Opinião Beto Toledo: Os erros que dão certo, teria Matheus Costa toda essa sorte?
A uma vitória da classificação, o treinador Bugrino tem o melhor início de Paulistão desde o retorno do Bugre a série principal em 2019, mas então por que ainda tem sido tão cobrado?
O Guarani venceu o Derby no último Sábado e engatou sua terceira vitória consecutiva no Estadual, feito que não realizava desde 2012 ano em que o Bugre foi vice campeão do torneio. Naquela oportunidade, o Guarani venceu cinco jogos seguidos, três em casa e dois fora, depois disso, o melhor resultado foram duas vitórias, sempre tropeçando no terceiro jogo.
Mas, se esse feito é assim, tão extraordinário no passado recente do Bugre, então, quais os porquês de tamanha desconfiança da torcida e da imprensa para com o seu treinador? Incluo-me neste grupo, como torcedor e também colunista, fiz muitas críticas e ponderações ao trabalho inicial de Matheus Costa neste ano de 2026, nos três primeiros jogos, foram apenas dois pontos conquistados, dentre eles, um empate frustrante contra o Primavera na estreia, mas o que parece mais incomodar o torcedor, são algumas convicções e decisões a beira do gramado, nomes como Parede, Maranhão, Nathan Mello e Emerson, figuras carimbadas nas escalações do técnico, não agradam em nada a torcida e a persistência, ou talvez insistência em escalar estes atletas, tem feito com que o torcedor elevasse o tom no estádio e nas redes sociais, pedindo mudanças e a própria demissão do treinador.
No Derby, após a expulsão do Goleiro Caíque França, Matheus Costa fez uma alteração que levou parte da torcida presente à loucura, pra recompor o gol, o escolhido pra sair foi o volante Nathan Melo, a torcida queria a saída de Maranhão, ou talvez do Parede, mas a opção foi por manter os três atacantes e deixar o meio com um homem a menos, a imprensa Campineira também discordou em massa, o time pareceu ficar desprotegido e a defesa no mano a mano.
O Guarani passou a ser pressionado e demorou para voltar pro jogo, algo que ocorreu apenas nos minutos finais do primeiro tempo. Na volta do intervalo, o time voltou com Lucca no lugar do Maranhão e com o Isaque um pouco mais recuado quase como um volante, os dois beiradas que compunham a linha de quatro do meio campo, passaram a jogar um pouco mais fechados o que permitia a descida do adversário usando as laterais.
O meia Elvis, passou a jogar próximo dos Zagueiros, onde tinha muita liberdade, de lá ele armou boas jogadas com bolas longas enfiadas no limite do campo na maioria das vezes, a defesa Bugrina, conseguia chegar e absorver as jogadas, porém, houve momentos de tensão pelo setor, já que a marcação permanecia sem cobertura. O Guarani correu riscos, entretanto também criou boas chances de abrir o placar, chances até mais claras que o adversário, a ponto deste ter diminuído o ritmo nos minutos finais, como se estivesse se contentando com o empate, em alguns momentos, nem percebíamos que o Guarani estava com um a menos, tamanho o volume de jogo aplicado, por fim, o Guarani foi premiado com um gol aos 46 minutos da etapa final, a persistência pela vitória fora em fim reconhecida e com o apito final, levou a torcida presente ao êxtase.

“Se a gente juntar, aqui todos vocês falam uma escalação do Guarani e as substituições no decorrer do jogo, não vai ninguém ficar igual a do outro” – Técnico Matheus Costa durante entrevista Coletiva no ultimo Sábado.
Pensemos então torcedor Bugrino, será realmente que tudo isso é reflexo de um raro momento de sorte, ou nosso treinador encontrou um modo de jogar, onde as oportunidades de gol são diminutas, mas os riscos também não são demasiadamente grandes?
Treinadores costumam falar em risco controlado, não tenho dúvidas de que eu, humilde colunista, teria feito uma alteração diferente no momento da expulsão, teria inclusive mudado a escalação inicial, mas o próprio Matheus Costa disse em Coletiva que se perguntasse na sala, cada uma ali teria uma ideia diferente naquele momento da partida e conversando com amigos e ouvintes da Rádio Planeta Guarani, eu percebi que ele estava certo, cada uma das pessoas pensou em soluções diferentes para o mesmo problema e devo dar o braço a torcer e admitir que a solução do Matheus, deu certo a final e nos rendeu mais uma vitória e a garantia da manutenção da hegemonia sobre o rival por mais alguns anos, pressionado que estava.
Seria cômodo para nosso treinador repor a expulsão tirando um atacante, talvez na segunda etapa reforçando ainda mais o meio com o Ralf e esfriar o jogo a ponto de garantir o empate, boa parte da torcida Bugrina se daria por satisfeita com isso, dada as circunstâncias especiais do Clássico, porém, não foi o que ele fez, nosso treinador manteve o time ofensivo e vertical e teve coragem para decidir por esta opção, a vitória não me pareceu por acaso, ela foi fruto de uma equipe aguerrida que em momento algum abriu mão do resultado e apesar de uma parte da imprensa de Campinas preferir ressaltar os invisíveis méritos da “Associação” a ponto de procurar um invisível desfavorecimento por parte da arbitragem, o que se viu de fato, foi um time que a todo momento soube o que queira na partida e venceu quem perseguiu a vitória até o último minuto.
Por fim, não se trata de uma trégua porque nenhum profissional envolvido precisa disso, nem tão pouco de uma mudança na linha da crítica, mas sim, do reconhecimento de que o Guarani está fazendo sim um bom campeonato e mesmo que as vitórias não estejam vindo da maneira que queríamos, elas começaram a vir e com elas, certamente virá mais confiança e talvez, uma consolidação do apoio que a Torcida tem dado ao time nestas últimas três partidas.
Beto Toledo

