da parmalat diziam que o único time que poderia brecá-los era o Guarani.

    Foi aí, nessa época, que eu, com meus 7 anos de idade, me tornei bugrino.

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