O jogo de São Luís nos traz uma pergunta: O que vamos fazer agora?

O jogo de São Luís nos traz uma pergunta: O que vamos fazer agora?
Foto: Iury Oliveira/Especial para Guarani FC.
Clí­nica SOU

Antes de começar a escrever esta postagem eu preciso contextualizar uma coisa: Eu não sou jornalista, eu sou Bugrino. Imparcialidade não faz parte do meu trabalho nestes 18 anos em que não passei um dia sequer sem estar envolvido com algo do Guarani.

Então vamos lá! A escalação do Bugre para a partida contra o Sampaio Corrêa trazia muita expectativa, apresar de já ter sido vazada na véspera, esperei até o último instante para confirmar que Yago era a opção para a vaga de Júlio César e Silas formaria a dupla de volantes com Madison.

Confesso, me veio um sentimento de frustração muito grande. Há muito tempo digo que a última esperança que tinha em relação ao Guarani nesta Série B era a chegada de um novo treinador que pudesse enxergar algo que nós não conseguimos ver até agora, e ver Marcelo Chamusca levar a campo exatamente o mesmo conceito de jogo me frustrou bastante.

Tenho que destacar aqui que o Guarani foi prejudicado demais logo no início da partida. Aos 04 minutos o árbitro, seus auxiliares, o VAR e a comentarista de arbitragem do Grupo Globo que acompanhava a partida foram as únicas pessoas que enxergaram a penalidade marcada contra o Bugre. Isso é grave sim, mas não diminui a sucessão de erros que vimos antes e durante a partida.

Campo molhado, muitas poças d’água, gramado ruim e jogo fora de casa. Insistir com três atacantes nestas circunstâncias foi certamente o principal erro do Guarani, e por que estou dizendo erro do Guarani e não de Marcelo Chamusca? Porque eu já não tenho mais certeza sobre ser o treinador quem decide isso no clube, sinceramente me parece mais um conceito do clube do que do profissional à beira do campo, é o tal e tão decantado “DNA do Guarani” de futebol ofensivo que pode estar transformando um time mal montado e um elenco fraco em um pragmatismo que levará o clube ao rebaixamento.

Qual a função de dois atacantes de extrema? Dar velocidade ao time. Como dar velocidade em um gramado encharcado e de qualidade ruim? Não, não é pelas extremas, é povoando o meio de campo, isolando as tentativas ofensivas do adversário ali e saindo em velocidade na transição entre o meio de campo e o ataque, e neste caso dois extremas mais atrapalham do que ajudam. Não era um time leve que levaria o Guarani a uma vitória, ainda mais um time leve que para beneficiar Yago deslocava Bruno José para o lado esquerdo do ataque. Chamusca isolou um bom atacante pela direita jogando na esquerda e apostou num atacante fraco que é ambidestro e portanto poderia jogar na esquerda.

O primeiro tempo do time beirou a tortura aos olhos do Torcedor Bugrino que ainda viu Kozlinski fazer duas grandes defesas evitando uma tragédia maior contra um time horroroso. Veio a segunda etapa, teremos mudanças! Não,não tivemos nenhuma, mesmo time, mesma disposição tática, era mais do mesmo, doía os olhos assistir.

Somente aos 19 minutos, sim o Guarani precisou de 64 minutos de bola rolando e um placar adverso de 1×0 pra enxergar que precisava mudar, vieram as primeiras alterações, mas o pragmatismo continuava, se a entrada de Rodrigo Andrade no lugar de Silas trazia esperança, a entrada de Ronald no lugar de Yago mostrava que as mudanças não seriam como esperado, seguimos com três atacantes, apesar de ter que confessar que Ronald fez muito mais para o time naqueles 30 minutos finais do que Yago fez em 64.

Logo no minuto seguinte saiu o segundo gol e o lance expôs ainda mais os problemas Bugrinos. Cobrança de falta da intermediária, o adversário errou o chute, mas acabou fazendo um passe que encontrou André Luiz sozinho dentro da grande área. Nossa defesa falhou, ele dominou e bateu no canto direito de Kozlinski, Sampaio Corrêa 2×0.

O Guarani não reagia, pelo contrário, errava demais. Vieram mais duas mudanças, as entradas de Lucas Ramon e Maxwell nos lugares de Eliel (um dos poucos destaques em campo principalmente na marcação) e Lucão do Break, o que mudou? Nada, mas mesmo com seus erros o Guarani conseguiu diminuir o placar graças a Rodrigo Andrade que invadiu a grande área pela direita, fez uma jogada individual na linha de fundo e foi derrubado! Giovanni Augusto cobrou aos 35 minutos e diminuiu o placar.

A mudança só aconteceu com a quinta alteração e quando nela vimos finalmente alguma mudança tática no time, saiu Madison para a entrada de Marcinho e com dois meias em campo o Bugre finalmente jogou um pouco de bola, pena que por pouco tempo, ela só aconteceu aos 40 minutos do segundo tempo. Deu tempo de criar duas grandes chances, ver Marcinho acertar um belo sem pulo e exigir uma grande defesa do goleiro Luiz Daniel e na cobrança do escanteio Ernando cabeceou certinho e o goleiro praticou outro milagre. Acabou o jogo, Sampaio Corrêa 2×1 Guarani e o Bugre conheceu sua primeira derrota na história do confronto com os maranhenses.

A Torcida Bugrina está machucada, magoada e eu diria que até ofendida com os rumos que a equipe está tomando na Série B. A última colocação na tabela de classificação só relata o que estamos vendo dentro de campo, o Guarani não apenas está na lanterna, mas com o pragmatismo do tal “DNA ofensivo” joga o pior futebol de todo o campeonato, o Bugre que muda treinador, mas não muda conceito, joga como lanterna, e se não mudar tende continuar sendo lanterna por um bom tempo.

Falaremos sobre isso na próxima postagem.

Marcos Ortiz