Opinião Marcos Ortiz: Caiu todo mundo, e a pergunta é: quem definirá quem virá?
Agora é oficial, as saídas de Farnei Coelho, Elano e Matheus Costa foram concretizadas pelo Guarani FC na manhã desta sexta feira. Farnei e Matheus desligados, Elano, em comum acordo, o que significa que o profissional deve ter pedido desligamento e foi acatado pelo Conselho de Administração.
Surpresa zero nas decisões, que alias já tinham vazado para a imprensa na véspera.
Farnei Coelho tem potencial, ainda é jovem e crescerá muito em sua profissão, e, na minha opinião, não fez um mau trabalho à frente do futebol do Guarani. Chegou apagando incêndio, conseguiu, de certa forma, sucesso, ao reformar o elenco durante a Série C de 2025, com isso o Bugre se classificou para a 2ª fase, e criou uma grande expectativa com as contratações anunciadas para o Campeonato Paulista e temporada 2026.
Como infelizmente o futebol é previsível, antes do início do Paulistão o “calcanhar de Aquiles” do futebol Bugrino já era nítido: O técnico Matheus Costa, muito questionado por boa parte da Torcida, traria pra si o peso da decisão de manutenção no cargo.
E isso não é nem considerar o trabalho bom ou ruim, é saber que no futebol, apesar de todos os processos necessários para o bom andamento do departamento, o processo que interessa ao Torcedor é o resultado. Isso não mudou no futebol brasileiro, e não vai mudar, é cultural.
Alias, como chegam informações de todos os lados nestes momentos, uma delas diz que Farnei seria mantido, mas teria acabado se desgastando em debates durante a reunião, e por isso teria sido desligado do cargo. A realidade? Jamais saberemos.
Matheus Costa, após o acúmulo de resultados ruins em momentos decisivos, pagou o preço das suas convicções e pragmatismo. Particularmente não consigo tratar o fato como uma demissão, vejo apenas como uma decisão por não renovação contratual, que trouxe o final antecipado do vínculo.
Já a saída de Elano, ao menos pra mim, é uma incógnita absoluta. Confesso que sempre tive dificuldades em saber quais eram suas atribuições na estrutura do futebol do Guarani, se era um coordenador do time profissional, ou se trabalhava também no departamento de futebol amador, a base.
De todas as saídas, na minha opinião, a que mais fará falta será a do executivo. Independente de você considerar o profissional bom ou ruim, é inegável que a mudança deste profissional exatamente no momento em que o elenco será reformulado, ou reforçado, pra disputa da próxima competição, nunca é uma atitude que não deixe sequelas. Acredito que Farnei também pagou o preço das suas convicções em relação à manutenção do treinador e a defesa dos processos, que, segundo ele, tiveram importante participação de Matheus Costa.
Dirigente sempre precisa “ficar bem” com a Torcida, e os profissionais do departamento de futebol deveriam saber disso. A fidelidade, neste caso, é sempre unilateral.
A grande pergunta que fica, ao menos pra mim, agora, não é quem será contratado para repor os cargos e funções. Pra mim a grande pergunta é: quem definirá esses nomes?
Serão os dirigentes, que sabem que estão à beira de um processo de transformação do sistema de futebol Bugrino para SAF, ou será (ão) o (s) investidor (es) que, dependendo do processo a ser instalado nos próximos dias, assumirá (ao) o comando do futebol?
Qual é o risco? É de termos profissionais definidos pelos dirigentes, e que, brevemente, podem ser substituídos pelos investidores, que afinal, hão de querer profissionais de sua confiança para a sequência do trabalho.
Mais uma vez o Torcedor segue pagando o preço das decisões, sejam de manutenções, dispensas, ou novas contratações. Insegurança é a palavra do momento, e saber qual, e como será, o Guarani do Campeonato Brasileiro ainda vai nos tirar boas noites de sono antes do início do mês de abril.
Marcos Ortiz

