Opinião: Filme repetido, Guarani erra na defesa, no ataque e sai de campo derrotado pelo Grêmio

Opinião: Filme repetido, Guarani erra na defesa, no ataque e sai de campo derrotado pelo Grêmio
Foto: Donaldo Hadlich/Especial para Guarani FC.
Clí­nica SOU

O feriado de Tiradentes foi de muita expectativa antes da partida e de total frustração, pra dizer o mínimo, para o Torcedor Bugrino. Ansiedade para ver seu time em campo contra o Grêmio fora de casa, expectativa para que o time voltasse a balançar as redes do adversário e mais, conseguisse voltar a vencer depois de cinco jogos.

Mas dentro de campo isso demorou muito pouco pra começar a ruir. Logo no primeiro minuto de jogo o lateral Diogo Matheus errou numa saída de bola, deu a bola de presente para o Grêmio e ela chegou na grande área nos pés de Diego Souza, ele dominou pela direita e bateu cruzado entre as pernas de Derlan que ainda desviou a bola antes de ela entrar no canto direito de Kozlinski. Grêmio 1×0 Guarani e a bola mal tinha começado a rolar na Arena em Porto Alegre.

Ainda deu tempo de retomar as esperanças quando Matheus Pereira que já tinha perdido um gol feito cara a cara com o goleiro empatar a partida. Lindo cruzamento de Bruno José da direita, Rodrigo Andrade acertou um belo sem pulo dentro da grande área, o goleiro Brenno fez grande defesa,mas soltou a bola nos pés do lateral esquerdo Bugrino que dessa vez não errou, tirou a bola do goleiro e tocou pro fundo do gol. Grêmio 1×1 Guarani aos 26 minutos, era voltar pro jogo e o Guarani voltou, melhorou, jogou melhor que o Grêmio, dominou a partida e já tinha perdido mais um gol feito com Júlio Cesar que cara a cara com o goleiro Brenno chutou em cima do camisa 1. Errou na frente e errou atrás.

Aos 40 minutos quando o Bugre era superior em campo foi o Grêmio quem marcou o segundo gol. Outro erro de Diogo Matheus na saída de bola, cruzamento pra grande área e outra vez Diego Souza, agora de cabeça, da entrada da grande área, jogou a bola no canto direito de Kozlinski, numa bola considerada defensável pela distância em que o atacante cabeceou. Dois erros lá atrás, dois gols marcados, Grêmio 2×1 Guarani.

Na volta do intervalo nenhuma mudança, mesma equipe, mesmo esquema, e mesma coisa dos jogos anteriores, o Bugre desligou a chave novamente na volta da equipe. O Grêmio tinha espaço, tinha liberdade e chegava quando e como queria contra um time que deixava um imenso buraco entre o setor defensivo e o meio de campo. Resultado, domínio total dos gremistas obrigando Kozlinski a pelo menos três grandes defesas, evitando uma sonora goleada.

Mas os erros defensivos voltaram e dava tempo de tomar mais um. Escanteio cobrado pela esquerda, bola aérea na defesa do Guarani e ninguém marcou Diego Souza que cabeceou sozinho, com liberdade, pro fundo do gol de Kozlinski. É, a bola aérea que a todo momento ouvimos que tem ser trabalhada nos custou mais um gol. Grêmio 3×1 Guarani. Deu tempo ainda de perder mais um gol feito no finalzinho com o lateral direito Lucas Ramon que cabeceou uma bola dentro da pequena área no primeiro pau, sem marcação e conseguiu jogar a bola rente à trave, pela linha de fundo.

Final de jogo e Daniel Paulista mais uma vez se mostra um treinador de uma nota só. Não conseguiu corrigir os erros defensivos do Guarani, não conseguiu corrigir o buraco deixado entre o sistema defensivo e o meio de campo, não conseguiu corrigir a bola aérea defensiva e desta vez, ao substituir, conseguiu deslocar um dos destaques da equipe, Bruno José, para a esquerda, acabando com qualquer possibilidade ofensiva do camisa 17 ao colocar Yago aberto pela direita no lugar de Júlio César.

Daniel Paulista começou e terminou a partida com três atacantes, não conseguiu ver que o Guarani precisava primeiro conseguir se organizar na defesa para só depois poder tentar igualar o placar. Não conseguiu mais uma vez ver que não é a quantidade de atacantes em campo que determina a forma ofensiva de jogar, é preciso primeiro organizar, é a qualidade da bola e do passe que transformam um time em ofensivo e perigoso, e mais, ao final da partida, em sua (curta) entrevista, atribuiu a derrota ao mérito de Diego Souza, ou seja, não viu que o time perdeu por erros individuais (dois de Diogo Matheus) e pela sua incapacidade de corrigir o sistema defensivo na bola aérea no segundo pau.

E não viu também que seus atacantes não conseguem fazer gols. Há seis jogos um atacante Bugrino não balança as redes, o último a fazer isso foi Ronald ainda no Paulista, contra a Ferroviária, e até aqui apenas dois atacantes marcaram gols pelo Guarani, além de Ronald, Lucão do Break (4).

Ao abandonar ou não considerar qualquer variação tática, ao não perceber que seu time precisa de reforço na marcação, ao se recusar abrir mão do seu péssimo 4-3-3 que eu considero 4-2-4-0, pois todos os atacantes Bugrinos passam o tempo todo jogando longe do gol adversário, se esforçando pra recompor marcação, marcando lateral e volante adversário, o Guarani não tem atacante fixo.

Resultado: Daniel Paulista, 3 jogos, 9 pontos disputados e 1 ponto conquistado. Dá pra corrigir? Dá! Infelizmente não sei se com Daniel Paulista. E eu tenho que dizer: Nós avisamos!

Corre enquanto ainda é tempo, Guarani. A insistência já está custando caro e treinador que não observa elenco, não varia esquema, não considera mudanças fora da sua cartilha, não consegue fazer uma equipe reagir. Duvida? Então aponte quantos jogos o Guarani conseguiu virar o placar depois de tomar o primeiro gol sob comando de Daniel Paulista?

Vai custar caro, mas ainda dá tempo de consertar, na minha opinião, não fazendo as mesmas coisas, nem com as mesmas pessoas.

Marcos Ortiz