Torcida organiza a Festa Popular do Centenário, clube elitiza evento e faz jantar na Hípica
Foi logo depois da eleição que percebemos um detalhe, faltava menos de um mês para o centenário do Guarani e nós não víamos nenhuma organização sendo feita pela diretoria para que a Torcida pudesse comemorar a data, lembro bem do telefonema que recebi do amigo Fabio Araújo, e ai percebemos, se nada fosse feito, o dia passaria em branco pelo Torcedor comum. No final de semana uma reunião na casa de outro amigo, Marcos Neves, lá estavam os outros amigos Marcelo Merlo, Marcelo Tasso (me desculpem se esqueci de citar alguém), além de representantes das três Torcidas Organizadas, Fúria Independente, Torcida Jovem-Gua e Guerreiros da Tribo. Contando cm o apoio de todos, decidimos ali que montaríamos um programa e procuraríamos pela diretoria para que pudéssemos organizar uma festa popular em comemoração aos 100 anos do Bugre, e fizemos.
Cada um assumiu uma área, procuramos pela diretoria, não foi fácil, mas chegamos a um acordo. A festa aconteceria na cabeceira principal, e nós havíamos preparado um cronograma que começava com uma carreata saindo da Praça Carlos Gomes na sexta-feira à noite, indo até o Brinco de Ouro, onde entre musicas, festa, alegria e um cerimonial montado pelo grande amigo, o historiador Fernando Pereira que contava a história do Guarani, homenagearia pessoas e atletas importantes desta história, esperaríamos a chegada da meia noite quando uma queima de fogos ao som do Hino Oficial daria parabéns ao Bugre, a partir dali um clube com 100 anos de história!
A partir daqui se juntou a nós o Oswaldo Pituca que assumiu o comando da comemoração na queima de fogos que aconteceria pontualmente à meia noite, após o término da contagem regressiva de 100 a 0.
E dinheiro? Não tinha… desespero, precisávamos arrecadar dinheiro porque no dia 02, um sábado, também havíamos programado a realização de shows musicais e novas homenagens, e isso tudo, além do que gastaríamos com o transporte dos familiares de todos os 12 fundadores do Bugre, custaria caro.
Não dá para esquecer o empenho de outra pessoa importantíssima nesta organização, o Bugrino Leandro Venezian, o Caveira da Fúria Independente. Saímos à caça de patrocinadores e colaboradores, mas antes fizemos um acordo com a diretoria. O Guarani tinha direito a 20 mil latas de cerveja da sua então patrocinadora, a Brahma. Pedimos ao clube que cedesse essas cervejas para serem vendidas, o valor arrecadado seria destinado ao pagamento do restante das despesas e o que sobrasse seria entregue ao Guarani, sem nenhum prejuízo. Pronto, estava tudo certo e a Festa Popular do centenário estava garantida! Que nada, pouca gente sabe, mas na véspera, na quinta-feira (31/03) fomos informados pela diretoria que as latas de cerveja não seriam mais cedidas, o Guarani só aceitava vende-las ao preço de custo de mercado.
Não dava mais tempo de cancelar, ai conseguimos um colaborador que foi fundamental para a realização do evento, foi o Guedes, hoje permissionário dos bares do estádio Brinco de Ouro nos dias de jogos, e grande Bugrino, que foi chamado e não disse não, aceitou o desafio, comprando todas as latas e assumindo o risco, mas também potencial lucro ou prejuízo. Melhor deixar essa questão financeira para lá agora né, o resultado todos já sabem:
A Festa Popular do Centenário foi um sucesso na noite de 01 para 02 de abril, já no sábado dia 02 pouca participação nos shows, até pelo clima chuvoso, mas o marco histórico estava feito, nossa Torcida havia comemorado o Centenário da nossa grande paixão, e contando com cerca de 6 mil pessoas entre cabeceira e gramado, todos se emocionaram quando, entre outros, Carlos Alberto Silva e Amoroso entraram juntos para o gramado, subiram ao palco e se emocionaram ao lembrarem de todos os momentos que passaram no Bugrão.
A emoção não foi menor quando à meia noite, com a presença de todos os familiares dos 12 fundadores, um tambor de cada uma das nossas Organizadas bateu por 100 vezes fazendo a contagem regressiva e pontualmente à meia noite começou a queima de fogos e a execução do Hino Oficial, neste momento eu deixei a apresentação do evento e fui ao fundo do palco, às lágrimas. O Guarani tinha 100 anos de história, e mais um marco positivo, não houve nesta cerimônia toda nenhuma alusão política, nenhum discurso, absolutamente nada, só comemoramos o aniversário de 100 anos do Bugre.
Obrigado a estes aqui citados, aos então presidentes das três Organizadas, Richard (Fúria), Bruno (Jovem-GUA) e Indião (Guerreiros), todos os seus integrantes e todos os torcedores que fizeram conosco aquela grande festa.
Já a Diretoria Executiva decidiu fazer “um pouco” diferente, organizou um jantar no salão do Clube Hípica de Campinas realizado no dia 06 de abril, cinco dias depois. Com ingressos caros, convidados ilustres e apresentação do narrador do canal SporTV, Milton Leite, onde a imprensa campineira teve que ficar limitada a uma ante sala, acompanhando tudo à distância,o Centenário do Guarani também foi comemorado ali.
Marcos Ortiz
Planeta Guarani

