Opinião Marcos Ortiz: Guarani FC – Além da vergonha, o prejuízo é gigantesco

Opinião Marcos Ortiz: Guarani FC – Além da vergonha, o prejuízo é gigantesco
Rômulo Amaro, presidente reeleito do CA do Guarani FC. Foto: Raphael Silvestre/Guarani FC.

Derrotado nos pênaltis pelo Castanhal-PA, o Guarani viu seu terceiro grande objetivo não ser conquistado pelo departamento de futebol, mas quais são os reais objetivos do Bugre neste período que mais parece uma tristeza sem fim?

Objetivos são, ou ao menos eram, traçados e divulgados antes dos inícios de temporadas. Previsões orçamentárias também eram, já que a partir do ano passado, o comando do clube praticamente encerrou as divulgações de seus números, atos e objetivos, ao menos ao Torcedor comum.

Para este “exercício”, teremos que tentar adivinhar, baseado no último planejamento ao qual tivemos acesso, o da temporada 2025, que, se não estou enganado, trazia entre outros, estes principais:

1 – Manutenção na Série A1 do Campeonato Paulista.
2 – Classificação para as 4ªs de final do Campeonato Paulista.
3 – Conquistar uma vaga na Copa do Brasil.
4 – Vencer os dérbis.
5 – Conquistar o acesso na Série C do Campeonato Brasileiro.

Como estamos falando de 2025, e ele projeta os recursos para a próxima temporada (2026), vou acrescentar mais um, uma vez que, não pela via planejada, mas pela mudança de regulamento da Copa do Brasil 2026, a vaga veio:

6 – Avançar ao menos até a 5ª fase da Copa do Brasil.

Com exceção a vitórias em dérbis, todos os outros objetivos estão diretamente ligados ao planejamento financeiro do clube. A manutenção na Série A1 garante uma quota importante para a próxima temporada, a vaga nas quartas de final traz uma premiação, além de proporcionar dividendos de uma renda compartilhada na partida decisiva, a vaga na Copa do Brasil garante o recebimento de quotas na medida em que o clube avance em fases e o principal objetivo, o acesso para a Série B do Campeonato Brasileiro insere o clube em uma quota que, estima-se, chegue aos R$ 15 milhões nesta temporada 2026.

Como não temos acesso oficial aos números, vamos trabalhar com estimativas: Quota do Paulistão (R$ 7,5 milhões), vaga na 2ª Fase (R$ 500 mil + R$ 1 milhão), vaga na Copa do Brasil (R$ 830 mil), avançar até a 5ª Fase (R$ 4 milhões), acesso à Série B (R$ 15 milhões). O total de objetivos estimado é de R$ 28.830.000,00.

Total atingido pelo Guarani em 2025 para a temporada 2026: Manutenção no Paulista (R$ 7,5 milhões), vaga na Copa do Brasil (R$ 830 mil). Como o valor das quotas de disputa da Série C ainda não foram divulgados, mas a CBF promete um investimento maior na competição, vamos exagerar na expectativa de R$ 4 milhões, que é quase o dobro do valor oferecido em 2025, e chegamos a um total de R$ 12.330.000,00.

O Guarani teria conquistado, uma vez que estamos trabalhando em estimativas financeiras, 42,77% dos objetivos financeiros estipulados em 2025 para a temporada 2026.

O grande problema disso tudo é que, muitas vezes, o objetivo muda no decorrer da competição, e o Guarani acaba “se moldando” à realidade, como por exemplo: Durante o Paulistão 2025 o Bugre teve que replanejar os objetivos para uma simples manutenção, pois os riscos de rebaixamento existiram. Assim como na Série C, ou alguém consegue me dizer que quando da sua contratação, Matheus Costa recebeu do Conselho de Administração a meta de classificação para a 2ª fase? Acredito que a meta tenha sido evitar um rebaixamento para a Série D, uma vez que o Bugre tinha apenas 2 pontos a mais que o primeiro time a integrar a zona de rebaixamento naquela ocasião.

Como os objetivos de uma temporada refletem no orçamento da próxima temporada, e o Guarani já encerrou, e fracassou, em duas das três competições que disputará em 2026, o planejamento financeiro do Guarani hoje acumula um prejuízo de R$ 15 milhões (quota da Série B), R$ 1,5 milhão (eliminação na 1ª fase do Paulistão) e R$ 4 milhões (eliminação na 2ª fase da Copa do Brasil). O saldo é negativo em R$ 20.500.000,00.

Só resta ao Guarani agora a disputa da Série C do Brasileiro, a competição começa no dia 05 de abril, mas é importante frisar que qualquer que seja o objetivo alcançado, ainda que o acesso venha, isso só refletirá no planejamento orçamentário de 2027, então, o ano de 2026 do Guarani, ao menos em termos de planejamento financeiro já se encerrou, e este prejuízo é total trazido pelas gestões do CA e do Departamento de Futebol, nele estão inseridos presidente, vices presidentes, suplentes, executivo de futebol, coordenador de futebol, treinador, comissão técnica e elenco.

Baseado nisso, e não no péssimo futebol apresentado pelo Guarani em quase todas as partidas decisivas que o time disputou desde a chegada de Matheus Costa, alguém consegue “se defender” desta análise?

Problemas: O presidente, os vices e os suplentes acabaram de ser eleitos, e eles são o topo da pirâmide. O executivo de futebol, que de um lado sofre interferências no seu trabalho, por outro lado defende a permanência do treinador pelos “processos” e não pelo que conseguiu de resultados, ou pela qualidade do futebol apresentado pelo time. E o maior de todos, o orçamento do Guarani FC é limitado e finito.

O que restou? Saberemos nos próximos dias com as movimentações que virão a seguir. Sobre o trabalho de Matheus Costa falo no próximo texto.

Marcos Ortiz