Protesto, tiro, exposição da instituição – Cadê os líderes do Guarani FC?

Protesto, tiro, exposição da instituição – Cadê os líderes do Guarani FC?
Foto: Redes Sociais.
Clí­nica SOU

No futebol brasileiro e em muitas partes do mundo algumas coisas acontecem como que desenrolando um roteiro previamente escrito, infelizmente, e quem paga o preço não é o culpado.

Acho que todos nós que vivemos Guarani sabíamos que os fatos ocorridos na última noite no Brinco de Ouro aconteceriam. Torcedores comparecendo para tomarem satisfação dos rumos que o time está tomando, seguranças presentes ao local, jogadores e comissão técnica embarcando para viagem, em fim, um filme imaginado, repetido e previsível.

Pra quem não acompanhou (e acredito que todos saibam), na última noite torcedores estiveram no Brinco de Ouro na saída da delegação para o aeroporto. Queriam falar com dirigentes e com jogadores. Um dos seguranças, que não teve o nome revelado, sacou uma arma de fogo e disparou para o alto, sim poderia ter ocorrido uma tragédia,mas o disparo, graças a Deus, foi pra cima e a situação acabou sendo contornada.

Cada um escolhe sua forma de protestar, a minha é falar, escrever e cobrar das pessoas o desempenho de suas funções, e aqui eu vou falar do que vi pelos vídeos publicados.

Senhores, observem que nas imagens não aparece um dirigente sequer! As únicas pessoas presentes são os atletas e comissão técnica, os dois seguranças e os torcedores. Depois, em outro vídeo, vemos torcedores conversando com atletas, principalmente com o meia Giovanni Augusto, sinal que as coisas ao menos se “acalmaram”.

Pergunto: Não tinha ninguém da diretoria presente no local? Onde estava o Superintendente Michel Alves? Ao menos nas imagens a que tive acesso não apareceu. O Conselho de Administração do Guarani FC, o presidente do CA, o Superintendente de Futebol, enfim, ninguém imaginou que isso pudesse acontecer?

Se for isso, me perdoem, mas minha teoria de que o Guarani hoje vive num universo paralelo está confirmada.

O ocorrido é o ápice das consequências de um distanciamento denunciado há tempos entre clube e torcedor, e este ato só marcará um acirramento maior nos próximos atos. A única coisa que posso dizer é que a culpa do ato não é do segurança, ele cumpre ordens e tem que exercer seu papel, mas não deve em momento algum apresentar uma arma e dispara-la, só que a culpa não é dele, apesar de o erro ser, a culpa é de tudo o que está acontecendo no Guarani FC nos últimos meses onde clube e torcedores não falam mais a mesma língua, e me desculpem, mas a culpa é de quem não entendeu isso até agora: O Guarani.

Se Michel Alves estava lá, se havia um representante da diretoria do clube lá, pergunto: Por que não atenderam, ao menos naquele instante de conflito eminente, ao pedido de diálogo com os torcedores? Não acham que devem explicações? Quem deve explicações são apenas os atletas?

Não existe liderança de gabinete, liderança se desempenha na rua, no centro do problema, no exato momento em que o liderado precisa que alguém não lhe exponha ao constrangimento. Onde estavam os líderes do Guarani? E não estou falando dos líderes dentro do campo.

Acreditem, o único prejuízo neste caso é da entidade, da instituição Guarani Futebol Clube que será exposta nos noticiários de todo o país pelo fato ocorrido com a divulgação das imagens, porque nós todos que vivemos momentos parecidos sabemos que todos irão continuar cobrando dos líderes do clube, inclusive os jogadores que naquele momento não tinham ninguém pra falar por eles. São coitados? Não, mas não pediram pra serem contratados pelo Guarani, assim como os seguranças, eles estavam lá pra fazerem seu trabalho.

Repito: Onde estão os líderes do Guarani FC? Aquele era o momento da liderança aparecer.

Marcos Ortiz