Opinião Marcos Ortiz: Quem não ganha decisões, não se estabelece
Na coluna anterior abordei os aspectos financeiro e de planejamento afetados pelos péssimos resultados dentro de campo do Guarani Futebol Clube, agora quero tentar analisar, sem crucificar, o trabalho da comissão técnica e do departamento de futebol.
Eu não vou falar de planejamento, vou falar de jogos decisivos do Guarani, comandado por Matheus Costa:
Assumiu o comando na reta final da 1ª fase da Série C e disputou 5 decisões, sem esses resultados o Guarani não teria se classificado. Isso é fato, e tem que ser dito, Matheus costa conseguiu o que a imensa maioria da Torcida não acreditava ser possível, chegou à 2ª fase da Série C. Aqui não cabem críticas ao trabalho, mas vamos olhar com lupa os jogos decisivos nas três competições em que o comandante levou seu time a campo:
Tombense x Guarani – Última rodada da 1ª fase da Série C. O Guarani jogava por uma vitória que lhe daria a classificação e uma posição melhor para a formulação dos quadrangulares decisivos. Vencia a partida por 2×0, sofreu o empate, e por pouco não sofreu a virada. Matheus Costa não conseguiu vencer, apesar de o empate ter trazido a vaga.
Derbi 211 – No Brinco de Ouro, estreando na 2ª fase, o Bugre pez uma péssima partida, diante de 19.500 Bugrinos, e perdeu por 1×0. Matheus Costa não conseguiu vencer.
Náutico fora de casa – Este é o melhor jogo do Guarani sob comando de Matheus Costa. Com uma mudança no esquema de jogo, 3 zagueiros e um time montado para o contra ataque, o Guarani venceu por 2×0, chegou a fazer outros dois gols anulados, em que pese ainda nosso goleiro ter defendido uma penalidade. Matheus Costa venceu um jogo decisivo e fez um bom trabalho.
Brusque, no Brinco – Não foi uma grande partida, mas foi uma vitória magra por 1×0, suficiente para recolocar o time na briga pelo acesso. Matheus Costa venceu um jogo decisivo.
Bruque, em Brusque – Fora de casa, apoiado por um grande número de Bugrinos, o Guarani abriu o placar, sofreu a virada, buscou o empate, mesmo com um jogador a menos, mas no último lance da partida sofreu o terceiro gol e o placar terminou 3×2 pro adversário. Matheus Costa não conseguiu vencer um jogo decisivo.
Náutico, no Brinco – Jogo decisivo, uma vitória traria o acesso ao Guarani, e o time vencia por 1×0 até ficar com um jogador a menos, depois de uma expulsão ridícula do entoa capitão do time. Sofreu o empate 2 minutos depois da expulsão, e não conseguiu mais criar oportunidades. Matheus Costa não conseguiu vencer um jogo decisivo.
Dérbi 212 – Fora de casa, contra uma equipe que já estava classificada para a Série B, mas num jogo onde uma vitória levaria a equipe ao acesso e à disputa do título da competição, o Guarani jogou muito mal, perdeu o jogo por 2×0 e, naquilo que classificamos como a maior vergonha da história, foi sepultado na Série C de 2026. Matheus Costa não conseguiu vencer um jogo decisivo.
Apesar de considerar todos os jogos do Paulistão como decisivos, entendo que a não classificação do Guarani passou por uma partida específica, o Botafogo, no Brinco.
O Bugre jogava por uma vitória em casa que traria uma classificação antecipada, e poderia colocar a equipe no G4 do Paulistão. Esqueceu o futebol, a competitividade e a vontade nos vestiários, e perdeu o jogo por 2×0. Matheus Costa não conseguiu vencer um jogo decisivo.
Palmeiras, fora de casa – Essa era a última chance, depois de perder a chance de garantir a classificação, restava enfrentar e vencer o Palmeiras na última rodada. O time fez o que pôde, se entregou, correu, marcou, preencheu espaços, abriu o placar, perdeu grandes chances, mas sofreu o gol de empate, e ,não fosse uma grande atuação do goleiro Caíque França, teria perdido a partida. Apesar de não ser este o jogo, mais uma vez, Matheus Costa não conseguiu vencer um jogo decisivo.
Castanhal, Copa do Brasil – Fora de casa, voltando a disputar a Copa do Brasil após 3 temporadas, o Bugre jogava por uma vitória para chegar à fase seguinte. Saiu perdendo, buscou o empate ainda no primeiro tempo, mas produziu muito pouco, mesmo diante de um adversário de investimento modesto. Empate e derrota nos pênaltis, desta vez foram das chances, e mais uma vez, Matheus Costa não conseguiu vencer um jogo decisivo.
Campanha de Matheus Costa em jogos decisivos: 2 vitórias (Náutico e Brusque), 4 empates (Tombense, Náutico, Palmeiras e Castanhal) e 4 derrotas (2 Dérbis, Brusque e Botafogo). Conquistou 10 pontos em 30 pontos decisivos disputados, um aproveitamento de 33,33%.
Claro que não poderia deixar de lembrar que Matheus Costa conseguiu duas sequências de três vitórias, a primeira na 1ª fase da Série C, a segunda na 1ª fase do Paulista, uma dessas vitórias em um Dérbi, mas na hora da decisão, em uma partida que valeria o futuro do clube nos seus objetivos, o treinador não conseguiu extrair o chamado “algo mais” da sua equipe. Ele é o único culpado? Não! Dirigentes, e principalmente atletas tem muita culpa nisso, talvez até mais do que o próprio Matheus Costa, o problema é que o debate estabelecido é:
Manter, ou não manter Matheus Costa à frente do Guarani? E eu sei que a pergunta que mais me farão será: Vai contratar quem pro lugar? Pra isso temos dirigentes, executivo e coordenador de futebol, pra decidir se o treinador fica ou não, e quem será eu substituto em caso de saída.
Eu só posso torcer, mas torço por um Guarani melhor, que passa por um time que consiga vencer jogos decisivos.
Marcos Ortiz

