Hoje é dia de Guarani! 115 anos do Maior do Interior (do Brasil)!
Acordaram numa manhã de sábado decididos! Hoje é o dia, combinaram durante toda a semana, não tinha aula, ninguém trabalharia: Reunião, vamos criar nosso time de futebol!
Aos poucos foram chegando, juntando os amigos. Precisavam de 12, um time e alguém pra cuidar dele! Pronto, juntaram todos: Vicente Matallo, italiano, era o líder, o cara dos bastidores, os outros queriam jogar bola. Tinha italiano, filho de italianos e até um filho de alemães: Pompeo de Vito, Romeo Antônio de Vito, Hernani Filipo Matallo, Antonio de Luca, José Giardini, José Trani, Julio Palmieri, Miguel Grecco, Luiz Bertoni, Ângelo Panatoni e Afredo Seiffert Jaboby Junior.
Era praça ou era jardim? Pouco importa, era Carlos Gomes, o Maestro, o orgulho campineiro. Mal sabiam eles que o que criariam superaria o orgulho em termos de representatividade! Criaram ali o Guarani Futebol Clube, que na verdade era Guarany Foot Ball Club. É verde como a grama onde se reuniram, veio o branco pela linda manhã de sol claro que os presenteava, e pronto, é Guarany em homenagem ao Maestro!
Foi tudo perfeito, o nome, as cores, a simplicidade dos gestos, ou alguém consegue imaginar uma história diferente? Um Guarani Futebol Clube fundado em outro lugar que não fosse a Praça Carlos Gomes? Só preciso dizer que eram ao menos 12, pode ter tido mais gente, e naquela manhã de sábado muitos se juntaram àquele grupo ali reunido, muitos não registrados pela história, afinal, um time precisava de uma torcida!
Erra quem diz que o Bugre, o apelido viria poucos anos depois, em 1918, se apropriando do termo “pejorativo” dado pelos rivais, surgiu da elite campineira. Apenas três ainda eram estudantes do “Gynásio do Estado”, hoje Culto à Ciência, todos os demais tiveram que abandonar os estudos para trabalharem, alguns eram operários, tinha até barbeiro. Era gente simples, querendo praticar o esporte que a elite lançara, mas do qual o povo se apropriara.
Não consigo contar a história do Guarani, seria necessário um livro, e com centenas de páginas, consigo dizer que Campinas não seria a mesma sem a sua fundação. Consigo dizer que a cidade verde e branca do interior não teria a representatividade esportiva que hoje tem.
Consigo dizer também que a história do futebol brasileiro seria diferente, não teria tido um campeão do interior. Foi além, conquistou duas estrelas, a de ouro e a de prata, nada poderia ser mais bonito pra ornamentar nosso distintivo.
Não consigo expressar o que significa o Guarani na minha vida, consigo dizer que sem ele, minha vida seria diferente. A quem amar dessa forma? A quem me dedicar tanto? Quem homenagear a cada novo dia? Claro, o Guarani existiria sem mim, mas de fato, eu não existiria sem o Bugre!
Os doze ali de cima não criaram uma empresa ou um negócio, eles criaram um time, que depois viraria clube pra poder juntar tanta gente em torno dele. Claro, os tempos são outros, a realidade é outra, o futebol mudou demais. A única coisa que não muda é que 2 de abril é dia do Guarani, é dia de vestir verde e branco, é dia de se encher de orgulho, de lembrar momentos, bons ou ruins, de juntar a turma e cantar o hino, que só veio em 1976, e, como um time que homenageia um maestro, tinha que ser composto por um poeta: Osvaldo Guilherme, e por um Torcedor fanático: Augusto Duarte Ribeiro!
“Eu levo sempre comigo, em todo campo que eu for,
A bandeira do verde e branco, símbolo do Torcedor!
Brinco de Ouro a nossa Taba, construído com devoção,
Nossa Família Bugrina, tem raça e tradição!
Avante, avante meu Bugre, com fibra e destemor,
A cada nova jornada, Guarani é mais amor,
Avante, avante meu Bugre, que nós vibramos por ti,
Na vitória ou na derrota, HOJE E SEMPRE GUARANI!”
Parabéns a todos que um dia na vida, ainda que já não estando mais aqui neste plano, se juntaram pra torcer pelo Guarany, pelo Guarani, pelo Bugre, ou pelo Bugrão! Obrigado aos ao menos 12 meninos que se juntaram e deram origem a isso tudo.
Se a grandeza não era esperada, podem ter certeza, ela é merecida!
Parabéns Guarani Futebol Clube, tenho muito orgulho em dizer que sou Bugrino, e em saber que, quando não estiver mais aqui, muitos outros me substituirão, afinal, a gente passa, o Guarani fica…
Há 115 anos surgia o Maior de Campinas, o Maior do Interior do Brasil, e que tenham sido apenas os primeiros 115 anos de todos os outros que virão!
Salve Bugre, salve Torcida Bugrina! Parabéns pra você, afinal, no dia em que surgiu o Guarani, surgiu o Torcedor do Guarani!
Marcos Ortiz

