Brusque 1×0 Guarani, uma estreia mais do mesmo

Brusque 1×0 Guarani, uma estreia mais do mesmo
Foto: Roberto Zacarias/Especial para Guarani FC.
Clí­nica SOU

Quinze dias exatos separaram a eliminação do Guarani no Paulistão da sua estreia no Campeonato Brasileiro da Série B. Poucos reforços, poucas mudanças, atuação e resultado muito parecidos ao que o Bugre obteve ao longo do Campeonato Paulista.

A começar da escalação, o técnico Daniel Paulista optou pela manutenção do seu esquema de jogo preferido, o 4-3-3, ou 4-3-2-1, já que a principal função dos atacantes Bugrinos é a recomposição e não propriamente o destaque ofensivo. Maurício Kozlinski; Madison (Leandro Castan), João Victor, Ronaldo Alves e Natheus Pereira; Índio (Marcinho), Rodrigo Andrade e Giovanni Augusto; Júlio César (Lucas Venuto), Lucão do Break (Yago) e Ronald (Nícolas Careca).

É claro que o sistema defensivo Bugrino preocupa, e preocupa muito, mas é claro também que na primeira etapa a equipe errou muito menos no setor. Os problemas saltaram aos olhos na segunda etapa quando Daniel Paulista mexeu logo na volta do intervalo da partida sacando Madison para a entrada de Leandro Castan. Duas falhas de Castan em bolas aéreas depois, na segunda delas uma cabeçada perigosa que chegou a tocar no travessão de Kozlinski e veio a terceira e fatal falha, uma bola atravessada da esquerda pra direita na entrada da grande área do Bugre, sim, um chutão tanto de Kozlinski quanto de Castan pro campo de ataque teria resolvido, mas a bola atravessada acabou como um passe perfeito para o atacante Alex Sandro que só teve o trabalho de tirar a bola do goleiro Kozlinski e comemorar o gol da vitória.

Erro daquele que chegou ao Guarani como principal contratação até então, mas que vindo de um período de cinco meses sem disputar uma partida oficial, jamais deveria ter atuado por mais de 50 minutos. Castan pode ser o zagueiro que o Bugre procura, mas ainda não é, e pra ser precisa de tempo, ritmo de jogo e condicionamento físico, o momento é de entradas curtas, rápidas e graduais, algo como 15 a 20 minutos em alguns jogos, 30 em outros, um tempo inteiro, e só então uma possível escalação titular. Ficou claro que não tinha ritmo de jogo e que por isso se posicionou errado, além da decisão errada no lance que decidiu a partida. Uma pena.

Mas eu quero aproveitar essa postagem pra olhar também outros aspectos, ou melhor, outro aspecto, o ataque Bugrino que não faz cócegas em ninguem.

Até aqui o Guarani disputou 13 jogos no Paulista, 2 jogos na Copa do Brasil e um jogo na Série B totalizando 16 partidas. Nestas 16 partidas o Guarani marcou 16 gols, média exata de um gol por partida, mas destes 16 gols apenas cinco foram marcados por atacantes, Lucão do Break marcou quatro e Ronald marcou um. Os outros gols foram distribuídos entre Giovanni Augusto (5), Diogo Matheus (2), Ernando, Índio, Mateus Pereira e João Victor (1). Foram 5 gols do ataque, 6 gols do meio de campo e 5 gols da defesa, destes 16 gols, 4 foram marados em cobranças de penalidade, três deles por Giovanni Augusto, outro por Diogo Matheus.

Já nossa defesa chegou a marca de 19 gols sofridos em 16 jogos disputados. Conclusão, uma defesa longe de ser sólida, amparada por um meio de campo pouco criativo e desafogada por um ataque nada produtivo, esse é um resumo do Guarani de 2022. A defesa constantemente falha, a bola pouco passa pelo meio de campo e o ataque não consegue marcar gols.

Como resolver isso? Sinceramente só reforçando muito a equipe em todos os seus setores, mas mesmo reforçando a equipe, fica claro que jogar com três atacantes com todos estes problemas não é solução. A defesa precisa de ajuda do meio de campo e pra evitar que o Guarani siga jogando apenas na base do chutão pro campo de ataque é preciso que o meio de campo esteja mais povoado. O Guarani precisa, por mais que doa dizer isso, trocar um dos seus três atacantes por um volante, mas isso está claro desde o Campeonato Paulista.

É mais fácil que um volante tenha capacidade de marcação e recomposição defensiva do que um atacante, mas o que estamos vendo é que nossos atacantes tem uma única função dentro de campo: Recompor o sistema defensivo.

Não funcionou e não vai funcionar. Uma pena que apenas Torcedores enxerguem isso, não é a quantidade de atacantes em campo que vai melhorar nosso time, é o equilíbrio, algo que só virá quando quem sabe marcar marque, quem sabe armar, arme e quem sabe atacar, ataque.

E que venha o Sport, é sábado às 18:30 no Brinco. Abre o olho, Guarani!

Marcos Ortiz