Opinião Marcos Ortiz – Eu e o Dérbi, o Dérbi e eu – Hoje e Sempre
Estamos vivendo uma semana diferente, semana de Dérbi é assim, traz memórias, lembranças, saudades, expectativas. É inegável, mexe com a gente.
Lembro do menino que saiu de casa pela primeira vez em 1977, cinco aninhos, e foi ver seu primeiro Dérbi, foi na casa do adversário, meu pai, minha saudosa mãezinha e eu, isso mesmo, famílias no estádio, desde aquela época. E não da pra esquecer, tinha uma entrada só no estádio a gente ficava na cabeceira de entrada.
As duas torcidas entravam “juntas”, isso não significa clima ameno, significa provocações, claro que devem ter rolado alguns “contatos físicos” ali, mas eu confesso que não vi nada, só via o campo, a Torcida Bugrina e aquela camisa verde, que desde pequeno me alucinava. O placar daquele jogo pra mim pouco importa, minha lembrança não traz quanto foi o jogo, é o site do Mariolani que me ajuda a lembrar que a gente perdeu por 3×1.
Dou um salto de alguns anos, chego a 1984. Cresci, já tinha 13, adolescente que acha que pode tudo. Eu já ia há alguns anos sozinho pros jogos, muitas vezes escondido, sem dinheiro pro ingresso, a pé lá do Flamboyant até o Brinco, procurando o “Tio Paulo”, que trabalhava na minha escola, e fazia bico nas catracas do tobogã.
Mas ela fazia questão, dérbi não, você só vai se eu for junto. Ela, é claro, minha mãe, e lá fomos nós, domingão à tarde, tobogã, sentávamos sempre nos degraus mais altos, perto da Guerreiros mas bem lá em cima, e foi de lá que me veio a lembrança daquele gol do Neto do meio da rua, foi um frango, mas ao mesmo tempo foi um golaço. Ganhamos por 3×1, pronto, saldo zerado. Perto do fim do jogo uma confusão na cabeceira do fundo, gente usando a trave de treino pra passar pelo fosso e invadir o campo, caixas de som quebradas, polícia. Foi aí que ela me disse, viu porque você não pode vir sozinho?
Aí já dou um salto, não sou mais adolescente, já sou adulto. Cheguei em 1993, outro domingo, e agora era eu quem levava um adolescente, que na verdade eu já carregava pro Brinco desde a infância. Minha mãe já tinha me entregue pra Deus, ficava em casa rezando nas viagens em caravana, já tinha sofrido tanto… mas lá estávamos, o Guinha e eu… meu primo, ensinei, levei, ah, e como ele aprendeu viu! Bugrino fanático, hoje nem tanto mais. Ainda íamos a pé lá do Flamboyant, agora porque a gente gostava mesmo, e dentro de campo vimos a vitória por 1×0 com gol de Tiba. Que festa!
Depois disso foram tantos Dérbis, tantos jogos mágicos, vitórias lindas, derrotas doloridas, algumas justas, muitas injustas. Eu vivi tudo isso, e como sinto falta dos Dérbis, mas confesso, gostava mais dos de antigamente, eles me trazem três coisas que amo, minha mãe, minha família e o Guarani, nem sempre nessa ordem, mas com ela sempre em primeiro.
Quem era o presidente? Ah, eu até sabia, mas pouco importava. O treinador? Confesso, sabia sim quem era, mas só lembrava dele quando ajudava a Torcida a homenageá-lo.
Confesso, pra mim não existe Dérbi Campineiro, existe Dérbi, palavrinha curta, mas que faz parte da minha vida desde sempre, ou ao menos desde que eu me lembre.
Sábado tem mais um, não tenho mais minha mãe, meu pai há mais de 30 anos não vai a um jogo, na verdade, nem eu… hoje são raras as minhas idas, por conta da Rádio Planeta Guarani. Digo sempre, quem me representa nos Dérbis e nos outros jogos no Brinco é a minha noiva, ta sempre lá, e ela segue a cartilha, vai com o pai, com a, ou as sobrinhas, eventualmente com a irmã. Que orgulho, família, sempre família.
Seja qual for seu exemplo, ou seu companheiro de Dérbi, junte e guarde essas lembranças, esses momentos, isso é história, isso é amor, isso é dedicação, isso tem nome: É a nossa Família Bugrina, aquela que tem raça e tradição, e que canta sempre: “Avante, avante meu Bugre”!
Sábado tem Dérbi, quantas famílias representarão a Família Bugrina neste jogo? Muitas… famílias de sangue, famílias de apego, famílias de amigos, famílias! O treinador? Não importa! O presidente? Não importa também! Na verdade ele deve ser só mais um Torcedor, não só nesse, mas em todos os jogos. Importa é que a camisa, aquela que nos faz sentir tantas e tantas emoções, com aquele distintivo do Bugre no peito, estará em campo, em mais um Dérbi, que não é Dérbi Campineiro, é Dérbi e pronto!
E claro, todas essas pequenas, e muitas outras lembranças, estarão comigo, porque eu levo sempre comigo, em todo campo que eu for, a bandeira do verde e branco, símbolo do Torcedor! Porque o Brinco de Ouro é a nossa taba, construímos com devoção, e porque a nossa Família Bugrina, tem raça e tradição!
Derbou, Família Bugrina! Vivamos o Dérbi.
E pra acabar: Dérbi a gente não joga ta, Dérbi a gente quer é ganhar!
Marcos Ortiz

