Opinião Beto Toledo: Aproveitamento x objetivo, o ponto de vista que normaliza a mediocridade

Opinião Beto Toledo: Aproveitamento x objetivo, o ponto de vista que normaliza a mediocridade

É comum se avaliar trabalhos hoje, tendo como métrica principal, o percentual de pontos ganhos ante os pontos disputados, mas será que só isso é o suficiente?

O Guarani foi eliminado do campeonato Paulista no último domingo em Barueri, diante do Palmeiras e com isso, deixou de cumprir mais um objetivo, o de avançar para a segunda fase do estadual, ano passado, avançamos para a segunda fase da série C, porém, também não atingimos o objetivo maior que era o acesso para a série B, e o que isso tem em comum?

Em ambos os casos dirigentes e comissão técnica saíram com o discurso de bom aproveitamento e pregando a evolução para se justificar uma continuidade do trabalho. Agora, convido vocês a se perguntarem, o que é mais importante no planejamento, aproveitamento ou objetivo alcançado?

Para ajudar nessa reflexão vou trazer algumas situações hipotéticas aqui. Um vendedor inicia um trabalho com uma performance de atingimento de resultados, mas no decorrer deste trabalho os números passam a piorar e as metas a não serem atingidas, como a empresa avaliará este profissional, bem ou mal? Ou talvez um médico que tem sucesso em prolongar a vida de pacientes, mas no fim, não os salva, também pode ser um advogado, que elabora ótimas peças de defesa, porém, ao final dos processos, seus clientes acabam condenados por erros em detalhes pequeno, podemos levar para o mundo dos esportes, pensem no corredor dos 100m rasos, que “arrebentou” nas provas classificatórias, entretanto, bem na hora da medalha ele fina em quarto e não pega nem o Bronze, já pensaram no quão frustrante isso se parece?

Matheus Costa na entrevista coletiva após a eliminação em Barueri – Foto: Raphael Silvestre/Guarani FC.

Pois bem, assim está sendo a passagem do nosso treinador no comando do Guarani, o trabalho começou com um alto índice de aproveitamento e foi perdendo performance a ponto de não atingir as metas traçadas, o tal do “aproveitamento” não nos levou a lugar nenhum, ou até levou, mas não foi para onde desejávamos, e o pior é o que veio junto, um discurso derrotista e de conformismo, um verdadeiro festival de mediocridade e justificativas distorcidas, vimos atletas e comissão repetirem um discurso que enaltecida os resultados, e que negavam a realidade dura que era o baixo rendimento nos jogos, falei em matérias passadas sobre como os esportes de alta performance não permite discursos amenos e mansos.
Não existe o meio bom ou meio certo, ou o trabalho chega à algum lugar ou fica pelo caminho, esse tal aproveitamento destacado e comemorado pelo treinador, o tal 55% que na verdade é de 52,6% não garantiria acesso na Série B por exemplo, não nos colocou na segunda fase do estadual e não nos deu o direito de voltar para a “civilização” longe da maldita Terceirona nacional, então honestamente, qual a vantagem tivemos com isso?

Que oba, oba foi esse por causa de um empate? Até quando vamos nos conformar com o medíocre e aceitar a falta de grandes conquistas? Acho que estamos em um momento decisivo para nossa história e virar a chave, significa mais do que recomeçar, significa mostrar para o torcedor que o novo Guarani, não vai conviver mais com as desculpas, vai sim passar a conviver com atitudes e cobrança porque onde estamos, não é onde deveríamos estar nem onde prometeram que estaríamos.

Beto Toledo