Sangrando nos próprios erros, Bugre volta com empate diante da Ferroviária
Bugre busca o empate contra a Ferroviária em duas ocasiões, mas partida pela Série C é marcada por falhas defensivas graves e dependência crônica de bolas aéreas.
Em confronto válido pela 4ª rodada da Série C do Campeonato Brasileiro nesta segunda-feira (27), o Guarani visitou a Ferroviária na Arena da Fonte Luminosa e amargou um empate por 2×2. O jogo evidenciou um acúmulo de erros de posicionamento e tomadas de decisão que expuseram a defesa e engessaram o ataque.
O nível de atuação foi alvo de duras críticas do próprio técnico Elio Sizenando, que, após a partida, cobrou “vergonha na cara” do elenco e admitiu a necessidade imediata de estancar os erros para que a equipe consiga evoluir no campeonato.
Pane no Sistema Defensivo
A defesa Bugrina, formada inicialmente por Ynaiã, Rafael Donato, Jonathan Costa e Emerson, sofreu com a falta de compactação. Os dois gols da Ferroviária (ambos marcados por Allison) nasceram diretamente de falhas na estrutura e na concentração do Guarani.
Uma exposição no contra-ataque aos12 minutos do 1º tempo: No primeiro gol, o Guarani subiu para o ataque de forma desorganizada e deixou um buraco no sistema defensivo. A Ferroviária aproveitou o espaço e engatou uma transição rápida; David acionou Pedro Estevam pelo corredor direito com facilidade, desmontando a defesa antes de Allison abrir o placar (1×0).
Erro fatal na saída de bola aos 26 minutos do 2º tempo: O retrato mais fiel da desatenção Bugrina ocorreu na etapa final. Em uma saída de bola displicente do sistema defensivo, Jonathan Costa perdeu a bola em uma zona perigosa. Meirelles fez o desarme e, com a defesa totalmente desmontada pelo próprio erro, acionou Allison, que finalizou, a boa ainda bateu na trave, para recolocar os donos da casa em vantagem novamente (2×1).
Limitações Ofensivas e Previsibilidade
No ataque, a falta de criatividade foi o grande obstáculo, mais uma vez. Apesar de jogar contra uma Ferroviária que está na zona de rebaixamento e poupou a imensa maioria dos seus jogadores, o meio-campo do Guarani, com Willian Farias, João Paulo e Isaque, não conseguiu dominar as ações por baixo.
O Bugre insistiu exaustivamente nos cruzamentos, o que mascara a ineficiência nas infiltrações e nas trocas de passes curtos. Ironicamente, foram essas bolas alçadas que salvaram o time de um vexame maior, mas atestaram a total previsibilidade do esquema tático:
O primeiro empate veio aos 24 minutos do 1º tempo: Lucca recebeu a bola na esquerda e conseguiu um cruzamento preciso para a entrada da pequena área, onde Guilherme Cachoeira, livre de marcação, subiu e cabeceou para igualar o marcador (1×1).
O segundo empate surgiu aos 39 minutos do 2º tempo: Mais uma vez, o time abdicou da construção pelo chão, mas em boa jogada pela esquerda, Emerson levantou na área e encontrou Guilherme Parede livre, na marca do pênalti, para testar no canto direito de Dênis Júnior, e novamente empatar a partida (2×2).
O excesso de “chuveirinhos” e a dificuldade de furar defesas organizadas através de jogadas trabalhadas evidenciam os erros de planejamento ofensivo para esta fase da competição.
Outro ponto negativo Bugrino é a qualidade nas finalizações, ou nas tomadas de decisões, os atacantes não conseguem demonstrar qualidade com a bola nos pés. Mirandinha, que entrou na 2ª etapa, teve duas grandes oportunidades, na primeira fez boa jogada na grande área pela direita, e quando poderia chutar a gol, preferiu um passe, que saiu errado, permitindo o corte da defesa adversária. Na segunda chance, no último lance da partida, ele recebeu a bola pela esquerda e, cara a cara com o goleiro, chutou na rede, pelo lado de fora, aos 52 minutos.
Destaque negativo também para a precipitação dos zagueiros no sistema ofensivo. Além das falhas de Rafael Donato no primeiro gol e Jonathan Costa no segundo, Jonathan Costa arriscou dois chutes absurdamente errados, de muito longe, e Maurício Antônio, que entrou na 2ª etapa, repetiu o feito, o que parece ser, claramente, uma orientação do treinador.
Panorama e Próximos Passos
Apesar de se manter invicto na Série C, com uma vitória e três empates, a equipe deixou escapar pontos preciosos contra um adversário direto da parte de baixo da tabela. Com o resultado de 2×2, contra um adversário que segue afundado na zona de rebaixamento com apenas 2 pontos ganhos, e que estava em campo com uma equipe absolutamente alternativa e jovem, o Guarani chega a 6 pontos e permanece estacionado na 10ª colocação, do lado de fora do sonhado G8.
Próximo Desafio: Pressionado para mostrar um futebol minimamente organizado e seguro, o Guarani retorna a Campinas para enfrentar o Santa Cruz no próximo sábado (2), no Brinco de Ouro. Será o teste de fogo para saber se as cobranças ríspidas do treinador surtirão efeito prático em campo, e também para a paciência do extremamente preocupado Torcedor Bugrino.
Ficha Técnica
Ferroviária 2×2 Guarani
Campeonato Brasileiro – Série C – 4ª rodada
Local: Arena da Fonte Luminosa – Araraquara-SP
Segunda feira, 20:00HS.
Árbitro: Thaillan Azevedo Gomes (AP)
Gols: Allison (12’-1ºT – Ferroviária), Guilherme Cachoeira (24’-1ºT – Guarani), Allison (26’-2ºT – Ferroviária e Guilherme Parede (39’-2ºT – Guarani).
Cartões amarelos: Ferroviária: Schilling (09’-2ºT) e Allison (29’-2ºT). Guarani: Willian Farias (22’-2ºT), Mirandinha (32’-2ºT), Ynaiã (44’-2ºT) e Maurício Antônio (48’-2ºT).
Escalações:
Ferroviária: Denis Júnios; Nicolas, Ticianelli, Guilherme Ferreira e Rhuan; Schilling (Vinni Faria 22’-2ºT), Raoni, Alencar (Meireles 16’-2ºT) e David Souza (Gadu 38-2ºT); Allison (Cantarelli 38’-2ºT) e Pedro Estevam (Jhonatan 22’-2ºT). Técnico: Rogério Correa.
Guarani: Caíque França; Ynaiã, Rafael Donato (Maurício Antônio (Intervalo), Jonathan Costa e Emerson; Willian Farias, Isaque e João Paulo (Diego Torres 30’-2ºT); Guilherme Cachoeira (Guilherme Parede (24’-2ºT), Hebert (Mirandinha 24’-2ºT) e Lucca (Kewen 28’-1ºT). Técnico: Elio Sizenando.

