Dérbi com a cara do Guarani (de hoje). Promessa x Realidade do Bugre na Série B

Dérbi com a cara do Guarani (de hoje). Promessa x Realidade do Bugre na Série B
Foto: Thomaz Marostegan/Guarani FC.
Clí­nica SOU

Tá corrido! Já faz quase uma semana que o Dérbi 203 aconteceu e só agora deu pra dar uma paradinha e postar alguma coisa. Transmissão na Rádio PG realizada com sucesso, pena que pra um jogo de baixíssima qualidade.

No Dérbi dos Cacos, como apelidei este jogo na nossa programação, ficou claro que os cacos precisam ser juntados no Bugre e urgentemente. Poucas finalizações, pouca inspiração, alguma transpiração e segue a incapacidade de fazer gols. Eu diria que se não fossem pelos cabelos brancos de Ben Hur Moreira no banco de reservas, nada tinha mudado.

Alias, nada mudou mesmo, após a partida que terminou com um placar de 0x0 o auxiliar técnico fixo que assumiu a equipe interinamente declarou em sua entrevista coletiva que o trabalho realizado pelo ex treinador e sua comissão técnica era excelente e que não precisava mudar nada, então sem mudanças, o que esperar de um time que marcou apenas três gols em seis jogos da Série B? Que não marcasse gols… e não marcou. Ainda bem que o adversário era de qualidade ainda pior e pouco ameaçou, ao menos não tomamos gol e o 0x0 ficou com a cara do Bugre de hoje: Um time XOXO.

E pior, ao declarar isso ele, mesmo sem perceber, contestou a decisão da diretoria Bugrina de dispensar o antigo treinador, afinal bons trabalhos não merecem mudança.

Promessas x Realidade

Antes do início da Série B a promessa do presidente do CA Ricardo Moisés, do Superintendente de Futebol Michel Alves e do então treinador Daniel Paulista era a mesma: O acesso! Esta promessa veio antes de a bola rolar na Série B, cinco jogos depois Daniel Paulista não era mais treinador do Guarani após uma campanha de duas derrotas, dois empates e uma vitória e o time beirando, quando não integrando a zona do rebaixamento.

No Guarani o discurso ainda é o mesmo, tanto o presidente Ricardo Moisés quanto o Superintendente de Futebol Michel Alves seguem afirmando que o Guarani luta pelo acesso, enquanto a equipe mal se equilibra nas pernas e ocupa a 16ª posição na classificação. De duas uma, ou eles tem certeza de que o trabalho está sendo bem executado, o elenco é bom e o time vai render, ou eles vivem numa realidade paralela, e neste caso a negação da realidade pode ser fatal. Antes de falar em acesso o Guarani precisa de um time organizado em campo, um esquema de jogo capaz de extrair o melhor de cada jogador dentro das suas características e de vitórias, primeiro para escapar da parte de baixo e só depois disso pensar em alguma coisa na ponta de cima.

Se o trabalho é bom, se o elenco é bom, se nada precisa mudar, eu pergunto: Por que Daniel Paulista foi demitido então? Ambiente ruim nos vestiários? Não sei… O gol sofrido aos 49 minutos do segundo tempo em Recife e a vitória certa escapando entre os dedos no último instante da partida pesou?

Repito: Se o trabalho de Daniel Paulista era bom e nada precisava mudar (e não sou eu quem diz isso, foi o técnico interino quem disse), e mesmo com esse “bom trabalho” o Guarani não consegue decolar até aqui na competição, o que é preciso fazer? Mudar! Mudar conceitos, mudar posicionamentos, jogar como um time que precisa do resultado e que enxergue os três pontos como único resultado possível.

Depois de mudar a realidade o Guarani pode até voltar a prometer, mas agora o Guarani precisa entender sua real situação e mostrar capacidade de reversão. Isso fortalece o grupo, mas agora me desculpem, o grupo precisa dar resultado, afinal, pergunto eu: Por pior ou melhor que fosse o trabalho de Daniel Paulista e sua comissão técnica, quantos gols eles perderam na cara do gol? NENHUM!

A promessa é subir, a realidade é lutar pra não cair. E agora, Guarani? Ou muda, ou nada muda, mas pra mudar é preciso entender que precisa mudar, não adianta mudar o nome, é preciso mudar a atitude, a postura e só depois disso, mudar a realidade.

Sobre o Dérbi prefiro não falar nada mais. Poupo vocês de um monte de palavrões.

Marcos Ortiz