Opinião Beto Toledo: Variação Tática, o que de fato isso significa?

Opinião Beto Toledo: Variação Tática, o que de fato isso significa?
Matheus Costa - Técnico do Guarani, em entrevista coeltiva. Foto: Raphael Silvestre/Guarani FC.

A fala do Técnico Matheus Costa de que ele tentou variar o sistema de jogo, chamou a atenção sobre o assunto e levantou a questão, atacar sem organização em uma busca desesperada pelo resultado, pode ser considerada como variação de jogo?

Tem um termo que parece nunca cair em desuso no futebol, me refiro a tão falada “variação tática”. Às vezes me deparo com esse termo em debates não muito pedagógicos, na boca do torcedor comum, aquele que só quer gritar gol e ser feliz, essa frase normalmente vem acompanhada de outras como, “tem que ter raça” ou então, “esses jogadores não tem amor à camisa”, mas a verdade é que esse assunto é bem mais profundo do que aparenta ser, variar taticamente, pode se referir a um momento do jogo, ou então a mudanças de uma partida pra outra, pode até mesmo se referir a mudança do posicionamento de um ou mais atletas dentro de uma mesma partida específica, isso sem ter que necessariamente se fazer uma troca nominal, uma substituição.

São inúmeras as possibilidades de se fazer isso, os treinadores costumam treinar diversas situações durante os trabalhos diários, e em jogo, dependendo da necessidade, aplicar estas situações, pra tanto, o tempo de trabalho é fundamental para que o treinador conheça a fundo seu elenco e mais do que isso, conheça a fundo as características individuais de cada jogador para que daí sim, possa fazer alterações assertivas e sabendo onde e quando pode contatar com cada um.

Optar por vários atacantes é mudança tática? Foto: Raphael Silvestre/Guarani FC

Na entrevista pós empate do Guarani com o Santos, no último domingo, o Treinador Bugrino Matheus Costa, afirmou ter feito uma variação tática nos minutos finais, para tentar buscar o resultado.

Fico feliz que deu certo a entrada do Kauã que foi a origem do passe, o cabeceio do Kewen, então a gente manteve o controle da partida com cinco trocas e sempre organizado e mudando inclusive a plataforma de jogo” – Tecnico Matueus Costa, em entrevista domingo, 20 de janeiro.

É fato que a entrada do meia Isaque, apesar de ser posição por posição, trouxe sim uma forma diferente no modelo de jogo, posso citar também o recuo do Volante Nathan Mello com o Wilhan Faria passando a jogar mais como segundo homem. Defensivamente jogavam em linha, mas na armação de jogo essa troca ficou bastante evidente, a plataforma de jogo, continuou a mesma, o 4-3-3 porém, com um reposicionamento das peças, isso é sim considerada como variação tática, se um ou mais jogadores passam a ocupar uma nova faixa de campo, esse movimento representa uma variação da tática de jogo, seja ela coletiva ou individual.

Cria da base, Kewen tocou na bola pra fazer o gol – Foto: Raphael Silvestre/Guarani FC.

O que eu não consigo considerar como variação é a equipe nos minutos finais de um jogo, abrir mão de todos seus volantes, encher o time de atacantes em um ato de desespero e chamar isso de mudança na plataforma de jogo, não há como não dizer que as mudanças tiveram efeito prático, tendo em vista que o Guarani conseguiu seu gol, mas daí a dizer que há mérito estratégico nisso, existe uma distância grandiosa, o gol sai em uma bola parada onde qualquer um dos jogadores que estavam na área poderia ter tocado nela, entretanto quis o destino que o estreante Kewen chegasse primeiro e colocasse a bola na rede. O centroavante que é cria da base bugrina precisou de apenas oito minutos em campo e um único toque na bola pra mudar a história da partida e talvez do próprio treinador no comando do Guarani, mas ainda assim, não dá pra concordar que a mudança precisava ter sido adiada até quase o fim do tempo regulamentar, pra mudar o jogo taticamente, precisa de coragem e mais que isso, precisa de convicção, infelizmente esse humilde colunista não conseguiu ver essa convicção até aqui nas mudanças do nosso “treineiro”.

Da pra sair do 4-3-3, dá pra sair da linha de quatro defensiva, dá pra povoar meio campo com meias ao invés de usar atacante de beirada, dá pra se fazer muita coisa, só que pra isso, precisa deixar de lado a vaidade e entender que certo é o que traz resultado e não o que vai ao encontro de crenças e paradigmas individuais.

Beto Toledo.